Mixologista do Suru Bar vai representar o Brasil em competição em Paris
Gean Carlos, de 26 anos, transformou milho em protagonista do copo e se prepara para a final mundial de concurso de coquetéis
Milho, pipoca e uma pergunta: será que um drinque sem álcool poderia vencer uma competição de coquetelaria? Gean Carlos, de 26 anos, resolveu descobrir. Bartender do Suru Bar, descolado e premiado bar da Lapa, ele levou o coquetel batizado de maïs 180 à final brasileira do Monin Cup 2026, disputada em Itu, no interior de São Paulo, e saiu de lá campeão. Em dezembro, embarca para Paris para representar o país na etapa mundial.
A escolha de dispensar o álcool fazia parte da história que Gean queria contar. Sob o tema Timeless Twists, a competição pedia uma releitura de referências do passado. O bartender se inspirou na trajetória da própria Monin, que passou da produção de bebidas alcoólicas à de xaropes, para criar um coquetel com notas doces, tostadas, amanteigadas, ácidas e cheias de especiarias. Na receita, o milho aparece clarificado, tostado e moído, ao lado de ingredientes como Monin Pipoca, gengibre e vinagre. “No fim das contas, foi arriscado, mas quis provar que arriscar é coisa nossa”, diz.
O nome também passou por uma transformação. A primeira ideia era 3M’s, de milho, mocktail e Monin, até uma conversa com amigos render algo mais interessante. Maïs é milho em francês; o número 180 faz referência à temperatura apontada por Gean como ideal para o grão virar pipoca. Brasil e França, portanto, já se encontram no copo antes mesmo da viagem do bartender.
A vitória tem gosto especial para quem começou a trabalhar atrás do balcão em 2019. Gean aprendeu com Luís Fernando Chelmes, mais tarde trabalhou com Tarinny Rabel e fez cursos de bartender e mixologia na Bar Skull. Foi por um programa da escola que encontrou a vaga no Suru Bar. Enviou o currículo assim que viu a oportunidade e foi contratado no dia da entrevista. “Eu era cliente e era um dos bares em que eu gostaria de trabalhar. E, sério, o balcão do Suru Bar é mágico”.
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Foi também do lado de dentro do balcão que ele percebeu o interesse crescente por coquetéis sem álcool. “O cliente quer sair com os amigos, quer socializar, quer a experiência de um bar legal e de um drinque bem executado, mas nem sempre ele quer ou pode consumir álcool naquela noite”, observa. Para quem já está doido pra provar a novidade, não vai ser tão simples. Segundo o criador, o maïs 180 não deve entrar na carta porque seus ingredientes dificultam a produção diária. Ele pretende, porém, organizar um evento para que o público possa prová-lo.
A final mundial será realizada em Paris nos dias 8 e 9 de dezembro. Gean ainda espera conhecer o regulamento antes de decidir se manterá a receita ou mudará a estratégia. Uma possibilidade já está na mesa: “E por que não manter um mocktail?”. Esta, aliás, será sua primeira viagem para fora do Brasil. “Estou ansioso para trocar experiências com bartenders de dezenas de países”, conta.







