Vinho ou avião?

01 abril 2013 | deixe seu comentário (0)
Por Marcelo Copello
O Bin 707 é um dos maiores Cabernets Sauvignon da Austrália e do Mundo, feiro pela Penfolds em Barossa na Austrália. Este BIN 707 1982, grande safra, foi oferecido pelo amigo e boa praça Charles Metcalfe em sua casa em Londres, por ocasião de seu aniversário, após um belo Dom Pérignon 2000.
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O trocadilho é inevitável e este 1982 estava um avião, alaranjado, escuro, denso na cor no aroma e paladar, com muitos aromas de bosque úmido, cassis, couro, largo na boca, com perfil “quente”, maduro, acidez já decaindo um pouco, taninos maduros, um veludo!
O nome deste vinho não é coincidência. Ele foi batizado como 707 em homenagem ao primeiro Boeing 707 da Qantas, companhia aérea australiana, comprado em 1964, mesmo ano em que o vinho foi lançado. Esta aeronave histórica ainda voa e hoje pertence a John Travolta, que acreditem, tem breve de piloto comercial e voa pela Qantas com alguma frequência para manter sua licença.
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Sem saber provei o mais caro da história

25 janeiro 2013 | 3 comentários

Por Marcelo Copello

Uma notícia que foi bem divulgada ano passado foi o lançamento da garrafa de vinho mais cara de todos os tempos. Nenhum outro vinho foi lançado a um preço tão alto quanto o australiano “Kalimna Block 42 2004“, cujo precinho é de 100 mil libras, ou cerca de R$ 300 mil, por uma garrafa que é uma ampola soprada artesanalmente. Somente 12 ampolas foram produzidas.

 

Até aqui nada de novo. As duas novidades vem a seguir.

A primeira me foi informada pela própria assessoria da empresa que produz o vinho, a Penfolds – TODAS as ampolas já foram, em poucos meses, VENDIDAS!  A empresa guarda apenas um exemplar em seu museu.

A segunda novidade é uma história pessoal, ocorrida há exatos 10 anos. Em 2003, após uma palestra que dei sobre os vinhos da Austrália, ganhei uma garrafa. Um colecionador que gostou da palestra me presenteou com um vinho que eu não conhecia. Poucos dias depois deu sede e eu abri desavisadamente o “Kalimna Block 42 1996“, em um dia tranquilo sozinho em casa.

 Ao primeiro gole vi que (hein!) havia algo errado, ou certo demais. O vinho era simplesmente espetacular, um dos melhores que já provei, apesar de jovem demais (eu e o vinho).

Este Cabernet Sauvignon só foi feito 3 vezes na história, 1948, 1996 e 2004. Ele é elaborado só em anos prá lá de excepcionais a partir de uma parcela de vinhedo de plantada em 1880. Segundo a Penfolds este seria o vinhedo de Cabernet Sauvignon mais antigo do mundo!

Este é um vinho com potencial de guarda de 50 anos e eu o abri com 7. Deveria eu ter guardado a garrafa até o vinho alcançar seu auge? Não sei. Sei que a surpresa que encontrei naquela taça foi inesquecível. Guardei a garrafa de lembrança e hoje é uma das que enfeita minha sala.

 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Garrafas pesadas protegem os brancos

23 janeiro 2013 | 1 comentário

Por Marcelo Copello

Os australianos frequentemente partem na frente quando o assunto é tecnologia aplicada ao vinho. O Centro Nacional da Indústria de Vinho e Uva (NWGIC) na Universidade Charles Sturt (CSU) e colaboração com a Universidade de Melbourne, ambas na Austrália, divulgou estudo sobre a conservação dos vinhos brancos.

O trabalho mostra que em vinhos brancos a luze visível na faixa do azul e do verde, além da ultra violeta, acionam uma reação entre o ácido tartárico e íons de ferro, presentes nestes vinhos, que pode consumir os conservantes do vinho e eventualmente levar à bebida à coloração marrom.

A conclusão é que garrafas mais grossas e escuras podem ajudar a conservar os vinhos brancos. As garrafas de vidro verde escuro ou âmbar foram particularmente melhores para barrar a entrada dos raios de luz danosos.

 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Os 10 maiores vinhos de todos os tempos

02 janeiro 2013 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Fechando a série de posts sobre os vinhos raros da Penfolds, listo aqui os Top-10 maiores vinhos de todos os tempos da revista inglesa Decanter. O Penfolds Bin 60A da safra de 1962 aparece como único vinho não francês deste seletíssimo ranking.

