Bartenders do Rio conquistam concursos com técnica e criatividade
Michell Agues foi finalista do World Class, Cassiano Melo ganhou a Campari Bartender Competition latina e Gean Carlos venceu a Monin Cup nacional
O carioca tem o molho — e anda acertando a mão também nas misturas feitas em cima dos balcões dos bares. Em 2026, três dos principais concursos de coquetelaria do país terminaram com um brinde ao Rio. No World Class, da Diageo, que põe à prova técnica, criatividade e velocidade, o campeão brasileiro foi Michell Agues, sócio-fundador da escola Bar Skull, no Centro. Cassiano Melo, do Spirit Copa Bar, no hotel Fairmont, levou a etapa nacional da Campari Bartender Competition e repetiu a dose na final latino-americana. Batizado de cíclico, o drinque deu sotaque brasileiro ao negroni com cambuci, fruta nativa da Mata Atlântica, e cachaça em barril de amburana. Já Gean Carlos, do Suru Bar, na Lapa, venceu a Monin Cup nacional, para profissionais de até 27 anos, com o drinque mais 180: milho em diferentes preparos e nenhuma gota de álcool. “Temos inventividade e uma maneira muito própria de receber e conectar pessoas. Acho que essa combinação contribui para criar bebidas com personalidade e histórias para contar”, avalia Melo, do Spirit Bar.
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Os troféus reconhecem o trabalho de três profissionais, mas também ajudam a iluminar o que vem sendo preparado nos balcões da cidade: uma coquetelaria que domina as técnicas internacionais e encontra assunto de sobra no próprio quintal. Antes das láureas, houve uma boa mexida no copo. A partir dos anos 2000, com força crescente na década seguinte, as misturas açucaradas das boates passaram a dividir a atenção com clássicos bem-executados e receitas autorais em casas especializadas. Profissionais como Alex Mesquita, Lelo Forti e Walter Garin ajudaram a apurar a técnica e o paladar do público.
Os campeonatos acrescentaram pressão a essa receita: além de equilibrar sabores, é preciso estudar regulamentos, desenvolver conceitos e defender escolhas diante dos jurados. Na decisão brasileira do World Class, Agues teve de criar uma bebida para harmonizar com uma paleta de cordeiro guarnecida de risoto de açafrão e executar cinco coquetéis em até cinco minutos. Na Monin Cup, organização, destreza e precisão contam pontos, assim como aroma, sabor e apresentação.
Se o cronômetro exige treino, o copo pede repertório. “Eu uso muito os ritmos nacionais nas minhas apresentações”, conta o fundador da Bar Skull, que já combinou uísque, jaca e graviola numa receita embalada pelo funk Rap da Felicidade, de Cidinho e Doca. Gean Carlos também sorve inspirações na esquina em que bebida e cultura se encontram: “gosto de pegar algo que faz parte da nossa memória afetiva e trabalhar isso no drinque, sem perder a essência do ingrediente.”
O próximo pedido vem em outro idioma. Classificado para a final mundial da Monin Cup, em 8 e 9 de dezembro, em Paris, o bartender do Suru divide os treinos entre os ajustes da receita e a apresentação em inglês. “Quero transmitir minha ideia com clareza e confiança”, afirma.
E a disputa em terra estrangeira abre portas que o trabalho cotidiano nem sempre permite atravessar. “Talento a gente tem de sobra, mas nem todo bartender consegue ter acesso a viagens, intercâmbios e experiências internacionais, então os concursos ganham mais importância”, observa.
Do palco ao balcão, porém, a receita pode precisar de ajustes. Ingredientes raros impressionam os jurados, mas nem sempre cabem no preço da carta ou no ritmo de uma noite cheia. “No mundial, usei um café que a saca chega a cinco dígitos e um vinho de Valência que só tem lá”, relata Agues, que ficou entre os doze finalistas, feito inédito para um brasileiro.
Para atender o freguês, custo, disponibilidade e tempo de preparo também entram na conta. “É preciso adaptar, mas eu busco deixar o sabor idêntico”, ressalta. É o que promete Agues para novembro no Moringa, seu novo bar, prestes a abrir na Lapa, onde as criações do World Class ganharão versões entre 35 e 45 reais. “Acho que o que mais falta é o carioca valorizar o carioca”, provoca.
A próxima conquista pode começar por aí: fazer o público brindar em casa ao talento que já chama atenção lá fora. Se depender do repertório, a próxima rodada promete.
A arte de misturar
Escolas e cursos para se iniciar no mundo dos drinques
BAR SKULL. Do campeão Michell Agues, a escola oferece formação de bartender com 35 horas de aulas teóricas e práticas, em formato híbrido. Técnicas, destilados, hospitalidade e sustentabilidade fazem parte do programa. Há também uma modalidade para quem quer preparar drinques clássicos em casa. Praça Tiradentes, 9, sala 911, Centro. @bar.skull.
ESCOLA DO ENTRETENIMENTO. A parceria oferece cursos profissionalizantes presenciais, intensivos com reforço on-line e opções para amadores. Há especializações em mixologia, gestão de bar e flair — técnicas de manipulação de garrafas e utensílios. Rua Riachuelo, 20, Lapa. @escoladoentretenimento.
BLUE BLAZER.
Misto de escola e bar, o espaço comandado por Lelo Forti tem aulas presenciais sobre fundamentos da mixologia, técnicas de preparo, apresentação e atendimento, além de gestão, compras e insumos. Rua Álvaro Ramos, 11, sobreloja, Botafogo. @blueblazeroficial.
SINDRIO. A formação presencial de vinte horas, no Centro, ensina a organizar a estação de trabalho, executar clássicos e padronizar receitas. Atendimento e agilidade em momentos de casa cheia também entram nas lições. Praça Olavo Bilac, 28, 17º andar, Centro. @sindrio_oficial.
SENAC RJ. O catálogo inclui o curso Preparo e Serviço de Coquetéis, voltado à capacitação na área de bebidas. Unidades, datas e disponibilidade de turmas devem ser consultadas diretamente com no site da instituição. @senac_rj.






