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Depois dos mini weddings, é a vez dos micro weddings, ainda menores

Em uma adaptação aos novos tempos, casais voltam a subir ao altar em celebrações compactas, com bem menos convidados e muita máscara e álcool em gel

Por Luiza Maia Atualizado em 21 Maio 2021, 19h51 - Publicado em 21 Maio 2021, 06h00

Definir a data e o local da festa. Escolher o bufê, a decoração e o DJ. Fazer a lista de convidados, experimentar o vestido, definir os padrinhos. Organizar uma festa de casamento é uma empreitada quase industrial, em que várias engrenagens precisam estar bem azeitadas para a tão aguardada hora do “sim”.

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Pois a pandemia lançou ao índex as grandes aglomerações e, com isso, os ritos do matrimônio ou foram adiados, ou passaram do tamanho GG para o PP, inaugurando uma modalidade batizada de micro weddings, bem mais intimista e com número reduzidíssimo de convidados. Não costuma passar de quarenta pessoas, devidamente ornadas com suas máscaras. “Esse formato vem agradando e, por vir acompanhado de uma série de vantagens, continuará em alta no cenário pós-pandemia”, acredita a cerimonialista Renata Delduque, há uma década no ramo.

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Na prática, um micro wedding pode ter tudo que um casamentão tem, do vestido de noiva dos sonhos ao bolo de inúmeros andares, mas, sendo para menos gente, é bem mais econômico. Além disso, segundo relato de noivos que já trocaram alianças na versão diminuta, o contato com os presentes se torna mais acolhedor. Ela também abre janelas impensáveis quando se está diante de 200, 300 pessoas, como, por exemplo, unir as escovas sob os braços do Cristo Redentor — nesse caso, o limite é de trinta convivas.

“Depois de tanto tempo de quarentena, foi incrível celebrar um momento tão especial num cenário como esses”, conta a consultora Camila Weissman, 29 anos, que se casou com o empresário Fred Weissman, 43, ao pôr do sol de 3 de novembro de 2020. Antes de o novo coronavírus aparecer, os dois queriam mesmo uma festa menor, porém sentiam-se pressionados ao debruçar-se sobre a lista de amigos e familiares — e ter de riscar nomes. Esse peso sumiu. “Sempre me perguntei por que no Brasil, ao contrário de países como os Estados Unidos, os casórios íntimos não são tão comuns. Acho elegante”, diz Fred.

Nestes tempos pandêmicos, um ponto decisivo para os microcasamentos é a segurança à saúde. O número limitado de convidados facilita a realização de testes de Covid-19 antes do rega-bofe e permite maior distanciamento entre eles — um dos motivos para a enfermeira Carolina Tinoco, 28 anos, aderir a uma pequena celebração em família. “Queria muito que a minha avó, de 80, comparecesse e, como ela foi diagnosticada com Alzheimer, não podia esperar muito”, conta. Com a pandemia, Carolina havia pausado os planos do grande dia após ver sua rotina no hospital se intensificar.

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Aí a crise foi se estendendo e ela bateu o martelo: passou a tesoura no rol de 200 convidados e acabou com apenas dezesseis, entre pais, avós, irmãos e primos dela e do noivo, o engenheiro Luiz Felipe Bretas, 29 anos, com quem está há oito. “Ver o sorriso de minha avó naquele dia fez tudo valer a pena. Ela já está até me cobrando um bisneto”, diz. A queda drástica no orçamento também foi motivo para festejar: encolheu de 120 000 reais para 10 000. A mudança para o salão do condomínio da família ainda contou com uma presença ilustre. “Nossa cachorrinha Matilda fez o maior sucesso como daminha de honra”, diverte-se a recém-casada.

Camila e Fred Weissman: a cerimônia aconteceu sob os braços do Cristo para apenas trinta pessoas -
Camila e Fred Weissman: a cerimônia aconteceu sob os braços do Cristo para apenas trinta pessoas – Miguel Sá/Divulgação

Apesar de as cerimônias menores representarem uma via alternativa, o mercado de casamentos, que antes da pandemia girava 2 bilhões de reais por ano no Rio, ainda sofre com o baque. Um levantamento do site iCasei, feito entre janeiro e fevereiro de 2021 com os usuários da plataforma, revelou que o número de eventos encolheu 36%. Mais da metade dos casais afirma que se abriu a adaptações, sempre adotando os protocolos de segurança sanitária.

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“O carioca gosta de eventos grandes, cheios de pessoas, por isso às vezes é difícil reduzir a festa”, ressalta Livia Ganem, há cinco anos no setor. Ela pôs de pé sete matrimônios nos últimos três meses de 2020 — todos no formato mais intimista. “É uma proposta que possibilita a personalização da celebração, trazendo mais significado para os noivos. Tem muita gente, inclusive, optando pelo casório na própria casa da família”, explica.

Enfim, casados: no salão de festas do prédio, Carolina e Felipe entraram com a mascote Matilda como daminha -
Enfim, casados: no salão de festas do prédio, Carolina e Felipe entraram com a mascote Matilda como daminha – Werneck Fotografia/Divulgação

No mundo pré-coronavírus, já havia mini weddings — mais ou menos o dobro do tamanho dos agora micro —, especialmente na Europa, em países como Itália e Portugal, onde as cerimônias em casa são muito comuns. Depois, eles se popularizaram nos Estados Unidos com ilustres adeptos, como a modelo Gisele Bündchen e o dono do Facebook, Mark Zuckerberg. Nos anos 2000, a fórmula mais modesta começou a pipocar aqui e ali no Brasil.

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A pandemia radicalizou o formato, tornando-o menor e cercando-o dos necessários cuidados. Nesse caso, quanto mais criatividade, melhor: minifrascos de álcool em gel são distribuídos como lembrancinhas e petiscos e docinhos, servidos em bem embaladas caixas individuais. Especialistas apostam que, mesmo depois que o vírus der uma trégua, celebrações mais enxutas seguirão em alta. “As pessoas estão cada vez mais analisando com quem realmente importa compartilhar momento tão importante”, acredita Renata Delduque. Que sejam felizes.

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