5 ângulos do Pão de Açúcar em 1938

20 maio 2013 | deixe seu comentário (0)

O maciço de granito erguendo-se das águas da baía foi o principal ponto de referência para os navegadores que chegaram ao Rio no século 16. O Pão de Açúcar apontava a direção Sul para quem estava no Centro da Cidade. Em 1938, ano em que foram feitas as imagens abaixo, o Cristo Redentor ainda era uma grande novidade e não competia nem de longe em termos de fama com a rocha na entrada da Guanabara. Na quarta foto da montagem abaixo, podemos ver um trecho do que sobrou da grande construção militar que guardava a Praia Vermelha, parcialmente destruída durante a revolta da Vacina, no início do século 20.

Fotogramas do filme The Screen Traveller sobre o Rio de Janeiro

Acima, o cartão postal visto de cinco pontos de vistas diferentes (de baixo para cima): do alto do edifício A Noite, na Praça Mauá; da Praia Vermelha; do Cristo Redentor; da Praia de Botafogo; e da Praia do Flamengo

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Jardim Botânico: memória de uma antiga moradora

13 maio 2013 | 3 comentários

Caçula do escritor José Lins do Rego, a escritora Maria Christina Lins do Rego Veras se inspirou no Jardim Botânico do tempo de infância para escrever Garzon 10 e outras histórias (José Olympio Editora). São recordações de um Rio de Janeiro bucólico nas décadas de 30 e 40. Nascida em Alagoas, Christina veio para o Rio com um ano. Primeiro foi morar na Rua Álvaro Chaves, em Botafogo. Mas suas principais recordações são do Jardim Botânico, no tempo em que as casas tinham galinheiros e os cavalos do Jockey passeavam tranquilamente por suas ruas. A fábrica de tecidos no alto da Pacheco Leão ditava o ritmo do bairro. “Ficava mais lá para cima, apitava na hora do almoço e na hora do fim do expediente. Boa parte dos funcionários moravam na favela do Pinto, na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. Alguns trabalhadores passavam na frente lá de casa cumprimentavam meu pai com um: bom dia, doutor Lins”, conta Christina.

Na ocasião, José Lins do Rego já tinha escrito sua obra prima “Fogo morto”, ganhou reconhecimento e prêmios, mas o dinheiro deixado de herança pelo avô fora muito bem gasto nos dez anos que passaram em Alagoas, antes de se mudar para a capital federal. Preocupada, a mãe da autora de Garzon 10 e outras histórias, dona Philomena, colocou na cabeça que era importante fazer logo uma casa. Zé Lins comprou o terreno ao lado do Jockey e encomendou o projeto a um arquiteto amigo da família.

Chamada na intimidade de Garzon, a casa, onde hoje funciona a Escola do Pão, era tratada como uma extensão do latifúndio do avô no qual fora criado no Nordeste. Uma parte dos móveis vieram de lá. Duas cadeiras, mesa e um sofá que hoje em dia adorna a varanda do apartamento de Christina Veras, em São Conrado. Na cozinha, na falta de um relógio de parede, posava um Patek Philip de bolso em ouro que também ficara de herança.

 

Na montagem acima vemos, Christina Veras, autora de “Garzon 10 e outras histórias”, na noite de lançamento prestigiada pela amiga Gisele Amaral; Christina entre a mãe e o pai; e detalhe da capa do livro que mostra a casa onde hoje funciona a Escola do Pão

 

           

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Parece Cuba mas é o Rio na década de 50

09 maio 2013 | deixe seu comentário (0)

Carros antigos e bicicletas parados em frente ao casario desgastado, uma cena que remete à Havana Velha. Mas o registro abaixo foi feito pelo fotógrafo Tomas Somlo no fim da década de 50, no hoje valorizado bairro do Jardim Botânico, provavelmente a atual Rua Caminhoá. O conjunto foi construído numa das primeiras décadas do século 20 para abrigar os trabalhad0res da região que abrigava duas fábricas. Uma delas, a de tecidos, pode ser vista na segunda foto da montagem. As fábricas encontravam água em abundância proveniente da Bacia do Rio dos Macacos que ainda hoje cruza a Rua Jardim Botânico.

vila-operaria-e-fabrica-de-tecidos

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Canibalismo (II): o alerta de mapas franceses do século 16

29 abril 2013 | deixe seu comentário (0)

No post anterior, já havia comentado sobre a raridade dos escritos sobre o Rio antes da fundação da cidade pelos portugueses em 1565. Entre os relatos mais importantes deste período está o de alguns integrantes da missão que acompanhou Villegagnon na tentativa de fundar uma colônia francesa nos trópicos. São também de franceses alguns dos primeiros mapas feitos do Brasil, no século 16. Um importante acervo destes documentos pertence à Biblioteca Nacional da França que os exibiu em uma exposição. Apesar de não estar mais em cartaz, reproduzo detalhes destas cartas que alertam outros navegantes para a presença de índios canibais.

