A Porca do Vinho

17 junho 2013 | deixe seu comentário (0)
Por Marcelo Copello

 

Vocês devem conhecer um vinho português muito popular no Brasil, chamado Porca de Murça. Mas sabem qual a origem deste nome?

 

Uma lenda conta que no século VIII o povoado de Murça no norte de Portugal era assolado por javalis e ursos. Os senhores desta vila afugentaram todos os animais menos um. Os habitantes diziam existir um grande animal, que não sabiam ser uma porca ou uma ursa, que não se deixava apanhar. No ano de 757 o senhor de Murça teria matado a temível porca. Em honra a tal feito teria sido erguida a estátua de pedra da porca, que hoje se vê no centro da vila.

 

 

Esta é a lenda, mas a realidade é bem mais antiga e complexa. Existem espalhadas pelo norte de Portugal e na Estremadura espanhola, cerca de 400 estátuas de pedra, de dois mil anos de idade conhecidas como “Berrões”. Estes achados arqueológicos apresentam uma série de características muito semelhantes entre si: são feitas de um único bloco de granito, representando sempre animais, geralmente javalis e porcos (mas também touros, cães, bodes), com tamanhos entre 30cm a 2 metros de altura.

 

Acredita-se que as estátuas dos berrões representavam animais sagrados, a quem se prestava culto; um outro possível uso seria o de monumento funerário, já que algumas destas estátuas trazem inscrições. Em uma destas esculturas, na Espanha, está escrito: “Deus Porco bravo protetor da cidade de Adorja”. Não resta, portanto, dúvida quanto a divindade deste (delicioso) animal, especialmente quando transformado em receitas portuguesas!

 

Uma dica de onde encontrar o Porca de Murça é nos Supermercados Mundial,  custando em média  R$17,00.

 

Marcelo Copello (mcopello@simplesmentevinho.com.br)

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Quando tudo começou?

13 junho 2013 | deixe seu comentário (0)
Por Marcelo Copello
            O vinho acompanha o homem desde seus primórdios. Descobertas arqueológicas no Irã mostraram, após testes feitos com carbono 14, que o vinho já existia a 7400 anos atrás! O interessante é a maneira como foram descobertos estes vestígios ancestrais de vinho, no que seria a cozinha de uma caverna, junto com utensílios, o que nos leva a crer que ele já era utilizado na culinária. Conclusão dos arqueólogos e não minha. Curiosamente, hoje no Irã é proibido o consumo de vinho assim como de qualquer outra bebida alcoólica. Começaram cedo, já beberam o suficiente…

 

            O vinho então foi descoberto na Mesopotâmia a 7400 anos atrás e saiu caminhando pelo mundo. O vinho vem de muito antes da linguagem escrita. É citado no primeiro escrito que se tem notícia, que conta a história do Rei Sumério Gilgamesh.

           Em 6000 AC os Egípcios e Fenícios já o cultivavam. São inúmeras as referências ao vinho gravadas nos muros dos palácios e tumbas egípcias. O Antigo Egito louvou o deus supremo Osíris, que também era o deus do vinho e da vida após a morte. Os egípcios davam tanto valor ao vinho que um grande número de jarros cheios de vinho foram colocados nas tumbas dos faraós, para acompanha-los em suas viagens espirituais ao paraíso.

 

            Escritos ancestrais da Índia, de cerca de 2000a.c.-1000d.c., mencionam que o vinho era louvado tanto como deus como remédio.

 

            Na China antiga, escritos descobertos descrevem o vinho sendo usado como remédio, assim como em rituais de sacrifício durante as dinastias Chang e Chou, cerca de 1100-250a.c. Os chineses conheceram o vinho antes do saquê e no taoísmo o elixir da imortalidade levava entre outras coisas ouro e vinho.

 

Marcelo Copello (mcopello@simplesmentevinho.com.br)

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Gravner detesta vinhos laranja

11 junho 2013 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

 

Você sabe o que é “vinho laranja” ou “orange wine”? Esta é uma moda, já não tão nova, que a cada dia conquista novos adeptos. Trata-se de vinhos brancos de cor alaranjada, geralmente feitos com uvas sobremaduras, com longas macerações com suas cascas e longos amadurecimentos em madeira, e, no caso de Gravner, fermentado em ânforas de barro, como faziam os antigos romanos.

