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Helen Pomposelli

Por Helen Pomposelli, jornalista, terapeuta integrativa sistêmica e criadora do Per Vivere Bene Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Bem-estar

ArteVida: Conversa exclusiva com Anna Costa e Silva

Artista ministra oficina Práticas Artísticas de Vida com foco na presença

Por helen_pomposelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 jul 2026, 14h13 | Atualizado em 1 jul 2026, 14h20
Mulher de pele clara, cabelos escuros e volumosos, com franja, usando batom vermelho e blazer xadrez azul, verde e amarelo, sobre uma blusa preta, sentada em uma cadeira escura, com fundo branco
"Práticas Artísticas de Vida" da artista Anna Costa e Silva, um laboratório vivencial que explora relações entre arte e vida, com ênfase no desenvolvimento de projetos e do olhar de cada participante.  (Divulgação/Divulgação)
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Faz alguns meses que eu me dei de presente passar algumas horas das quintas da semana escutando e discutindo arte, melhor dizendo vivendo a arte em outros estados que não sejam apenas o de pensar em exposições. Faço parte da turma “Práticas Artísticas de Vida” da artista Anna Costa e Silva, um laboratório vivencial que explora relações entre arte e vida, com ênfase no desenvolvimento de projetos e do olhar de cada participante. 

Para mim, um espaço de autoconhecimento de como manter um estado de atenção e abertura para aquilo que nos atravessa. O objetivo principal de Anna é usar a criação e expressão artística como ferramentas para organizar suas emoções, relaxar a mente e repensar o seu dia a dia. Dividida entre o acompanhamento dos projetos e a apresentação de conteúdo artístico relacionado ao tema artevida, a oficina não fica apenas dentro da aula mas ultrapassa as experiências com exercícios e pesquisas, e o resultado será visto no dia 15 de agosto em exposição na Casa Comadre, no Humaitá. 

“Eu fico pensando nessa artevida, trazer para esse lugar da presença e do descondicionamento, o estado de não conseguir mais colocar o pensamento numa linha” ( Anna Costa e Silva )

“Gosto de explorar esse estado de presença. E realizando o que eu faço e com o tipo de exploração que eu tenho na arte que é uma exploração da vida, é impossível dissociar. Não tem como fazer as experiências de relação e de escuta se primeiramente eu não estivesse fazendo isso na minha própria vida”, explica a artista que inventa esse tipo de proposição para explorar o mundo, como conversar antes de dormir, escutar sonhos dentro de um ambiente corporativo e passar um ano dentro da secretaria de cultura explorando imagens e gestos a partir da história de vida do que está vivo que os trabalhadores estão sentindo. “Onde todas essas proposições fazem parte tanto no campo da arte como no campo da vida”.

“Eu não poderia propor para as outras pessoas se eu não experimentasse todos os dias”.

Mulher sorridente, com maquiagem colorida no rosto e cabelo curto, dança balé em ponta no centro de um escritório. Ela veste um tutu volumoso de tule em camadas brancas, laranjas e azuis, com um top preto. Mesas de madeira com monitores e papéis desorganizados preenchem o fundo. Um homem trabalha em uma das mesas à direita
No trabalho de arte, Anna sempre foi muito curiosa de entender como as pessoas existem, o que tem dentro da gente e o que pode existir a partir de um encontro sobre a forma de viver, então toda a minha prática é baseada nesses processos de escuta e na criação de presença entre duas ou mais pessoas. (Divulgação/Divulgação)
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Anna explica que as oficinas surgiram muito com o desejo de transbordamento dos seus objetos de pesquisa e das suas obras, que englobam uma ética de vida, pelos processos de escuta e  uma vontade de dividir e de propor que outras pessoas criem seus processos a partir daí, podendo gerar fagulhas para as pessoas criarem seus próprios trabalhos e suas próprias éticas de arte e de vida. “É justamente a forma que me relaciono, na prática de atelier que eu tenho, nas primeiras práticas de encantamento que eu crio para mim mesma porque eu acho que tenho que cultivar esse estado e também passo para as oficinas”. 

“Práticas Artísticas de Vida”  tem duração de três meses e oferece dinâmicas de presença, de contemplação e de encantamento, assim como muitas coisas relacionadas a curiosidade, como é o exercício número um, que é você passar três horas indo a um lugar que você não costuma ir sem finalidade nenhuma, e dedicar apenas a observar, se encantar por aquilo , ser atravessado por alguma coisa, dar ferramentas para o acaso é estar ali aberto num estado de presença e de conexão.“ Dedicar um tempo para abrir espaço e para estar presente em algum lugar. Parece muito simples mas coisas extraordinárias acontecem.”. diz Anna.

No trabalho de arte, Anna sempre foi muito curiosa de entender como as pessoas existem, o que tem dentro da gente e o que pode existir a partir de um encontro sobre a forma de viver, então toda a minha prática é baseada nesses processos de escuta e na criação de presença entre duas ou mais pessoas. Entre esses dispositivos estão, por exemplo, quando a artista dorme em casa de pessoas para ter conversas logo antes de dormir, durante o limiar entre o acordar e o dormindo. Neste trabalho, Anna grava as conversas e elas se tornam instalações sonoras, onde as pessoas podem dormir juntas nesse espaço expositivo numa edição de som.  

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“ Acho intrigante a vida de cada um. Outro trabalho que realizei foi de um anúncio que eu coloquei no jornal para oferecer companhia para pessoas em qualquer atividade, e eu passei 21 dias acompanhando. A partir dessa escuta criei uma instalação com monóculos com fragmentos de histórias e pensamentos que as pessoas contaram”, diz Anna que em 2023, realizou a exposição Tamagotchi_Balé no Centro Cultural Hélio Oiticica, uma instalação com a lógica do sonho em relação a tecnologia e o amor.

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“ Acho intrigante a vida de cada um. Outro trabalho que realizei foi de um anúncio que eu coloquei no jornal para oferecer companhia para pessoas em qualquer atividade, e eu passei 21 dias acompanhando. A partir dessa escuta criei uma instalação com monóculos com fragmentos de histórias e pensamentos que as pessoas contaram” (Divulgação/Divulgação)

Hoje, além de estar fazendo uma intervenção urbana na Marina da Glória na ArtRio que é “para onde vão os nossos silêncio”, a artista está envolvida no trabalho chamado “ Por favor leiam para que eu descanse em paz, em parceria com a Nanda Felix, que começou com o falecimento de sua avó que deixou um envelope com a frase escrita com um laudo psiquiátrico quando ela foi internada com depressão pós parto, além de dezesseis anos de correspondência com um padre, como uma sessão de terapia. “A idéia é levar às últimas consequências o pedido dela e fazendo uma chamada aberta para mulheres falarem sobre processos de silenciamento e de terem sido chamadas de loucas, a partir da história da avó dela, uma série de escuta com mulheres que trabalharam nas sessões de terapia e relatam internações”, explica Anna.

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Fica a dica, pois tem nova turma formando em agosto!

Beijos,

Helen

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