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Baby do Brasil volta aos palcos nesta sexta (4): “Mais madura e ousada”

Aos 68 anos, cantora lança música em show no Vivo Rio, adiado pela pandemia. "Em isolamento, fiz jejum para interceder pela humanidade", revela a 'popstora'

Por Marcela Capobianco Atualizado em 1 dez 2020, 20h40 - Publicado em 1 dez 2020, 17h43

O período de isolamento social foi de mudanças internas e externas para Baby do Brasil – ela trocou as madeixas roxas, que usava desde 2012, para um mix de cores que vai do rosa ao azul. “Comecei pintando as paredes de casa na quarentena, depois achei que era a hora de mudar também o visual”, conta a cantora, aos 68 anos, que está prestes a lançar um álbum de inéditas – atrasado, é claro, pela pandemia, e vai se reencontrar com o público nesta sexta (4), com um show com plateia reduzida no Vivo Rio, que receberá um terço da capacidade.

“Quando estamos no palco é como se jamais tivéssemos parado de tocar. Os neurônios se alinham entre todos e uma interação imediata acontece! É um prazer, um privilegio, uma loucura totalmente do bem, uma festa de amor entre irmãos”, destaca a artista.

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O repertório do show vai reunir de clássicos como Menino do Rio e Acabou Chorare, dos tempos de Novos Baianos, à nova Decorei a Onda, composta na quarentena, passando por releituras de Vivaldi, Tina Turner e Louis Armstrong. Baby subirá ao palco acompanhada do guitarristas Frank Solari, Guilherme Schwab e Raphael Garrido, do baterista e parceiro de décadas Jorginho Gomes, do percussionista Marcos Suzano, do tecladista Luciano Lopes e do contrabaixista Milton Pelegrino.

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VEJA Rio conversou com Baby, por WhatsApp, sobre quarentena, espiritualidade, a morte de Moraes Moreira, o reencontro com os companheiros dos Novos Baianos para lives e os planos para o futuro.

Quais eram os seus planos pra 2020? A pandemia atrapalhou muito?

A pandemia adiou os planos, mas tudo já deu certo. Em maio começaria a primeira fase da turnê do novo show, em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. Também lançaria a minha primeira música do CD de inéditas, que só vou lançar agora.

Como foi o período da quarentena para você? Quais foram as suas reflexões?

O tempo da pandemia foi totalmente Matrix. Fui pro alto da montanha que está dentro de mim. Muitas reflexões, muito clamor, muitos mergulhos nas escrituras sagradas, revisionando o livro de Apocalipse, muitas vigílias, muito jejum e oração, muita intercessão pela humanidade. Também compus música nova, muitas letras. Entrei na quarta dimensão de Deus.

Logo no início da pandemia houve a morte do Moraes Moreira. Como você recebeu a notícia? 

Primeiramente, achei que havia um engano, jamais esperei receber essa notícia. Foi um susto, uma tristeza, uma situação inacreditável! Fiquei impactada por três meses, pasma! Para mim, ele não morreu, nem morrerá nunca, somente já foi pro lado de lá, onde a festa é todo dia, e está tocando muito na eternidade!

E como foi reencontrar os companheiros dos Novos Baianos sem o Moraes no palco?

Foi muito forte, muito amoroso e saudoso; pois ainda estávamos em silêncio na alma com a partida do nosso amigo. Como o Moraes saiu dos Novos Baianos por uns tempos e seguimos sem ele, acho que talvez não estivéssemos preparados para fazer a live que aconteceu em agosto.

Quando você está no palco com seus companheiros de banda você sente como se os Novos Baianos estivessem juntos por todo esse tempo?

Quando estamos no palco é como se jamais tivéssemos parado de tocar. Os neurônios se alinham entre todos e uma interação imediata acontece! É um prazer, um privilegio, uma loucura totalmente do bem, uma festa de amor entre irmãos! Uma família! Uma delicia!

Pensa em excursionar com os Novos Baianos num futuro pós-vacina? Ou prefere focar na sua carreira solo?

Com os Novos Baianos, em breve, vamos gravar um álbum de inéditas, seguindo a parceria com a Som Livre. Na minha carreira solo, estou administrando tudo da melhor maneira possivel para conciliar as duas funções, sem que uma atrapalhe a outra.

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Quais são as principais diferenças entre a Baby da década de 70 e a de hoje?

Sou a mesma pessoa, porém, com algumas nuances mais fortes e vivas. Mais maturidade musical e na vida, mais ousadia, mais coragem, mais fé, mais experiência, mais improvisos! Mais Baby, mais bebê, mais eu. Mas a minha voz continua a mesma… e os meus cabelos? Rosa e Violeta! Rsrs

Você interage muito com os fãs no Instagram. É vc mesma quem usa a rede social?

