Clique e assine por apenas 4,90/mês

Ajuda pela internet é aliada no controle de ansiedade das grávidas

Neste período, ideal pela perfeição deve ser deixado de lado em prol da saúde mental

Por Carolina Brasil e Lorena Lima* - Atualizado em 14 jul 2020, 17h50 - Publicado em 26 jun 2020, 15h00

Para tranquilizar a mente no momento de gestação durante a pandemia do novo coronavírus, a psicóloga Simone Spinelli diz que o desconhecido precisa ser abraçado. “A ansiedade não é uma coisa ruim. O problema é quando essa ansiedade faz a gente para de viver, ter um medo que não existe.” Tudo que a mente sofre, o corpo sente depois. Por isso, o agravamento de transtornos psicológicos pode afetar a pressão arterial, levar a um desconforto físico e ao inchaço.

+Coronavírus: reforço à imunidade das grávidas e isolamento são essenciais

Segundo especialistas, a busca incessante pela produtividade ou pelo ideal de perfeição deve ser abandonada pelas gestantes. Para Simone, a produtividade está sempre ligada ao bem-estar. E ela frisa que não existe mãe perfeita. Essa mentalidade é prejudicial para a mulher, que, mais do que nunca, está enfrentando desafios na experiência da maternidade. “Existe a mãe que pode ser mãe. E qualquer mulher pode ser, ela só tem que estar disponível.”

+Grávidas e mães de bebês: grupo de risco com emoções à flor da pele

Continua após a publicidade

O gestor da Área de Atenção à Saúde da Gestante do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Dr. José Paulo Pereira Junior, explica que a gravidez não é mudança apenas física no corpo da mulher. “Ela modifica a paciente do ponto de vista emocional. Existe uma mudança de foco, ela antevê o futuro com aquela criança que vai nascer. Qualquer coisa que coloque isso em risco traz muita angústia e ansiedade.”

+“Vivemos no Brasil uma crise humanitária”, diz infectologista

Em virtude da pandemia, muitos serviços psicológicos e tratamentos estão sendo disponibilizados gratuitamente na internet. “Ela não pode se negar a ter auxílio psicológico e médico em nenhum momento. Ajuda psicológica não é coisa para louco. Louco, na verdade, todos somos”, argumenta Simone.

+Idosos elegem o mar como primeiro reencontro pós-pandemia

Continua após a publicidade

Tudo o que a gestante fizer será vantajoso para ela e aqueles ao seu redor: procurar ajuda, praticar yoga, meditação, aprender técnicas de respiração e novos hobbies, como cozinhar e tocar instrumentos. A especialista em ginecologia e obstetrícia Dra. Carla Cooper afirma que as gestantes estão passando por um momento complicado e também ressalta a importância do cuidado com a saúde mental durante a gravidez. Ela diz que 80% das mulheres, em geral, que não têm história de depressão ou ansiedade, costumam desenvolver o chamado ‘blues puerperal’. Durante a pandemia, tem-se notado maiores crises de ansiedade e depressão no pós-parto.

+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

“É importante manter bom suporte emocional junto aos familiares. É a principal questão hoje em dia, além de esclarecer todas as dúvidas com um médico obstetra. Essas incertezas estão pipocando agora. Todas as minhas pacientes, hoje, recebem um folder com um guia de suplementação vitamínica – com suplementos fitoterápicos a base de plantas, que são calmantes para gestantes”, explica Carla.

+O aquecimento do mercado de produtos eróticos durante a pandemia

Continua após a publicidade

Mais do que nunca, a grávida e o parceiro precisam estar amparados. É importante usar a internet e as redes sociais ao seu favor. O isolamento social pode ser necessário no momento, mas não precisa ser desagradável. “Logo a gente vai estar junto, mas tem que praticar a paciência”, assegura Simone, destacando algumas iniciativas que podem ajudar no controle da ansiedade:

EU TE APOIO: Programa da Faculdade de Psicologia de Vassouras, surgiu como uma plataforma de acolhimento durante o isolamento social. No site, psicólogos se cadastram para oferecer tratamento gratuito através de videochamadas. O paciente se inscreve no site e pode agendar uma consulta na hora que preferir, sendo atendido por um profissional disponível.

TFT (Thought Field Therapy): É a técnica da Terapia do Campo do Pensamento, desenvolvida para diminuir o medo e a ansiedade. Utiliza métodos de várias áreas, como a medicina chinesa e a psicologia. É conhecida como acupuntura sem agulhas e funciona através de toques leves em certos pontos do corpo. A psicóloga e terapeuta Rocío Mouzo ensina como aplicar essas técnicas no cotidiano.

TÉCNICAS DE RESPIRAÇÃO: A partir da prática de Yoga e meditação, é possível atingir uma maior conexão interior, com um fortalecimento físico e mental. É uma atividade indiana milenar, com inúmeros benefícios psicológicos. Através das ásanas (posturas corporais) e das pranayamas (respirações), o praticante muda a forma de lidar com as emoções e a ansiedade. No Sistema Único de Saúde (SUS), o yoga é considerado prática integrativa e complementar. No vídeo, a instrutora de yoga Pâmela Carreira ensina algumas técnicas.

Continua após a publicidade

Os especialistas aconselham que se verifique, com o médico ou a maternidade, quais serviços psicológicos estão disponíveis. Nas Unidades de Saúde da rede municipal, por exemplo, existem serviços de apoio psicológico aos pacientes internados e a rede de Atenção Primária (Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde), além de unidades especializadas como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A Maternidade Leila Diniz também conta com atendimento psicológico para gestantes, puérperas e pais no ambulatório e na unidade neonatal.

Carolina Brasil e Lorena Lima*, estudantes de comunicação, sob supervisão dos professores da universidade e revisão de Veja Rio

Publicidade