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Nos Tempos do Imperador: um passeio pelo Rio no clima da novela das seis

Que tal um café com doce português na Casa Cavé, um clique no Real Gabinete Português de Leitura e um tempo de descanso nos jardins da Quinta da Boa Vista?

Por Marcela Capobianco Atualizado em 10 ago 2021, 23h51 - Publicado em 9 ago 2021, 13h18

Após uma longa espera, já que a pandemia paralisou as gravações da novela mais de uma vez, Nos Tempos do Imperador estreia nesta segunda (9), na TV Globo.

O ano é 1856, e o imperador Dom Pedro II, interpretado por Selton Mello, tenta garantir a integração da nação e ampliar os horizontes do povo, investindo na educação, ao mesmo tempo em que se vê apaixonado pela Condessa de Barral, papel de Mariana Ximenes, o que cria uma crise no casamento com Teresa Cristina (Leticia Sabatella). A trama é escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão e tem direção artística de Vinícius Coimbra.

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Inspirada pela primeira estreia de um folhetim em plena pandemia, VEJA RIO preparou um roteiro carioca por lugares que resistem ao tempo e guardam a história da cidade desde os tempos do imperador. Confira.

Um café – e um docinho – na Casa Cavé.

Interior da confeitaria Casa Cavé
Casa Cavé: clássico da cidade, confeitaria abriu as portas no Centro em 1860 Fernando Lemos/Divulgação

Fundada em 1860 pelo francês Charles Auguste Cavé, na esquinas das ruas Sete de Setembro e Uruguaiana, a Casa Cavé é inspirada nos cafés parisienses, mas o destaque do cardápio sempre foram os doces portugueses. É o estabelecimento gastronômico mais antigo ainda em funcionamento na cidade e seu pequeno salão já foi palco de grandes reuniões politicas.

A decoração é um espetáculo à parte. Repare nos vitrais franceses em estilo art nouveau e no painel de azulejos que retrata a Torre de Belém, em Lisboa.

Rua Sete de Setembro, 133, Centro. Seg. a sex. 8h30/19h30. Sáb., 9h30/14h00. Mais informações no site.

Um clique-clichê no Real Gabinete Português de Leitura.

Estantes de livros
Real Gabinete de Leitura: o espaço surpreende com o vasto acervo Alexandre Macieira / Riotur/Reprodução

Localizado em um dos prédios mais imponentes da cidade, pertinho da Praça Tiradentes, o Real Gabinete foi criado em 1837, por iniciativa de um grupo de imigrantes portugueses. A ideia era formar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos de seus sócios, basicamente lusitanos residentes no Rio, então capital do Império.

A atual sede foi inaugurada em 1887, após oito anos de construção. Em 1900, o Real Gabinete deixou de ser um território apenas para os sócios e foi transformado em biblioteca pública. Hoje em dia, o local é um dos mais procurados por quem deseja garantir um post bombado nas redes sociais.

Rua Luís de Camões, 30, Centro. Seg. a sex.,  10h/16h. Grátis. Outros detalhes no site.

Respirar história no Paço Imperial.

Fachada do Paço Imperial
Paço imperial: palco de grandes momentos históricos, o espaço hoje abriga exposições e eventos culturais Alexandre Macieira/Riotur

Primeira residência da Família Real no Brasil, entre 1808 e 1822, o prédio localizado na Praça XV é testemunha da nossa história, com destaque para o Dia do Fico, em janeiro de 1822.

Assim que Dom João VI e companhia desembarcaram nos trópicos a edificação passou por várias reformas para acomodá-los, mas, de acordo com historiadores, o palácio era considerado desconfortável para os monarcas, que se transferiram para a Quinta da Boa Vista no ano da Independência.

Na década de 80, o Paço foi transformado em centro cultural e hoje conta com exposição permanente e diversas mostras temporárias.

Praça Quinze de Novembro, 48, Centro. Ter. a sáb., 12h/17h. Grátis. Informações complementares no site.

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Aproveitar os jardins da Quinta da Boa Vista. 

Lago na Quinta da boa vista
Quinta da Boa Vista: o espaço é um dos preferidos dos cariocas para fazer piqueniques Alexandre Macieira/Riotur

Apesar do incêndio no Museu Nacional, em 2018, representar um prejuízo incalculável para a história do Rio e do Brasil, ainda é possível aproveitar belos dias de sol nos jardins da Quinta, um dos mais importantes espaço de lazer na Zona Norte da cidade.

São cerca de 155 000 metros quadrados de muito verde e, por lá, pode-se perceber que o projeto do paisagista francês Auguste Glaziou segue preservado. O espaço, aliás, abrigou o Jardim Zoológico do Rio, fundado em 1888. No ano passado, a instituição deu lugar ao Bioparque do Rio.

Também é possível explorar as diversas grutas, se exercitar nas quadras poliesportivas e andar de pedalinho nos lagos.