Sim, mas gostaria de interagir bem mais! Sou eu quem faço os textos e respondo com a ajuda da minha equipe, que posta o que escrevo e que está sempre me auxiliando para lembrar de fatos e de datas e de tudo que eu curto, selecionando fotos, montando os posts comigo entre outras coisas, para que eu esteja sempre atenta e ligada.

Você foi homenageada na live da Teresa Cristina, um dos sucessos da quarentena. Como foi a experiência de ver tanta gente falando sobre você e contando histórias?

Amo a Teresa e foi um grande prazer aquela surpresa que ela me fez, pois eu nao sabia de nada! Meus filhos Zabelê Pedro Baby esconderam tudo de mim. Sei que o amor que a Teresa sente por mim é verdadeiro! Nos conhecemos há muito tempo, ela sempre me elogia muito! Foi um presente de aniversário muito, muito especial.

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Todos os seus seis filhos tomaram o caminho da música. Olhando para o passado, você e Pepeu chegaram a fazer alguma forcinha ou foi tudo natural?

Está no DNA deles, e até nos dos netos! Sempre incentivamos, mas sempre observando qual era a tendência de carreira de cada um, pra não forçar nada! E todos decidiram pela música sozinhos.

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Já deu pra reunir a família toda em 2020? É difícil organizar encontros que juntem todo mundo?

A familia toda ficou mais difícil, porque alguns moram em outros estados, cidades e fora do Brasil. Mas todosque estão mais estão perto eu já estou mimando muito.

Você tem uma neta de quase 30 anos e um netinho de 2 anos. É uma diferença muito grande, né? Como é a Baby avó?

É interessante, porque posso curtir a infância de um neto e o despertar para a vida do outro. Uma experiência apaixonante, de muito amor. Como avó, me sinto coprodutora com Deus, e privilegiada pela chegada espetacular desses netos. Afinal, se eu não parisse os filhos não teriam nascido os netos. Me sinto apaixonada e muito criança ao lado deles, porque acho que estão me sacando de uma maneira bem analítica e me olhando com os olhos de pureza. E eu gosto muito de ser desvendada com pureza.

Tem algo que você ainda queira realizar na carreira, alguma parceria musical?

Tem várias coisas que quero realizar. Desde um musical da Baby, aos livros, documentário, show com orquestra… Também sonho em cantar ao lado do Quincy Jones. Se ele ainda topasse, eu amaria.

Como é a sua rotina hoje em dia? Faz exercícios físicos, se preocupa com a alimentação?

Minha rotina é livre em termos de horas, mas algumas coisas são fixas, independente do horário que eu acorde ou durma. As vitaminas, a alimentação funcional, o alongamento, os exercícios, a massagem, a música, a guitarra, as orações diárias e o tempo para a familia.

Quanto tempo do seu dia é dedicado a orações?

Fico sempre na plataforma Matrix, mas procuro manter a chama acesa em uma média de uma hora a duas por dia de oração e estudo; podendo ir pra quatro ou cinco horas com um louvor ungido me transportando “para o Reino que não pode abalado”. É uma viagem única!

Você sente algum preconceito por parte de colegas da música por causa da religião?

Não sinto, porque sei que eles sabem que sou livre.

Você se inteira sobre o que acontece na política brasileira?

Eu fico na posição do olhar profético, buscando em Deus as respostas, sem religiosidade, para fazer a minha parte como Ele me orientar. Estou no observatório do Matrix. Eu sou serva, e o que o Senhor quiser que aconteça, é o que acontecerá

Consegue enxergar semelhanças na política e no comportamento da sociedade brasileira da década de 70, quando vocês quebraram vários tabus com os Novos Baianos e a época atual?

Sim, era o começo de uma grande mudança que apontava para a paz e o amor como foco para o futuro. Existiam coisas muito incríveis que pelo menos as duas ultimas gerações não vivenciaram. Como sempre, tivemos muitas coisas ruins, mas muitas coisas excelentes que talvez não vejamos mais, e esse será um grande diferencial.

Como você define Deus?

Meu pai, minha mãe, meu criador, meu marido, meu amado, minha paixão, meu protetor, meu Salvador, meu tudo.

Como imagina a eternidade?

Um espetáculo extraordinário, indescritivel! “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor” ( Apocalipse 21:4). E como também está escrito: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram e nem penetrou em coração humano algum, aquilo que Eu tenho preparado para aqueles que me amam!” 1Corintios 2:9. Whooohooooo!

Depois de Tudo Ainda ser Feliz… É Festa na Floresta – Baby do Brasil. Sexta (4), 22h. Vivo Rio. Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo. R$ 120,00 a R$ 260,00. Ingressos em vivorio.com.br.

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