Menu degustação: chefs dão dicas para aproveitar melhor a experiência
Chefs que atuam com essa modalidade no Rio de Janeiro alertam para os erros mais comuns e o que deve ser evitado para melhor curtir refeições pelo mundo.
A gastronomia se tornou parte importante de qualquer viagem, seja para conhecer a culinária de um destino, descobrir novos ingredientes ou transformar uma refeição em uma experiência especial. Nesse movimento, cresce a procura por restaurantes que oferecem propostas autorais, casas estreladas e menus degustação, nos quais o trabalho do chef ganha protagonismo e a refeição é construída como um percurso de sabores, técnicas e descobertas. Para entender como aproveitar melhor esse tipo de experiência, os chefs Jimmy McLemann, do Nimbus, Thomas Troisgros, do Oseille, e João Paulo Frankenfeld, da Casa 201, restaurantes baseados no Rio de Janeiro, compartilham orientações práticas para quem pretende se aventurar nesse formato em qualquer restaurante pelo mundo.
No menu degustação, em vez de escolher os pratos individualmente, o cliente percorre uma sequência criada pelo chef, em que ingredientes, técnicas, sabores e texturas são apresentados em diferentes etapas. Boas práticas podem garantir aos comensais melhores experiências.
Para o chef Jimmy McLennan, do Nimbus, em Botafogo, o primeiro passo é conhecer a identidade do restaurante antes de fazer a reserva. “A proposta da casa, o número de etapas e a possibilidade de harmonização ajudam o cliente a entender o que encontrará à mesa e alinhar expectativas. No Nimbus, o menu tem nove pratos e pode durar entre duas horas e meia e três horas”, afirma. O chef também destaca a importância de informar restrições alimentares no momento da reserva. “Dessa forma, a cozinha consegue adaptar a sequência previamente, preservando a experiência. Durante o jantar, caso o cliente precise se ausentar por algum motivo, como ir ao banheiro ou sair para fumar, a recomendação é avisar a equipe para que a cozinha possa aguardar antes de iniciar o próximo prato”, detalha o chef. Para Jimmy, acima de tudo, é preciso relaxar, se acomodar e aproveitar o momento.
No Oseille, em Ipanema, o chef Thomas Troisgros também considera fundamental chegar de cabeça aberta. “Como o menu é pensado como uma sequência, cada etapa estabelece uma relação com a seguinte, criando uma evolução de sabores e preparações. Por isso, restrições ou preferências devem ser comunicadas antecipadamente, principalmente em casos de alergias. Não avisar é o erro mais comum, disparado”, destaca. Segundo o chef, avisar somente na hora pode comprometer uma sequência planejada com antecedência e limitar as possibilidades de adaptação da cozinha. O horário também merece atenção: no Oseille, os convidados são atendidos no mesmo ritmo, e atrasos podem interferir no andamento da experiência de toda a mesa. Antes de reservar, Troisgros recomenda ainda conhecer o estilo da casa. “Você se entrega a uma experiência, a uma visão, a um trabalho inteiro pensado em sequência e evolução”, reforça o chef.
Na Casa 201, no Jardim Botânico, o chef João Paulo Frankenfeld aponta que quem escolhe um menu degustação geralmente busca uma combinação de boa comida, atendimento, conforto e criatividade. Para ele, um dos principais cuidados é não chegar atrasado e comunicar previamente qualquer restrição alimentar. “A antecedência permite que a equipe organize a experiência de acordo com as necessidades do cliente”, destaca o chef. Frankenfeld também reforça a importância de estar disposto a experimentar: “a proposta do menu é justamente apresentar sabores e texturas diferentes, muitas vezes por meio de combinações que o cliente não encontraria em uma escolha convencional a la carte”.
As recomendações dos três chefs convergem em alguns pontos: pesquisar a proposta do restaurante, alinhar expectativas, chegar no horário, informar alergias e restrições antecipadamente e, principalmente, estar aberto às escolhas da cozinha. Em um menu degustação, o cliente não está apenas escolhendo o que comer, mas participando de uma experiência construída em etapas. Conhecer a linguagem de cada casa e permitir-se descobrir novos sabores pode fazer diferença para transformar uma sequência de pratos em uma experiência gastronômica completa.







