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“Se melhorar a vida de uma criança, já vai valer a pena”, diz Carol Solberg

A atleta está à frente do Instituto Levante, que oferece aulas gratuitas de vôlei de praia às terças e quintas na altura do Posto 11, em Ipanema

Por Da Redação Atualizado em 19 nov 2021, 10h15 - Publicado em 19 nov 2021, 08h00

Tocar um projeto social voltado para o esporte era um sonho que Carol Solberg cultivava havia tempos. Criada na praia, sempre acompanhando a mãe, a ex-jogadora Isabel Salgado, nos treinos, sentia-se incomodada com a visível desigualdade nas areias do Rio.

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“Parece um local muito democrático, mas as crianças e os adolescentes das favelas não têm o mesmo tratamento”, frisa a atleta do vôlei de praia. “Às vezes, só no caminho, levam três duras de policiais.”

Os planos para dar início à sua ONG, que acabavam adiados pelo medo de não conseguir conciliar o trabalho voluntário com a intensa rotina de viagens para os campeonatos, tiveram, enfim, início no fim de 2019.

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Ali, Carol percebeu que não precisava esperar o momento certo e só aprenderia mesmo colocando a mão na massa.

“É como a maternidade, ninguém está totalmente preparado. Você aprende dando o seu melhor quando o bebê chega”, compara ela, hoje com 34 anos e mãe de José, 9, e Salvador, 5.

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Depois de incansável pesquisa e da convocação de uma forte rede de contatos, surgiu o Instituto Levante, que oferece aulas gratuitas de vôlei às terças e quintas na altura do Posto 11, em Ipanema, próximo à rede em que treina com sua dupla, a medalhista olímpica Bárbara Seixas.

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“O telefone toca e as pessoas já devem imaginar que sou eu pedindo alguma coisa, mas, se conseguirmos melhorar a vida de uma só criança, já vai ter valido a pena”

Levante é, além de uma referência à jogada clássica do vôlei, o nome de um vento regional capaz de mudar inteiramente a paisagem, esta a missão que a vencedora do torneio Superpraia 2021 enxerga no projeto — transformar.

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“Mais do que ensinar uma atividade, quero oferecer um espaço de acolhimento”, resume, já com cinquenta alunos inscritos e mais vinte em lista de espera, a maioria de comunidades próximas, como a Cruzada São Sebastião e o Vidigal.

A ideia é proporcionar experiências vividas por ela desde quando começou sua trajetória, aos 9 anos, na escolinha da mãe, mas também presentear a cidade com um lugar de troca e conversa.

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Tudo é observado bem de perto por Carol: no início, ela mesma preparava um a um os sanduíches para a criançada. A equipe, por ora enxuta, conta com professores e uma psicóloga, porém o projeto é crescer à medida que houver mais apoio.

“O telefone toca e as pessoas devem imaginar que sou eu pedindo alguma coisa, mas, se conseguirmos melhorar a vida de uma só criança, já vai ter valido a pena”, conclui a craque, já vitoriosa.

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