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Os desafios da ascendente moda sustentável

Especialistas e executivas da área apontam caminhos para consolidar práticas ambientais

Por *Larissa Amaral, Luisa Reis, Maria Clara Baroni, Ursula Villela Atualizado em 16 dez 2020, 10h58 - Publicado em 16 dez 2020, 10h56

A pandemia tem mudado hábitos de consumo e ressaltado nossas interferências – negativas e positivas – sobre a natureza. A luta mundial contra o inimigo invisível reforça a importância de práticas sustentáveis, que preservem a vida coletiva e o meio ambiente. São adotadas de forma crescente por consumidores e empresas, até associar imagens corporativas à responsabilidade social, cada vez mais influente nas decisões de compra. Ainda assim, a consolidação de uma cultura ambiental enfrenta desafios como ampliar os processos sustentáveis na indústria da moda, a segunda mais poluente (atrás só da petrolífera), responsável por 8% dos gases do efeito estufa. Dos 175 mil resíduos têxteis gerados no Brasil por ano, só 20% são reciclados por ano. Para o consultor de marketing e escritor André Carvalhal, autor de livros como Moda com propósito: manifesto para a grande virada, a solução passa pela corresponsabilidade: “A escolha pela moda sustentável, comprometida com o menor impacto ambiental, deve partir do consumidor, optando por marcas e lojas com maior responsabilidade socioambiental, cobrando essa iniciativa das marcas”.

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Carvalhal acrescenta que a transformação não parte só de processos industriais mais sustentáveis. Deve envolver uma coordenação de esforços educativos, empregados também pelas marcas, para conscientizar os consumidores sobre a importância de escolhas que afetem menos o planeta. A propagação do consumo consciente mudaria os padrões de produção das grandes lojas de departamento e fast fashion. Uma mudança que passa pela sedimentação do conceito, um tanto abrangente, de moda sustentável.

“Esse conceito está relacionado à produção que considera nossos impactos no meio ambiente e na sociedade, para que possam se sustentar ao longo do tempo. Está associado a práticas que buscam o menor impacto ambiental”, sintetiza o especialista.

Consolidar tais práticas exige, entre outros avanços, um conhecimento melhor dos processos sustentáveis tanto pelo mercado, pelas empresas, quanto pelos consumidores. Ao encontro desta conjunta responsabilidade, como ressalta Carvalhal, já caminham empreendedores de diversos setores. É o caso da empresária Rachel Garcia, dona da loja Side B. Ela associa sustentabilidade à qualificação dos produtos. “Para minimizar os impactos ambientais, são necessários produtos de qualidade, com grande durabilidade, que geram menos descarte e estimulam um consumo mais consciente “, afirma.

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Rachel conta que recentemente reforçou a responsabilidade ambiental ao lançar uma linha eco-friendly, ou seja, mais favorável ao meio ambiente. Iniciativas assim esbarram muitas vezes, observa a empresária, numa dificuldade em encontrar materiais ecológicos e ao mesmo tempo acessíveis, com um “valor razoável”. Ela reconhece, no entanto, que as grandes empresas têxteis têm investido mais em tecidos deste tipo.

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 A busca de alternativas ecológicas se torna constante em confecções como a Farm, uma das pioneiras em moda sustentável no Brasil. Desde 2016 a empresa desenvolve ou agrega inovações do gênero. A mais recente é a coleção carbono neutro, lançada em agosto deste ano. Feita em parceria com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) soma-se aos esforços para neutralizar a emissão de carbono por meio da plantação de árvores e, consequentemente, reduzir o desequilíbrio do efeito estufa.

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A executiva de Marketing da Farm, Taciana Abreu, ressalta também o papel estratégico da comunicação para engajar o público à moda sustentável. Ela percebe consumidoras “cada vez mais consciente de suas escolhas e do poder político do consumo” para construir um mundo mais harmônico e viável. “As consumidoras buscam marcas com valores de sustentabilidade, alinhados aos delas – observa – O velho jeito não serve mais. Precisamos de novas formas (de produção e consumo). Se todo mundo pensar um pouco sobre isso, a gente muda o mundo, a gente chega a um lugar muito melhor. Então, pesquise, estude, aprenda, se abra para esse mundo novo, na moda ou fora da moda”, conclama Taciana.

A influenciadora digital e ativista ambiental Hana Khalil propõe que os ideais de sustentabilidade devem ser ensinados “desde cedo, explicando os recursos da Terra e seus limites”. Ela também destaca, como Carvalhal, a importância de ações educativas conjuntas desde a infância. “Entender desde criança os valores e os efeitos positivos das práticas sustentáveis foi essencial para eu me tornar uma pessoa engajada. Isso se reflete no meu papel social. Quando se é influencer, você não divulga só produtos e marcas, mas também sua ideologia. Os meus seguidores são sempre provocados por mim para rever suas atitudes e seus modos de consumo”, disse.

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Hana enfatiza cinco traços e efeitos positivos da moda sustentável: redução do lixo; propagação de práticas e valores ambientais para outros segmentos do mercado; valorização de processos sustentáveis na cadeia produtiva, inclusive relacionados à mão de obra; consolidação de uma cultura do reaproveitamento, da reciclagem, essencial para preservar o meio ambiente.

 

*Por Larissa Amaral, Luisa Reis, Maria Clara Baroni, Ursula Villela, alunas de Comunicação Social – Jornalismo da PUC-RJ

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