Caçula do escritor José Lins do Rego, a escritora Maria Christina Lins do Rego Veras se inspirou no Jardim Botânico do tempo de infância para escrever Garzon 10 e outras histórias (José Olympio Editora). São recordações de um Rio de Janeiro bucólico nas décadas de 30 e 40. Nascida em Alagoas, Christina veio para o Rio com um ano. Primeiro foi morar na Rua Álvaro Chaves, em Botafogo. Mas suas principais recordações são do Jardim Botânico, no tempo em que as casas tinham galinheiros e os cavalos do Jockey passeavam tranquilamente por suas ruas. A fábrica de tecidos no alto da Pacheco Leão ditava o ritmo do bairro. “Ficava mais lá para cima, apitava na hora do almoço e na hora do fim do expediente. Boa parte dos funcionários moravam na favela do Pinto, na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. Alguns trabalhadores passavam na frente lá de casa cumprimentavam meu pai com um: bom dia, doutor Lins”, conta Christina.
Na ocasião, José Lins do Rego já tinha escrito sua obra prima “Fogo morto”, ganhou reconhecimento e prêmios, mas o dinheiro deixado de herança pelo avô fora muito bem gasto nos dez anos que passaram em Alagoas, antes de se mudar para a capital federal. Preocupada, a mãe da autora de Garzon 10 e outras histórias, dona Philomena, colocou na cabeça que era importante fazer logo uma casa. Zé Lins comprou o terreno ao lado do Jockey e encomendou o projeto a um arquiteto amigo da família.
Chamada na intimidade de Garzon, a casa, onde hoje funciona a Escola do Pão, era tratada como uma extensão do latifúndio do avô no qual fora criado no Nordeste. Uma parte dos móveis vieram de lá. Duas cadeiras, mesa e um sofá que hoje em dia adorna a varanda do apartamento de Christina Veras, em São Conrado. Na cozinha, na falta de um relógio de parede, posava um Patek Philip de bolso em ouro que também ficara de herança.

Na montagem acima vemos, Christina Veras, autora de “Garzon 10 e outras histórias”, na noite de lançamento prestigiada pela amiga Gisele Amaral; Christina entre a mãe e o pai; e detalhe da capa do livro que mostra a casa onde hoje funciona a Escola do Pão
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