Avenida Pedro II, sem número, São Cristóvão. Todos os dias, 6h/18h. Grátis. 

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Deliciar-se com um prato de história no Rio Minho.

Salão do restaurante Rio Minho, com a Sopa Leão veloso em destaque
Rio Minho: a casa da sopa Leão Veloso permanece firme na Rua do Ouvidor Fernando Lemos/Riotur

Inaugurada em 1884,  a tradicional casa da do Rua do Ouvidor está na quarta geração de donos. Nas paredes há fotos de fregueses renomados, como o embaixador José Sette Câmara (1920-2002) e o ministro Pedro Leão Veloso (1887-1947), que teria passado a receita da adaptação da francesa sopa bouillabaisse, de peixe, lula e camarão, batizada com seu sobrenome.

Com a abertura da Orla Conde, o espaço, que praticamente só abrigava um balcão, ganhou mesas com vista ampla. Destaque para a casquinha de cavaquinha e o bolinho de bacalhau, sempre impecáveis.

Rua do Ouvidor, 10, Centro. Seg. a sex., 11h/16h. 

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Observar as diversas espécies da fauna e flora no Jardim Botânico.

Lago no Jardim Botânico com vitórias-régias e uma queda d'água
Jardim Botânico: não é mais necessário agendar a visita pelo site Alexandre Macieira/Riotur

Com a transferência da Corte para o Brasil, em 1808, várias novidades foram implementadas no Rio. Uma delas foi a criação do Jardim Botânico, em 13 de junho daquele ano, por ordem do príncipe regente português, Dom João VI.

O Jardim da Aclimação, como foi primeiramente nomeado, recebeu especiarias originárias do Oriente, como baunilha, canela, pimentas, entre outras, para adaptação e pesquisa. Ao longo dos anos, outras diversas espécies de plantas foram aclimatadas no jardim, incluindo mudas de chá como a camellia sinensis, utilizadas para produzir o chá preto.

O jardim foi aberto para visitação pública durante o período imperial, a partir de 1822, e hoje é um dos cartões-postais da cidade que muitos desejam conhecer.

Rua Jardim Botânico, 920 e 1008, Jardim Botânico. Ter. a dom., 8h/17h. Ingressos a partir de R$ 15,00 (para moradores do Rio). Informações complementares no site do JBRJ

Sentir-se um príncipe – ou princesa – na Ilha Fiscal.

fachada do castelo neogótico da Ilha Fiscal
Ilha Fiscal: o castelo sediou uma das maiores festas do império Alexandre Macieira / Riotur/Reprodução

Visto por quem aterrissa no aeroporto Santos Dumont ou faz o trajeto de barca Rio-Niterói ou Rio-Paquetá, o castelinho neogótico da Ilha Fiscal se destaca na paisagem da Baía de Guanabara. De longe, imponente, de perto impressionante pelo trabalho artesanal feito por escravos na resistente pedra gnaisse. Os blocos eram retirados da região hoje ocupada pelo shopping RioSul, em Botafogo.

Foram necessários sete anos para concluir a obra, inaugurada com pompa pelo imperador Dom Pedro II, em 1889. A ilha faz parte do Espaço Cultural da Marinha. Apesar do desgaste imposto pelo vento constante e a maresia, mantém-se conservada com constantes reformas.

É necessário comprar o ingresso no site do Espaço Cultural da Marinha e se dirigir à instituição para validar o bilhete e embarcar na escuna que leva os visitantes até a ilha.

Orla Conde (Boulevard Olímpico), s/n, Praça XV, Centro. Qui. a dom., 12h45, 14h15 e 15h30. R$ 36,00. Em caso de mau tempo, o passeio pode ser cancelado.

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Dar aquela esticadinha no Café Lamas.

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Café Lamas: clássico do Rio vai até altas horas Marina Herriges/Riotur/Divulgação

Em 1974, com 102 anos de funcionamento, o estabelecimento teve de mudar do ponto onde surgiu, ao lado Cine São Luiz, em abril de 1974, por conta das obras do metrô. O sobrenome do fundador (Francisco Tomé dos Santos Lamas) deu origem ao nome do negócio, o mais antigo na ativa do país.

Ficou conhecido por abrir durante 24 horas por muito tempo. Na primeira encarnação, a casa só baixou as portas durante a Revolta da Vacina, em 1904, e no dia do suicídio de Getúlio Vargas, cinquenta anos depois. Entre seus frequentadores ilustres consta o ex-presidente, que consumia chá com torradas antes de seguir para o Palácio do Catete.

Até hoje, serve porções fartas e conhecidas, como o filé à oswaldo aranha e pastéis, entre outros. Vale provar o chope, muito bem tirado.

Rua Marquês de Abrantes, 18-A, Flamengo. Todos os dias, 9h30/2h.

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