Abaixo aparecem os mapas Carte de l’Atlatique, de autoria de Pierre de Vaulx; a Carte du Brésil, de Jacques de Vau de Claye; e a Cosmographie Universelle, de Guillaume le Testu. O primeiro deles já havia mostrado em primeira mão no Facebook do blog.

Relatos feitos a partir da expedição realizada por Villegagnon

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Uma história de amor, fúria e canibalismo (I)

25 abril 2013 | deixe seu comentário (0)

São raros os relatos da ocupação dos arredores da Baía de Guanabara antes da chegada dos portugueses. Por isso, acredito que o grande mérito da animação Uma história de amor e fúria é lançar luz sobre o período. O filme de Luiz Bolognesi, ainda em cartaz em alguns cinemas da cidade, remonta as rivalidades entre tupiniquins e tupinambás, tribos que ocupavam o território onde seria fundado o Rio de Janeiro em 1565. Para quem assistiu o filme e ficou com vontade de saber mais, indico o livro Meu destino é ser onça (Record), de Alberto Mussa, que recriou em linguagem acessível a narrativa mitológica dos tupinambás para a origem do universo.

Tendo como ponto de partida os livros do frade franciscano André Thevet, que acompanhou o explorador Nicolas de Villegagnon em seus esforços para fundar a França Antartica, Alberto Mussa conduz o leitor por uma história habitada por personagens humanos que se transformam em animais ou em corpos celestes, em que o canibalismo tem um papel de sublimação. “No jogo canibal, cada grupo depende totalmente de seus inimigos, para atingir, depois da morte, a vida eterna de prazer e alegria. O mal, assim, é indispensável para a obtenção do bem”, teoriza o autor de Meu destino é ser onça, no capítulo dedicado à explicação da teoria por trás do mito.

“As tribos tupi se dividiam em aliadas e inimigas. Faziam guerras constantes, anuais. Os vencedores não tomavam o território dos vencidos, não cobravam tributos, não faziam escravos, não saqueavam riquezas, não buscavam obter nenhuma vantagem econômica. Capturavam inimigos apenas para matar e comer”, completa Mussa.

O canibalismo tupiniquim e tupinambá

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1919: cerveja na Colombo e futebol nas Laranjeiras

19 abril 2013 | deixe seu comentário (0)

A dobradinha cerveja e futebol ganha uma conotação especial para o carioca em 1919. O Rio se prepara para receber seu primeiro grande evento esportivo internacional: o Campeonato Sul-Americano, disputado por Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Enquanto à noite o agito tem a Colombo como endereço certo, como podemos ver na foto do livro Confeitaria Colombo – Sabores de uma cidade (Casa da Palavra), de dia os jogos de futebol ganham em popularidade entre os divertimentos prediletos do carioca. O estádio das Laranjeiras é especialmente construído para o torneio que consagra o escrete brasileiro. Na final vencemos os uruguaios por 1 a 0, gol de Friedenreich, no primeiro tempo da segunda prorrogação de meia hora. A foto abaixo é da capa do livro Sul-Americano de 1919 – Quando o Brasil descobriu o futebol (Maquinária Editora).

 

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Simplicidades (II): a volta do mercado da Praça 15

13 abril 2013 | deixe seu comentário (0)

Reativar o antigo mercado municipal da Praça XV é uma das propostas mais ousadas e viáveis dos projetos inscritos no concurso organizado pelo Simplicidades. O Mercado Municipal foi até a década de 60 um dos mais impressionantes conjuntos arquitetônicos da cidade com suas quatro torres e relógio de 35 metros de altura. Funcionou de 1907 até meados da década de 60 quando foi literalmente atropelado pelo Elevado da Perimetral. Com enormes ombrelones inspirados na arquitetura do antigo imóvel, o projeto de Vladimir Ciattei Machado é uma proposta inteligente para a ocupação do imenso vazio que vai ficar com a derrubada do viaduto e uma forma de evitar que o local histórico continue sendo usado como estacionamento.

