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Marcelo Copello: “O consumo de vinhos no Brasil só cresce”

O jornalista e especialista em vinhos participou da série Colunistas Ao Vivo e falou sobre o aumento de consumo da bebida durante a pandemia

Por Bruna Motta - Atualizado em 6 ago 2020, 12h57 - Publicado em 5 ago 2020, 21h30

Jornalista e especialista em vinhos, área sobre a qual se debruça há três décadas, Marcelo Copello, autor do Vinoteca, foi o convidado da série Colunistas ao Vivo desta quarta (5). Durante o bate-papo, realizado no perfil do Instagram de VEJA Rio, ele falou sobre o aumento do consumo de vinho durante a quarentena e também deu diferentes dicas sobre o assunto.

No fim da conversa, Copello indicou um livro que considera ser o melhor já escrito acerca da bebida de Baco. A seguir, alguns destaques da conversa:

Aumento

“Existem várias estatísticas com números de consumo durante a pandemia. Importado, nacional, seco, doce, todos os tipos aumentaram. Vinho é uma coisa de família, não é bebida de balada. É melhor para consumir em casa. Ele anda também ajudando no convívio a distância”.

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Hora do Brasil

“Com o dólar alto, o que está acontecendo é a busca por vinhos mais baratos. Neste cenário, o vinho nacional cresceu mais que o importado. Aumentou bastante o consumo. Ele ainda é considerado caro, mas tem muitos fatores que contribuem para o preço. Temos vinícolas pequenas, nossos impostos são altos. É mais barato comprar um vinho argentino ou chileno. Mas temos boas produções em quase todas as áreas do Brasil hoje”.

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Churrasco com vinho

“Acredite, churrasco e pizza combinam muito mais com vinho. Eu gosto de cerveja, mas é uma bebida um pouco pesada, não é digestiva. Para o churrasco, o ideal é o vinho que vai ajudar a digerir e também combine com o sal da carne. No caso da pizza há vários sabores, então depende da cobertura. Vinho branco desce muito bem. O tinto, se tiver um molho de tomate, pode cair bem, porém escolha um mais leve”.

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Vinho para cozinhar

“O vinho errado é o vinho ruim. Jamais cozinhe com um vinho que você não beberia. Use a sobra de algum que já bebeu ou um vinho barato. Não use vinho de garrafão”.

Açúcar

“Vinho sempre tem algum açúcar. Um grama, dois gramas num litro. Zero mesmo que é raro. Existem uns com mais ou menos. Há vários níveis conforme a intenção de quem produziu. A maioria dos que a gente toma tem abaixo de 4 gramas de açúcar. Vinho seco, falamos com 2 a 3 gramas de açúcar. Preste sempre atenção ao rótulo”.

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Taça

“Sou democrático, o vinho é seu, beba do jeito que quiser. Mas é verdade que uma boa taça ajuda na degustação do vinho. É um instrumento. É importante que seja larga na base e vá fechando. Também é bom não encher muito a taça, ter espaço de ar. Num copo reto, você não sente aroma”.

Dica

“Quando você abre uma garrafa e sabe que não vai tomá-la toda é bom ter garrafas de vidro menores (meia-garrafa de cerca de 330 ml, ou tipo Baby Chandon) para guardar o restante. Tem que encher até a boca para não entrar ar. Dessa forma, o líquido dura até três semanas sem estragar.”

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Tempo na geladeira

“Se sobrar, deixe a garrafa em pé, porque vai haver uma superfície menor do vinho com o ar. E também num lugar fresco. Geladeira é complicado, balança. Quando você abre uma garrafa de vinho entra oxigênio, instantaneamente vai começar a transformação lenta do vinho em vinagre”.

Adega

“Varia muito com o tempo em que você deseja guardar a garrafa. Se você vai beber o vinho daqui 5, 10 anos, é melhor que você o guarde numa adega. Não tem a ver com a quantidade que você consome, mas com o tempo que você vai levar para consumi-lo. Sem dúvida, adega tem as condições ideais para acomodar um vinho de guarda”.

Vinho orgânico

“O vinho é um produto natural. Por mais que exista uma produção de vinho mais massiva não é industrial. Não se fabrica vinho, a gente diz que se produz. Todo vinho é próximo da natureza. Vinhos orgânicos são vinhos feitos com uvas plantadas com menos química. Vinho natural é utilizar o mínimo ou nenhum conservante no engarrafamento do vinho. Já o biodinâmico é o vinho que pratica um pouco de tudo isso, mas tem uma série de regras para a sua produção. É uma produção agrícola, respeita as fases da lua, não usam químicos”.

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Vinho vegano

“São vinhos que não utilizam produtos de origem animal. No caso da clarificação, em que se tira as impurezas com clara de ovo, por exemplo, uma prática comum na produção de vinho. Isso não pode neste caso. Outro uso de origem animal, aqui proibido, seria o vinho vedado com cera de abelha”.

Vinhos caros

“Há trinta anos, eu estou neste mercado e o consumo de vinhos no Brasil só cresce, mesmo em épocas de crise, como a de 2014. Pode cair o valor do vinho, mas não a litragem e o volume. Vinhos mais baratos tendem a ser mais consumidos e os mais caros, de luxo, de mais de 1000 reais também. Nesta crise sofrem mais os vinhos de valores medianos, na faixa de 100, 200, 300 reais”.

Talk Wine

“Lancei uma startup. É a primeira plataforma de degustações virtuais em larga escala do país. A ideia é ir além da democratização, tudo num só clique”.

Livro – Vinho & Guerra: Os franceses, os nazistas e a batalha pelo maior tesouro da França /

Petie Kladstrup, Donald Kladstrup

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O colunista Marcelo Copello,l (@marcelocopello) especialista em vinhos, falou sobre o mercado brasileiro, as tendências do pós-pandemia, as melhores formas de armazenar o vinho e deu dicas para quem quer começar a explorar diferentes sabores. Confira!

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