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Papa Francisco envia carta com bênção e solidariedade ao pai de Henry

Na mensagem, datada de 24 de abril, pontifíce elogia a postura da família e pede que Leniel e sua mãe (a avó do menino) não se deixem contaminar pelo ódio

Por Cleo Guimarães 18 Maio 2021, 15h16

Leniel Borel, pai de Henry Borel, recebeu uma carta enviada pelo Papa Francisco em solidariedade à morte do menino, de 4 anos. Assinada pelo monsenhor Luigi Roberto Cona, assessor para assuntos gerais da secretaria do Vaticano, a mensagem foi entregue a uma parente de Leniel, em Portugal, depois que ela escreveu ao Papa contando sobre o que aconteceu com a criança.

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Henry morreu em março com várias lesões pelo corpo e hemorragia no fígado. A mãe do menino, Monique Medeiros, e o padrasto, o vereador afastado Dr. Jairinho, foram denunciados por homicídio duplamente qualificado – as investigações mostraram que ele vinha sendo agredido por Jairinho há tempos, com o consentimento da mãe.

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O papa cita na carta “a loucura humana que levou ao massacre do pequenito Henry Borel” e pede a Leniel e à sua mãe, avó do menino, que não se contaminem pelo ódio e se recusem a odiar aqueles que lhes fizeram mal. Ele também elogia a postura da família. “É quase um milagre que uma pessoa ferida, como o senhor Leniel e a senhora Noeme, possa encontrar a coragem de recusar ter ódio e o afastar do seu coração. Mas é um milagre que lhe permite viver em paz e ajudar a salvar o mundo de si mesmo”.

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Veja a íntegra da carta, que ainda traz a bênção do Papa:

Vaticano, 24 de abril de 2021

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Prezada Senhora,

O Santo Padre recebeu a carta, triste e aflita que lhe enviou no dia 14 deste mês de abril, contando nela as horas amargas que vive o povo brasileiro e também a loucura humana que levou ao massacre do pequenito Henry Borel. E, neste momento, seus familiares sentem que precisam de fortalecer a sua fé unindo os seus corações ao coração do Sucessor de Pedro, cuja fé conta com um apoio especial de Jesus (cf. Lc 22, 32) para poder confirmar a fé dos seus irmãos.

Considerando o caso dramático referido na missiva, o Papa Francisco incumbiu-me de assegurar a sua paterna vizinhança e solidariedade ao pai Leniel Borel e à avó Noeme Camargo, confiando-os à proteção da Virgem Maria com os desejos bons que cada um traz no coração: deixem-se reconhecer como amigos de Jesus; a todos chamem amigos e, de todos, sejam amigos. O Santo Padre conta com a senhora Noeme e o senhor Leniel para contrastarem a cultura da indiferença e do ódio que sentem crescer ao seu redor; não se deixem contaminar pelo ódio, transformando-se à sua imagem e semelhança. Sejam do número das pessoas que se recusam a entrar no circuito do ódio, que se recusam a odiar aqueles que lhes fizeram mal, dizendo-lhes: “Não tereis o meu ódio!”

Deste modo ajudarão a parar o mal, como fez Abraão quando pediu a Deus para não exterminar os justos com os culpados (cf. Génesis t8, 23-32). Basta-lhes uma só pessoa boa, para não odiarem todas as pessoas. É quase um milagre que uma pessoa ferida, como o senhor Leniel e a senhora Noeme, possa encontrar a coragem de recusar ter ódio e o afastar do seu coração; mas é um milagre que lhe permite viver em paz e ajudar a salvar o mundo de si mesmo. Propiciadora de luz e assistência do Alto para a senhora Noeme e para o senhor Leniel Borel e quantos vivem ao seu redor, o Papa Francisco concede-lhes a Bênção Apostólica.

Valho-me do ensejo para lhe testemunhar meus sentimentos de fraterna estima em Cristo Senhor.

L. Roberto Cona
Mons. Luigi Roberto Cona
Assessor.

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