Outros dois projetos propõem a revitalização de imóveis tombados que correm o risco de, mesmo sendo tombados, deixarem de existir: o Museu do Índio e o antigo palacete na esquina das ruas dos Inválidos e Riachuelo, no coração da Lapa. O primeiro deve ser inexplicavelmente derrubado por conta das obras do Maracanã e o segundo ocupa espaço nobre para a construção de prédios. Prefiro as soluções apresentadas pelo Simplicidades. Para o Museu do Indio, há um projeto de um parque para skatistas e, para o outro a solução seria um prédio moderno integrado com a parte antiga do imóvel e que abrigasse uma escola de gastronomia.

mercado-municipal-praca-15-escola-de-gastronomia-lapa-museu-do-indio-maracana

 

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Simplicidades (I): calçadão mais espaçoso em Ipanema

12 abril 2013 | deixe seu comentário (0)

Os amigos do Simplicidades, que se propõem a pensar soluções criativas para o Rio, divulgaram a lista de 71 projetos de intervenção urbana. Destes, 20 serão selecionados com a ajuda do voto do público e por uma banca formada por professores das principais instituições de arquitetura e design da cidade para participar de uma exposição no Studio-X. Entre os projetos inscritos está o Orla tanquila do arquiteto Felipe Lacerda que recupera o tamanho antigo do calçadão de Ipanema, com a transferência da ciclovia para cima da areia, e também está um antigo sonho da requisitada arquiteta Bel Lobo e do livreiro Rui Campos, da Livraria da Travessa. Em parceria com o também arquiteto Marcos Bravo e o diplomata Luiz Fernando Panelli, a dupla propõe transformar parte do Jockey Club do Brasil num imenso parque ligando o Jardim Botânico à Lagoa Rodrigo de Freitas. Seria uma forma de reestabelecer em outros parâmetros a antiga comunicação que havia entre os dois cartões-postais, muito mais próximos antes dos aterros.

Aqui, a reativação do Mercado

Municipal, da Praça 15

Que entrem ou não em prática, este e os outros projetos chamam atenção para determinadas áreas da cidade que podemos desconhecer. Não imaginava que poderia existir um cenário de Serra Pelada em pleno Rio, numa pedreira desativada no Complexo do Alemão. A proposta apresentada para o imenso paredão seria transformá-lo em cenário para um belo anfiteatro que se juntaria a uma plataforma para saltos ornamentais e uma quadra esportiva.

No sábado, publico mais três projetos mais voltados para a recuperação da memória e do patrimônio. Não deixem de conhecer o Simplicidades.

Projetos inscritos no Simplicidades para a orla de Ipanema, o calçadão do Jardim Botânico e a área de lazer no Complexo do Alemão

 

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Postais da Praça Paris antes do Aterro do Flamengo

06 abril 2013 | deixe seu comentário (0)

Aproveito a deixa do Pedro Paulo Bastos, do blog As Ruas do Rio, para postar fotos da Praça Paris, antes do Aterro do Flamengo. O paisagismo criado por Roberto Burle Marx é incrível, mas a imensa área aterrada inaugurada na década de 60 engoliu uma área da Baía de Guanabara equivalente a 120 campos de futebol. A praça da Glória é um dos poucos trechos da Avenida Beira-Mar preservados em sua feição original. Abaixo, além de três postais da Praça Paris, também vemos a orla Praia de Botafogo de três ângulos diferentes que mostram que o projeto paisagístico da praça era o padrão de toda a orla antiga.

 

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A Baía de Guanabara na coleção Peixoto de Castro

30 março 2013 | deixe seu comentário (0)

Volto a dedicar algumas linhas à alta sociedade carioca. A coleção da família Peixoto de Castro será leiloada nos dias 2, 3, 4 e 5 de abril sob o comando de Evandro Carneiro. Da Tijuca, local do palacete em estilo eclético que marcou época no bairro, os integrantes do clã Peixoto Castro “viam” a Guanabara em belas marinhas do francês Durand-Brager e dos italianos Giovanni Battista Castagneto e Nicolau Antonio Facchinetti.

“Essa coleção reflete, de maneira incisiva, o gosto e o refinamento das elites brasileiras de então, o seu olhar eclético e generoso, a valorização da arte europeia e o encantamento pelo exótico, que caracteriza a curiosidade estética das últimas décadas do século 19 e os primeiros anos do século 20″, trecho do catálogo do leilão.

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