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Antonio Calloni lança livro: ‘Escritor tem que ser despudorado’

Em Filho da Noite, ator e autor mistura referências como Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Gabriel Garcia Marquez

Por Marcela Capobianco - 23 abr 2020, 12h07

Rosto conhecidíssimo das telinhas, o ator Antonio Calloni também é escritor. Em meio à pandemia do novo coronavírus, ele lança o romance Filho da Noite, uma narrativa noir dividida em duas partes, em que sexo, amor, sonho, fantasia, poesia, violência, lirismo e cruezas cotidianas se misturam. O resultado é um livro com alto poder imagético, que remete o leitor a um mundo de referências. O artista, que escreve desde 1999 e tem cerca de dez livros publicados, entre romances e antologias poéticas, diz que o isolamento social não chegou a afetar o lançamento. “Eu nunca fui fã das noites de autógrafos. Uma vez, lancei um livro junto com o (poeta) Manoel de Barros. Aí valeu a pena”, conta.

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Calloni reconhece que os trabalhos do ator e do escritor são bem diferentes. “O ofício do ator tem o filtro do personagem. É um exercício de entrega absoluta, de se jogar aos leões. Já a função do escritor é despudorada, sem filtro, mais honesta”, compara.

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Durante a quarentena, o ator, que esteve no ar este ano na novela Éramos Seis, da TV Globo, está postando uma série de vídeos declamando poesia em seu perfil do Instagram. Ele também ressalta a importância de fazer doações ao mais necessitados durante a pandemia. “Eu faço questão de doar e mostrar o comprovante da transferência nas redes sociais. Acredito que, assim, eu esteja influenciando – para o bem – outras pessoas. Em momentos de crise, temos de ser generosos, já que o governo, que deveria prover o mínimo, mal faz a parte dele”, protesta.

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Sobre política, aliás, Calloni é categórico. Espera pelas próximas eleições, em 2022, para votar em um candidado democrata. “Torço para que, nas próximas eleições, a gente consiga eleger um candidato que preze pela democracia, pela cultura e pela educação”.

Cinco livros para ler durante a quaretena, por Antonio Calloni 

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Pedimos para o ator e escritor, que também é um exímio leitor, fazer uma lista de cinco histórias imperdíveis para os tempos de isolamento social:

O Estrangeiro – Albert Camus
primeiras histporias – Guimarães Rosa
A Hora da Estrela – Clarice Lispector
Libertinagem – Manoel Bandeira
*E qualquer livro de Manoel de Barros

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