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Teatro on-line: seis peças para assistir no sofá de casa

De monólogo sobre tabus da maternidade a um embate entre Marilyn Monroe e Maria Callas, passando por cordel de Ariano Suassuna, são diversas as opções

Por Marcela Capobianco 19 mar 2021, 17h52

É tempo de ficar em casa e explorar as diversas possibilidades culturais ao alcance do celular – ou do controle remoto da TV com internet. Confira peças de teatro on-line para assistir no fim de semana. Há temas para agradar a todos os gostos.

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Parabéns, Senhor Presidente.

Christine Fernandes e Danielle Winits no palco
Parabéns, Senhor Presidente: Christine Fernandes interpreta Maria Callas e Danielle Winits encarna Marilyn Monroe Adriana Marchiori/Divulgação

Dirigidas por Fernando Philbert, Danielle Winits e Christine Fernandes encarnam, respectivcamente, a diva americana Marilyn Monroe e a soprano grega Maria Callas na peça. A comédia biográfica faz um recorte de um episódio histórico: a festa de 45 anos de John F. Kennedy, em 19 de maio de 1962 em Nova York. Em cena, graças ao duelo verbal entre as duas estrelas, as atrizes abordam temas relevantes sobre o universo feminino como o amor, a realização pessoal versus a profissional e o papel da mulher em uma época ainda controlada por homens. Tudo muito identificável com os dias de hoje. “No palco, a história de dois dos maiores mitos da feminilidade do século XX: Marilyn Monroe, a mais absoluta encarnação da carência afetiva, e Maria Callas, uma voz de diamante em forma de mulher. Apesar das diferenças entre elas, perceptíveis de imediato, a mesma prisão sombria as aproxima, a dificuldade de se afirmar com autonomia em um mundo machista e a impossibilidade de encarar a vida sem afeto”, afirma Fernando Duarte, que assina o texto ao lado de Rita Elmôr.

Estreia: sexta (19), 20h. Temporada: sábado (20), domingo (21), quinta (25) e sexta (26), 20h. Domingo (28), 18h e 21h30. Grátis. Acesso em Sympla.

Te Falo com Amor e Ira.

Branca Messina sobre uma cadeira, de lado
Te Falo com Amor e Ira: monólogo com Branca Messina analisa a relação homem-mulher Ana Alexandrino/Divulgação

A atriz Branca Messina estreia o solo nesta sábado (20), às 21h. O texto, escrito a quatro mãos por Branca e Fernanda Bond, diretora da experiência cênica on-line, narra o encontro de uma mulher e um homem através de uma videochamada. A relação atravessa dimensões de tempo e espaço e expõe as engrenagens das relações homem-mulher ao longo da história. Analisando figuras arquetípicas da história, a exemplo de Adão e Eva, Hera e Zeus e Medeia e Jasão, a peça expõe novos pontos de vista sobre temas como família, maternidade, sexo, trabalho e subjetividade.

Estreia sábado (20). Temporada: sábado e domingo, 21h. R$ 20,00. Ingressos pela Sympla. Até 25 de abril.

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Romeu e Julieta, Cordel de Ariano Suassuna.

Aramis Trindade no palco
Romeu e Julieta: Aramis Trindade dá vida ao cordel escrito por Suassuna sobre a trágica história de amor de Shakespeare Bleia Campos/Divulgação

Dirigido e encenado pelo ator Aramis Trindade desde 2012, o espetáculo ganhou versão digital. Romeu e Julieta, Cordel de Ariano Suassuna mistura teatro, música e literatura, contando, é claro, a mais trágica das histórias de amor pela visão do escritor e dramaturgo pernambucano. No primeiro ato, Aramis dá vida e emoção ao poema de 98 sextilhas acompanhado pela música armorial. Já na segunda parte da peça, o ator interpreta o próprio Ariano, numa miniaula-espetáculo, com dinamismo e humor. Neste fim de semana, as sessões serão exibidas diretamente da casa do artista. Já nos dias 27 e 28 de março, haverá transmissões da Lona Cultural Marielle Franco, em Maricá e no Teatro Café Pequeno, no Leblon, gravadas em 360 graus. Toda a temporada será transmitida através do perfil do Instagram @aramistrindadeator, sempre às 21h.

