Nova rota na Serra fluminense transforma queijos em atração turística
É possível visitar, no momento, seis queijarias de Teresópolis, Friburgo e Sapucaia, mas o número deve aumentar em breve
Complexo composto por três hotéis e cinco restaurantes encravado na Mata Atlântica, o Le Canton, em Teresópolis, oferece uma extensa lista de atrativos cuja intenção é fazer brilhar os olhos dos hóspedes.
A fim de turbinar as benesses que vão de um spa a um parque aquático, uma queijaria foi inaugurada na propriedade, oferecendo onze tipos do latícinio, todos produzidos in loco.
O resort recebe não hóspedes para visitas guiadas ao custo de 50 reais por pessoa e, desde março, integra a Rota Queijeira Serra do Rio, unindo-se a outras seis queijarias de Teresópolis, Friburgo e Sapucaia.
A proposta, capitaneada pelo Teresópolis Convention, é valorizar o trabalho local através do turismo de experiência — segmento que mais cresce no setor e movimentou 271 bilhões de dólares globalmente em 2025, como mostra o relatório The Outlook for Travel Experiences 2019-2029, das plataformas especializadas Arival e Phocuswright.
“A rota dá destaque aos produtores artesanais e valoriza o terroir da Serra fluminense. Isso atrai um público interessado em gastronomia e turismo sustentável”, afirma Mônica Paixão, CEO do Le Canton.
“A partir de agora, vamos poder alcançar um público que ainda não conhece a qualidade dos nossos queijos”, complementa Jhonny Silveira, mestre-queijeiro do complexo.
Os produtores de queijo da Serra já vinham se articulando para fundar um circuito turístico e gastronômico, mas o projeto atual, impulsionado pelo êxito da Rota Cervejeira da Serra do Rio e de outras iniciativas parecidas, como as crescentes vinícolas fluminenses, ajudou a estruturar formalmente o que ainda era um desejo.
O evento de lançamento contou com estandes dos participantes que venderam 100% das mercadorias expostas, surpreendendo organizadores e participantes.
“A rota vem para nos ensinar, nos aproximar e trazer visibilidade para a produção artesanal de queijo. A gente sente que o consumidor ainda tem uns preconceitos, porque ainda não somos tão conhecidos quanto as grandes marcas”, analisa Javier Maciel, à frente da Capriana, de Sapucaia, a primeira granja leiteira de cabras do Brasil.
Os participantes vêm abrindo suas porteiras para visitação, permitindo que moradores e turistas acompanhem de perto o passo a passo da fabricação, que vai desde o manejo do rebanho até as diferentes etapas dos processos de maturação, finalizando com uma degustação, é claro. Nesse primeiro momento, os agendamentos são feitos diretamente com cada empreitada (veja os detalhes no box).
Movimento semelhante acontece no Vale do Café, onde a bem-sucedida Rota do Queijo de Valença, criada há cinco anos, consolidou o município como um consistente polo da produção artesanal no país, acumulando premiações nacionais e internacionais.
“Isso não é por acaso, é fruto de trabalho duro, com constância. Hoje temos uma associação dos leiteiros e nosso queijo virou patrimônio cultural do estado”, orgulha-se Fabrício Vieira, proprietário do Capril do Lago.
O sapucaia do lago, maturado ao longo de 21 dias em cuias da árvore, foi considerado, em abril, o melhor queijo de cabra do mundo. “Hoje em dia, não precisamos mais de intermediários, conseguimos vender na própria fazenda e ainda oferecer um passeio completo aos visitantes”, aponta Vieira.
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A rota da Serra deve ganhar, em breve, mais três representantes e é o embrião de um projeto maior, a ser lançado no segundo semestre.
“Em parceria com Nova Friburgo, estamos desenvolvendo o passaporte da Serra do Rio, criando um circuito para englobar, além dos queijos, também vinhos, doces e cervejas artesanais”, destaca Helem Azevedo, presidente do Convention Teresópolis.
Uma pesquisa da TRVL Lab com o Sebrae confirma: para 86% dos viajantes, as experiências vivenciadas são o aspecto mais importante de uma viagem. É tempo de valorizar o que é nosso — e é, sim, muito bom.
Trilha de sabores
Como visitar e o que provar nas queijarias do novo circuito
Queijaria Cervejeira da Serra, em Teresópolis.
O negócio começou com queijo frescal e evoluiu para experiências com maturação e cerveja. A visitação gratuita acontece às terças, quintas e sábados, às 9h e às 13h.
(11) 98908- 4429. @queijariacervejeiradaserra
Queijaria .Q, em Friburgo.
Bangalôs recebem os visitantes das 9h às 17h30. O pacote para casais custa R$ 300,00 e inclui uma garrafa de vinho e uma tábua com sete tipos de queijo.
(22) 98106-9793. @queijaria.q.
Capriana, em Sapucaia.
A visitação guiada inclui café de boas-vindas, almoço e atividades com as cabras. O ingresso custa 199 reais por adulto e 99 reais para crianças entre 5 e 10 anos.
(21) 997521-9551. @caprianagranjaleiteira.
Queijos Genève, em Teresópolis. Mais de dez tipos de queijos mofados, cremosos ou secos, como o pyramide (foto), são comercializados por lá. O tour e a degustação são gratuitos e acontecem de quarta a domingo, das 10h às 17h.
(21) 99495-3502. @queijosdecabrageneve.
Vale das Palmeiras, em Teresópolis. Dos cerca de 200 hectares de solo fértil brotam hortaliças, frutas e café. Os laticínios também são orgânicos. Aos sábados, agências cobram a partir de 160 reais.
(21) 3641-9671. @valedaspalmeirasorganicos.
Queijaria do Hotel Le Canton, em Teresópolis. Na degustação, o destaque é o tempéré, medalha de bronze na França. Os passeios acontecem das 10h às 16h e não hóspedes pagam 50 reais convertidos em consumo.
(21) @98879-5346. @lecanton.







