Por que o esporte é tão benéfico às pessoas com deficiência
Estimulada por iniciativas como a Corrida Olga Kos, prática esportiva melhora a saúde, a autoestima, a inclusão, ressalta especialista

Fiador da saúde física e mental, o esporte oxigena a vida de pessoas com deficiência mundo afora. Melhora a condição muscular e cardiorrespiratória, a autoestima, a sociabilidade. Assim atestam participantes da Corrida e Caminhada pela Inclusão Olga Kos, domingo agora (6), no Aterro.
“A prática esportiva traz diversos benefícios à saúde. A palavra-chave, quando se fala em pessoas com deficiência, é inclusão”, ressalta o coordenador da pós em Medicina do Exercício e do Esporte da Afya Educação Médica, Selênio Campos Filho. Médico da Confederação de Vôlei, ele detalha a força inclusiva da atividade esportiva.
Quais os benefícios do esporte para pessoas com deficiência?
Praticar esportes traz benefícios físicos, psicológicos, sociais. Melhora o condicionamento físico, a disposição, a força, a coordenação motora, além da prevenção de diversas comorbidades. A palavra-chave, quando se fala em pessoas com deficiência, é inclusão. Ela gera benefícios como redução da ansiedade, aumento da autoestima e sensação de pertencimento. Também é uma oportunidade de interação social e quebra de estigmas.
Ganhos de autonomia e bem-estar são os mais representativos?
Difícil dizer o mais representativo. Autonomia e bem-estar estão entre os principais deles. Ganhos de força e de condicionamento motor e cardiorrespiratório favorecem significativamente a autonomia. A inclusão e a descarga hormonal relacionada ao prazer e à autoestima trazem bem-estar mental.
Como estimular e democratizar a prática esportiva entre PCDs?
A divulgação por meio de eventos esportivos é importante para o estímulo inicial à atividade física e para construir mudanças significativas. A Paralimpíada, por exemplo, cria estímulos para democratizar a prática esportiva, como infraestrutura adequada aos PCDs (adaptações de pistas, piscinas, espaços de locomoção), capacitação profissional e acesso à informação, de forma a quebrar barreiras e enxergar a necessidade de inclusão.
Qual a importância de iniciativas como a Corrida e Caminhada Olga Kos para impulsionar a inclusão por meio do esporte?
Inclusão, como eu disse, é a palavra-chave. Competições como a Olga Kos, que divulgam e incluem PCDs, sejam atletas amadores ou profissionais, propiciam mudanças importantes, estimulam a prática esportiva e a sensação de pertencimento.
De que forma a vocação esportiva do Rio contribui neste sentido?
Rio de Janeiro é uma cidade que respira esporte, nas praias e nas praças. Seria um absurdo não ter eventos esportivos que incluíssem PCDs, como a Corrida Olga Kos. Além disso, a cidade é mundialmente famosa. Esse cartão-postal se torna um meio de divulgação extremamente importante.
A prática esportiva precisa ser mais agregada às políticas de Saúde?
Sem dúvida, até para cultivar a sensação de pertencimento à sociedade. Pessoas com deficiência têm de levar uma vida normal. Sem uma infraestrutura adequada para facilitar ou viabilizar a prática esportiva dessas pessoas, fica muito difícil promover a inclusão. Por isso precisamos de políticas públicas que contemplem a organização de uma infraestrutura adequada e a formação de profissionais para melhor auxílio e prescrição de treinamentos.
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Médicos em Movimento
O patrocínio à Corrida Olga Kos inaugura a campanha Médicos em Movimento, da Afya, para incentivar profissionais de saúde a adotarem hábitos mais saudáveis. Quase 60% dos médicos no Brasil não praticam atividade física, revela um estudo da empresa.
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Desafios paralímpicos
Inclusão também impulsiona a Cátedra Guido Schaffer de Esporte, Fé e Cultura. Lançada pela PUC-Rio no fim do ano passado, agrega saberes, experiências e reflexões em torno do potencial esportivo para transformar vidas.
Do mesmo espírito parte o debate organizado pela Comissão de Direito Desportivo da OAB-RJ na próxima segunda (7), Dia Mundial da Saúde. O secretário municipal de Esportes, Guilherme Schieder, a vice-prefeita de Niterói, Isabel Swan, e os presidentes do Comitê Brasileiro de Clubes, Paulo Maciel, e de Clubes Paralímpicos, João Batista Carvalho e Silva, discutem desafios e oportunidades do Pan e do Parapan 2031, a partir das 10h, no Plenário Evandro Lins e Silva (Av. Marechal Câmara 150, quarto andar, Centro).
Aberto ao público, o painel incorpora-se à posse da Comissão, presidida por Pedro Tengrouse. Ex-consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o advogado e professor é um dos membros da Cátedra Guido Schäffer.
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Alexandre Carauta é jornalista e professor da PUC-Rio, integrante do corpo docente da pós em Direito Desportivo da PUC-Rio. Doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, pós-graduado em Administração Esportiva, formado também em Educação Física. Organizador do livro “Comunicação estratégica no esporte”.