BEBIDA

A inflação do vinho

O preço de uma mesma garrafa pode variar em mais de 50 reais de um restaurante para o outro

Por: Carla Knoplech - Atualizado em

Fernando Lemos
(Foto: Redação Veja rio)

Quem gosta de vinho sabe que bebê-lo em restaurante não é um hábito barato. Mas o prazer de experimentar uma boa safra ao lado de pratos preparados por um chef, e em companhia de bons amigos, pode justificar a diferença de preço que é paga em relação à mesma garrafa comprada em um supermercado e desarrolhada em casa. Além disso, os estabelecimentos costumam tratar muito bem seus estoques, em depósitos climatizados, e oferecem auxílio profissional para ajudar na escolha do rótulo que mais combina com a refeição. A questão é que nem sempre os mimos, a qualidade do serviço e os impostos explicam o alto custo da bebida nas cartas da cidade. A sensação, inevitável, é que hoje se desembolsa demais para usufruir tal deleite. "Algumas casas permanecem com uma margem muito elevada, mas há uma tendência de reduzir as discrepâncias, até porque o consumidor está mais bem informado", diz Ricardo Farias, presidente da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio de Janeiro.

Nas últimas três semanas, VEJA RIO pesquisou e comparou os preços de dezessete vinhos indicados por sommeliers em vinte estabelecimentos conhecidos por suas boas adegas. Considerando a diversidade de safras e as peculiaridades dos restaurantes, chegou-se a uma seleção final com cinco rótulos em treze casas (veja o quadro abaixo). Também foi checado o valor de cada garrafa nas importadoras - Grand Cru, Mistral, Vinci e Winebrands, todas com venda direta ao consumidor. No levantamento, o vinho que apresentou a maior variação porcentual, o italiano Bera Dolcetto d?Alba, registrou uma oscilação de 67% entre o preço mais baixo e o mais alto. No Artigiano, em Ipanema, ele sai por 74,60 reais, enquanto no Mr. Lam, na Lagoa, custa 125. Uma majoração de 50,40 reais, quantia significativa quando se leva em conta que na importadora Vinci o produto é vendido por 43,24 reais.

*?Cálculo baseado em um vinho de 15 reais
(Foto: Redação Veja rio)

As maiores variações em números absolutos foram observadas em relação ao chileno Montes Alpha Cabernet Sauvignon (diferença de 52 reais entre o Olympe e o Fogo de Chão) e ao italiano Palaz­zo della Torre 2007 (51 reais, comparando-se os preços do Lorenzo Bistrot e do La Fiducia, em Copacabana). "Cada lugar fixa o valor de acordo com seus próprios critérios", explica a sommelière Cecília Aldaz, do restaurante Oro, no Jardim Botânico. "É bom lembrar que é uma conta em que entram detalhes como quantidade de garrafas, tamanho da adega, serviço dos garçons e apetrechos como copos e decanters de cristal."

Com as temperaturas mais baixas e a chegada de uma ou outra frente fria, o inverno tem estimulado os cariocas a trocar o tradicionalíssimo chope pelos vinhos. Dados do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio) apontam uma expansão de 20% nas vendas em comparação com os primeiros meses do ano ? um aumento concentrado nos tintos. Pois tal hábito, sem dúvida, poderia se disseminar ainda mais se os preços fossem menos inflacionados. Todos lucrariam com isso.

[---FI---]

Confira a lista completa dos rótulos.

Fonte: VEJA RIO