1. Château Mouton Rothschild 1945
2. Château d’Yquem 1921
3. Château Latour 1961
4. Domaine de La Romanée-Conti, Richebourg 1945
5. Domaine de La Romanée-Conti, La Tache 1978
6. Huet SA, Le Haut Lieu, Moulleux Vouvray 1947
7. Penfolds Bin 60A 1962
8. Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande 1982
9. Domaine de La Romanée-Conti, Montrachet 1978
10. Jean-Louis Chave, Cuvée Cathelin, Hermitage 1990.

 

Confesso que senti falta de alguns caldos míticos como o Cheval Blanc 1947, o Romanée-Conti 1978, o Pétrus 1961, algum Champagne (Dom Pérignon 1971?, Krug Clos d´Ambonnay 1995?) e de algum Porto, como o Quinta do Noval Nacional 1963.

Alguns leitores já me escreveram pedindo a minha seleção pessoal dos 10 melhores de todos os tempos. Bom, ainda sou muito jovem e com muitos vinhos pela frente para decretar os melhores de minha vida. No próximo post porém prometo uma seleção dos 10 maiores que provei em 2012.

Lembro também que todos os anos, há 12 anos, publico uma seleção dos Top-200, os 200 melhores vinhos que provei no ano. Este ano este ranking foi publicado na revista BACO edição de outubro-novembro (interessados escrevam para producao@bacomultimidia.com.br).

Saúde,

 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Um dos maiores de todos os tempos

26 dezembro 2012 | 2 comentários

Por Marcelo Copello

Escrever ou não escrever, heis a questão.

Algumas ocasiões fazem um profissional como eu pensar: quebro o encanto do momento e abro meu caderninho à mesa? Ou vivo aquele momento sem racionalizar, sem me  preocupar em anotações?

Me deparei com este dilema em um dos melhores jantares da minha vida alguns meses atrás e optei pelo silêncio e puro prazer. O fato ia ficar apenas na memória mas uma notícia recente me trouxe de volta a este assunto.

A revista inglesa Decanter noticiou em novembro que o príncipe Charles havia provado em uma visita oficial a Austrália o “Penfolds Bin 60A 1962″, eleito por esta mesma revista como um dos “10 maiores vinhos de todos os tempos” (leia no próximo post).

Em junho tive a sorte de participar em Nova Iorque de uma degustação histórica com 59 safras do Penfolds Grange (assunto sobre o qual já escrevi na revista BACO de agosto-setembro e que sairá em livro em 2013). Pois como parte deste evento foi oferecido aos 8 jurados um luxuoso jantar, em um dos melhores restaurantes do mundo, o “Per Se”.

 

A lista de vinhos servida (nesta ordem) está abaixo:

Dom Pérignon 2003

Bin 51 Eden Valley Riesling 2011

Reserve Bin 10A Adelaide Hills Chardonnay 2010

Yattarna Chardonnay 2009

Yattarna Chardonnay 2004

Bin 7 Cabernet-Shiraz 1967

Bin 60A Cabernet-Shiraz 1962

Bin 707 Carbernet Sauvignon (Magnum) 1990

Bin 90A Cabernet-Shiraz 1990

Grange 1990 (Magnum, wine of the year Wine Spectator)

Cellar Reserve Adelaide Hills Pinot Noir 2002

St Henri Shiraz (Magnum) 1991

RWT Barossa Valley Shiraz (Magnum) 1998

Great Grandfather Rare Tawny (vinhas de 165 anos de idade)

 

Muitos dos vinhos listados são raros e alcançam alto preço em leilões. O mais raro destes no entanto é Bin 60A 1962. “Bin 60A” é o nome do vinho e 1962 é sua safra. “Bin” é um nome usado em muitos vinhos australianos, que nasceu do local onde o vinho é guardado. Do Bin 60A 1962 foi feito pelo lendário enólogo Max Schubert e foram produzidas apenas 5 mil garrafas, que nunca foram lançadas comercialmente, sendo vendido apenas em leilões, em raras ocasiões. Este vinho é um blend interregional, com um terço de Cabernet Sauvignon de Coonawarra e dois terços de Shiraz de Barossa.

O Bin 60A 1962 me chamou a atenção por sua jovialidade e perfeita integração. Seus aromas eram muito expressivos e complexos, com notas de evolução, com couro, especiarias picantes, madeiras, café, frutas muito maduras, compotas e flores secas. Seu paladar impressionou pela textura deliciosamente acetinada, com taninos doces e finíssimos, e persistência muito longa. Um maravilhoso vinho maduro com a maciez do novo mundo e elegância e equilíbrio impecáveis.

Como disse Sócrates “a vida sem reflexão não merece ser vivida“. Devemos então verbalizar todos os vinhos que degustamos? Em minha opinião não…

No próximo post os 10 maiores vinhos de todos os tempos

 

Saúde,

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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