Sábado e domingo, 21h. Grátis. Pelo Instagram – aramistrindadeator. Até 28 de março.

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Mãe-de-Ninguém.

Joana Lerner caída numa escada, com brinquedos espalhados ao redor
Mãe-de-Ninguém: Joana Lerner expõe os dilemas da maternidade e o tabu sobre mulheres que se arrependem de ter tido filhos Divulgação/Divulgação

O monólogo estrelado por Joana Lerner é a terceira montagem das Yonis Magníficas, grupo que se debruça sobre questões do feminismo. A inspiração para a criação do espetáculo on-line é o polêmico livro Mães Arrependidas, da socióloga israelense Orna Donath – presença já confirmada na estreia para debate após a peça. O livro reúne entrevistas realizadas com mulheres israelenses de diversas idades que se arrependeram de ter tido filhos. A autora, portanto, não se limita apenas a lançar um olhar para esse sentimento, mas também faz uma reflexão sobre o comportamento social coletivo que pressiona a mulher a ser mãe. A direção artística é de Joana Lerner, Pâmela Côto e Rafaela AmoDeo. Todas as apresentações são seguidas de bate-papo com os espectadores.

Sábados e domingos, 11h. Segundas, Terça (23) e Sexta (26), 20h. R$ 10,00. Acesso pela Sympla. Até 29 de março.

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Cuidado Quando For Falar de Mim.

Covidado pela ONG Grupo Pela Vidda a ministrar oficinas teatrais, o diretor Ricardo Santos percebeu o quanto era urgente falar do HIV, seus impactos na vida da população, os avanços da medicina e os estigmas de uma doença social. Ao longo de dois anos de pesquisa, o artista entrevistou transexuais, homens e mulheres cisgênero, lésbicas, gays, e idosos que convivem com o vírus. A dramaturgia da peça foi construída a partir desses depoimentos. “As trajetórias dos personagens têm em comum o atravessamento pelo HIV, não o vírus. Não pretendemos trazer na essência da montagem o olhar da vitimização, tampouco o lugar de inferiorização”, salienta o diretor.

Terça (23) a quinta (25), 21h. A partir de R$ 10,00 (o espectador escolhe o quanto quer pagar). Acesso pela Sympla.

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Sinhá Não Dome.

Cena da peça, com duas mulheres deitadas em camas, em conversas no Zoom
Sinhá Não Dorme: lesbofobia e racismo são analisados no espetáculo on-line Divulgação/Divulgação

Debatendo temas como lesbofobia e o confinamento estrutural da mulher negra, a peça reúne, pelo Zoom, as atrizes Glória Diniz e Roberta Valente. O texto é de Tatiana Nascimento e a direção é de Isabel Penoni. Misturando elementos do cinema e do teatro on-line, a montagem é um thriller eletrizante ambientado num quarto onde duas mulheres negras, ex-namoradas, discutem a relação enquanto uma delas procura esconder da outra um assombroso mistério. “Este texto é muito potente, porque fala da relação entre duas mulheres negras e delas com o mundo. Ao começar a estudar, a personagem que já nasceu na condição de empregada doméstica e considerada ‘da família’ percebe que sempre foi abusada e humilhada, confinada a um quarto de empregada. Desde os tempos coloniais, por maiores que fossem as casas, a mulher negra sempre foi colocada num lugar minúsculo, sem janela, onde mal cabia uma cama”, analisa Roberta.

Sexta, sábado e domingo, 20h. Grátis. Acesso pela Sympla. Até 11 de abril.

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