O que provar no Latina, o novo bar da chef Roberta Antônia, na Lapa
Em seu trabalho mais autoral, chef aposta em petiscos brasileiros cheios de bossa
Uma coxinha generosa, um bolinho de vagem, um picadinho para beliscar. Nas mãos de Roberta Antônia, essas receitas ganham detalhes que fazem diferença à mesa: frango defumado no recheio, queijo de cabra para acompanhar, ovo pochê sobre a carne. Depois de passagens por Suru Bar, Suru Bafo e Balcão 201, a chef abre o Latina, novo bar na Rua dos Inválidos 191, na região da Lapa, o seu projeto mais autoral, ao lado da esposa, Raquel Dantas, responsável pelos drinques. A ideia cabe numa frase que orienta tanto a cozinha quanto o balcão: “ser feliz no simples”.
“Sempre quis ter um espaço pequeno, onde pudesse receber as pessoas, com a minha pegada de comida brasileira”, conta Roberta. No novo bar do Centro, o repertório de boteco encontra lembranças da infância, sabores descobertos em viagens e receitas que ela resolveu fazer à sua maneira. O cardápio, escrito na parede, acompanha essa liberdade: algumas pedidas devem permanecer, enquanto outras vão entrar, sair e voltar conforme a resposta do público e as ideias da cozinheira.
Na primeira leva, a coxinha de frango defumado chega com molho de catupiry. Já o bolinho de vagem, daqueles do receituário dos botequins, ganha a companhia de queijo de cabra cremoso, para envolver cada bocada. O picadinho aparece em versão aperitivo, coroado por ovo pochê e couve frita, com pão para aproveitar o molho. Completam as sugestões um sanduíche de camarão e o salpicão de atum curado, alternativa mais leve entre as beliscadas.
Há espaço também para receitas sem carne. Roberta prepara a própria massa da lasanha vegetariana, recheada de abóbora e queijo canastra. No cogumelo baiano, petisco vegano, revisita os sabores de um período em que morou na Bahia. Selado em fogo bem quente para ganhar um gostinho de chamuscado, ele recebe molho de leite de coco, dendê e pimenta-de-cheiro, além de amendoim. Também vem com pão, daqueles acompanhamentos que acabam trabalhando até a última gota.
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Quem conhece a trajetória da chef pode reconhecer uma assinatura na sobremesa. “A galera toda perguntou: ‘E aí, vai ter pão de queijo frito?’, em referência a um dos carros-chefe do Suru Bar. Vai ter, sim, mas uma releitura. No Latina, ele aparece recheado de goiabada e passado no açúcar com canela. Para a turma do chocolate, há ainda um bolo com laranja confitada.
No balcão, Raquel traduz a mesma proposta com cachaça, frutas, cascas e ervas. “A minha ideia é entregar bastante brasilidade”, resume. As infusões são o ponto de partida dos três primeiros coquetéis autorais: o fogo da lapa leva cachaça infusionada com cravo; outra receita combina a bebida com abacaxi e um toque do amargo de raízes Paratudo. A terceira reúne conhaque de alcatrão e um xarope que ela apelidou de “ervas mágicas”, preparado com ingredientes como louro, hortelã e manjericão.
A inspiração vem também das prateleiras de cachaças dos botequins da Lapa, região da qual Raquel quer fazer parte. “Eu queria participar disso também, trazer um pouco dessa regionalidade e do Brasil inteiro”, explica. Entre os autorais, que também devem mudar com o tempo, haverá clássicos e batidinhas. Um convite para puxar a cadeira, pedir mais uma rodada e deixar a conversa correr.






