Balanço geral do mundo da moda
14 novembro 2012 | deixe seu comentário (0)
Em entrevista, Paulo Borges, do Fashion Rio e Rio-a-Porter e Eloysa Simão, do Fashion Business, fazem um balanço geral da semana que ajustou o calendário da moda carioca.
1) Vemos muitos estudantes interessados em ingressar no mundo da moda. Para começar, o que é preciso?
ELOYSA: Tem que ter talento, perseverança e correr atrás. Eu acho, inclusive, que estamos passando por uma fase de amadurecimento da moda. As pessoas perceberam que não basta ter uma imagem forte para construir uma marca. Depende de produto, da distribuição… Aquela era em que as pessoas jogavam tudo na imagem, acabou. Nós temos muitos talentos, o problema da moda brasileira é realmente a questão empresarial e a questão financeira. Falta dinheiro.
PAULO: O primeiro passo é ter uma coleção, uma marca, um produto e por trás disso, uma boa estrutura de negócios. Os dois têm sempre que obrigatoriamente andar juntos. O mercado da moda é extremamente competitivo e uma marca sólida sem uma boa base de negócios é praticamente impossível.
2 ) É necessário fazer sociedade com um grande grupo ou é possível crescer sozinho?
ELOYSA: Depende do objetivo que você tem. Pode-se crescer das duas formas. Se associar a um grande grupo é ótimo, mas quando não dá certo, é péssimo. Crescer sozinho também é complicado, porque acontece mais lentamente. Eu não tenho nada contra nem uma coisa, nem outra. Se você tem a oportunidade de se linkar a um grupo e ficar tudo bem… Eu acho que os dois caminhos são bons, o que é preciso é uma identidade profunda entre as duas partes. É muito difícil, porque a moda não dá o lucro que todo mundo pensa. As pessoas imaginam que o nosso setor é muito mais lucrativo do que de fato ele é.
PAULO: As parcerias com marcas maiores são sempre uma grande ajuda. O crescimento no varejo é demorado, não é rápido como muita gente acredita, por isso, as parcerias são sempre bem vindas e de extrema importância pra quem busca solidez nos negócios. Essas parcerias ajudam na tão importante estrutura.
3) Como administrar e não deixar o seu negócio quebrar como acontece com muitos?
ELOYSA: Essa é uma tarefa difícil, o maior desafio hoje da moda brasileira; você achar a fórmula certa de gerir uma atividade que vende valores intangíveis e tangíveis. Então, eu acho que a fórmula certa é você buscar um ponto de equilíbrio entre valor intangível, valor agregado de um produto e os valores de custo-benefício dele. O equilíbrio entre a parte financeira e a parte criativa deve ser buscado incessantemente, é nele que está o pulo do gato. Não pode preponderar uma cabeça criativa e nem uma cabeça só financeira: tem que ter as duas coisas e fazer um casamento.
PAULO: Apresentar um bom modelo de negócios é primordial, tudo sempre muito bem estruturado e planejado. A palavra de ordem é realmente planejamento. Muitas vezes esse novo criador é empurrado pro mercado, e é muito importante entender o posicionamento desse mercado para se adequar a ele.
4) Como deve ser a filosofia do empresário da moda, no Brasil?
ELOYSA: Renascer, aprender a arte de renascer. Acho que como a gente tem uma economia instável, tem que estar sempre se reinventando.
PAULO: Entender e atender a necessidade de um mercado exigente e implacável.
5) E o que pensam deste novo calendário?
ELOYSA: É uma coisa mais do que necessária. Porque para a gente chegar bem, daqui a cinco anos, ele tem que dar certo. As pessoas precisam parar de apostar e produzir o que venderam, entregar o que venderam. Esse novo calendário tem que dar certo pra gente encerrar a era das apostas. Para ir para um caminho economicamente viável.
PAULO: Esse ajuste já há algum tempo vinha sendo discutido, uma vez que o antigo encurtava as apresentações e as entregas das peças. O modelo novo procura, justamente, ajustar a produção e melhorar o planejamento.
As marcas, ao apresentarem uma coleção, poderão atender aos pedidos dos compradores de forma mais rápida, o que ajuda na hora de competir com os gigantes globais que chegam cada vez mais fortes ao país, sempre de olho no nosso consumidor.
O preço final dos produtos deve cair. A curto prazo, os preços podem diminuir cerca 10% e a longo prazo, até 30%.