Ânforas à entrada da vinícola

Elegi no final do ano passado, o Ribolla Anfora 2005 de Gravner (Decanter, R$ 375), como o MELHOR BRANCO ITALIANO de 2012, em meu ranking anual publicado na revista BACO.

 

O maior expoente dos orange wines é, queira ou não, o italiano Josco Gravner. Porque “queira ou não”? Pois ele mesmo diz que detesta a moda laranja. As razões são fáceis de entender. Primeiro, basta 5 minutos de conversa com ele para perceber que ele é 100% autêntico e não seguidor de modismos. Depois, debaixo do chapéu laranja estão vinhos ótimos, mas também vinhos ruins, com acidez volátil alta (avinagrados) e já mortos. Assim, se você prova um laranja ruim, não vai querer provar os outros, os bons, prejudicando os verdadeiros artistas, como Gravner. Perfeitamente justificável, então, que o “rei dos laranjas” não queira ser rotulado como tal.

 

Abaixo estão dois dos vários videos que fiz quando visitei-o em sua vinícola no Friuli, norte na Itália, fronteira com a Eslovênia.

Gravner e Copello

1º VÍDEO
Neste primeiro vídeo Gravner fala da magia do número 7. Ele só lança seus vinhos ao mercado aos 7 anos de idade e diz que faz vinhos para durarem 49 anos (7×7). Segundo ele mandar uma criança à escola aos 6 anos seria tolher-lhe um ano de infância.  Como provamos juntos, direto de barricas, quase 20 vinhos, brincamos que estávamos provando as crianças  no jardim de infância.

 

2º VÍDEO
Neste segundo vídeo falamos da uva Ribolla Gialla, que está há mais de mil anos na região. Sua paixão pela Ribolla vem de seu pai. Em sua juventude a hora de degustar a Ribolla com a família, era a hora da alegria. Gravner colhe sua Ribolla muito tardiamente, em novembro, algo bem ousado, com risco de perda da colheita pela chegada do inverno. Ele diz ainda que pode arriscar pois, além de não querer comprar uma Ferrari, se perder uma colheira inteira, ele ainda terá 6 outras colheiras armazenadas em seus tonéis, para vender e sobreviver. Eu resumo dizendo que para fazer vinhos como ele é preciso ousadiaintuição e correr riscos.

 

 

 

Marcelo Copello (mcopello@simplesmentevinho.com.br)

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Roubo em Bordeaux!

11 junho 2013 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Ladrões invadiram domingo à noite o Château d’Yquem (Bordeaux-França), e roubaram 380 meias-garrafas de Château d’Yquem 2010. No Brasil, com nossos impostos, estimo que este lote roubado saia por cerca de R$ 1 milhão!

ladrão

O Château d’Yquem é simplesmente o maior vinho de sobremesa do mundo e 2010 é uma das mais valorizadas de suas safras recentes. Ladrões, de fato, de muito bom gosto e sabedores de qual safra roubar.

 

O alarme foi disparado, mas os gatunos fugiram a tempo…

Marcelo Copello (mcopello@simplesmentevinho.com.br)

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As borbulhas mais caras do mundo

07 junho 2013 | deixe seu comentário (0)
Por Marcelo Copello

20 mil Euros é o preço do Champagne mais caro do mundo, uma garrafa Jeroboam (de 3 litros) do Cristal 2002 (uma safra excepcinal) anunciado recentemente pelo produtor Louis Roederer, na cidade de Reims.O preço se justifica, pois além da qualidade do espumante e o número de garrafas é ínfimo, apenas 400,  sendo apenas 200 comercializadas este ano e as outras em 2014. Um detalhe importante: a garrafa é coberta de ouro 24 quilates.

Inspirado em joalherias, a garrafa por si só é impressionante, produzida de forma artesanal por dois ourives mestres. Eles moldaram o metal precioso numa forte proteção sob toda lateral da garrafa, que leva o símbolo do produtor também em ouro. Uma jóia rara, o líquido e sua embalagem.
Marcelo Copello (Mcopello@simplesmentevinho.com.br)
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