Clique e assine por apenas 4,90/mês

Comida japonesa por delivery: pedir ou não durante a pandemia?

Como ter segurança em tempos de coronavírus, segundo a Anvisa e infectologistas

Por Carolina Barbosa - Atualizado em 15 Maio 2020, 18h44 - Publicado em 15 Maio 2020, 18h33

Diante da pandemia causada pelo novo coronavírus, uma dúvida recorrente a quem gosta de saborear um bom sushi ou sashimi é: devo parar de comer? Posso me infectar? É seguro comer? Para esclarecer essa questão, VEJA RIO consultou dois infectologistas e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), claro. “Não existem comprovações ou evidências, mesmo que indiretas, sobre transmissão do novo coronavírus por via alimentar, apenas por via respiratória. A razão pela qual higienizamos as embalagens de delivery em casa é porque elas são manipuladas e podem ser um risco de contaminação na nossa via respiratória por meio indireto, ou seja, você pode encostar numa embalagem contaminada e levar a mão ao nariz ou à boca e, aí sim, passa a ser um vetor de contaminação. Alimentos crus podem causar, sempre, não só na pandemia, um risco de contaminação bacteriana ou parasitária, mas não por Covid-19”, afirma o médico Luis Fernando Waib, especialista em infectologia hospitalar e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia.

+Perfil viraliza com fotos de receitas desastrosas no isolamento social

Para Leonardo Weissmann, médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, o cuidado com alimentos crus deve ser recorrente, não só em tempos de pandemia. “O ideal é o consumo de alimentos cozidos. Mesmo conhecendo o local, o risco de uma verminose existe. Diferentemente de outros alimentos in natura (frutas, verduras, legumes), não há como lavar o peixe cru com água e sabão ou hipoclorito de sódio. Por isso, eles devem ser manipulados com muito cuidado na higiene”, explica. “O SARS-CoV-2 é um vírus novo. Ainda há muito a ser descoberto sobre ele. Independentemente da pandemia, o cozinheiro deve higienizar frequentemente as mãos, não pode tossir ou espirrar em cima do alimento ou nas mãos e as superfícies de preparo devem ser devidamente limpas e desinfetadas”, reforça.

+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

Apesar de não ter orientações específicas a itens como sushis, sashimis e tartares, em nota, a Anvisa reforçou sobre a falta de evidências de contaminação pelo novo coronavírus por meio de alimentos. “É importante destacar que alimentos consumidos crus tem em si um risco natural, visto que o cozimento é um instrumento eficaz para tratar o alimento. No caso de alimentos que são habitualmente consumidos crus, deve-se ter atenção redobrada com a procedência e a higiene”.

+Covid-19: Pizzaria Parmê demite quase 500 funcionários no Rio

Em resumo, vale a relação de confiança (sempre) na higienização do estabelecimento, a fim de não contrair gastroenterite ou difilobotríase (causada pela tênia intestinal) e anisaquíase (caracterizada por doença aguda no trato intestinal), por exemplo. E bom senso! Confira os esclarecimentos da Anvisa sobre os cuidados na pandemia:

 A Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos (European Food Safety Authority – EFSA), quando avaliou esse risco em outras epidemias causadas por vírus da mesma família concluiu que não houve transmissão por alimentos.  

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a OMS, o comportamento do novo coronavírus deve ser semelhante aos outros tipos da mesma família. Assim sendo, ele precisa de um hospedeiro – animal ou humano – para se multiplicar. Além disso, esse grupo de vírus é sensível às temperaturas normalmente utilizadas para cozimento dos alimentos (em torno de 70ºC). 

A dinâmica dessa pandemia mostra que a transmissão tem ocorrido de pessoa a pessoa, pelo contato próximo com um indivíduo infectado ou por contágio indireto, ou seja, por meio de superfícies e objetos contaminados, principalmente pela tosse e espirro de pessoas infectadas. 

O fato é que o vírus pode persistir por poucas horas ou vários dias, a depender da superfície, da temperatura e da umidade do ambiente, mas é eliminado pela higienização ou desinfecção. Assim sendo, uma das estratégias mais importantes para evitar a exposição é redobrar os cuidados com a higiene. Os cuidados básicos na manipulação de alimentos previnem, aliás, uma série de outras doenças. 

Continua após a publicidade

Princípios básicos de higiene 

Nos serviços de alimentação e nos ambientes domésticos, é importante observar os seguintes princípios básicos de higiene: 

1- Quem prepara os alimentos deve lavar as mãos com frequência e, principalmente, depois de: 

Tossir, espirrar, coçar ou assoar o nariz. Coçar os olhos ou tocar na boca. Preparar alimentos crus, como carne, vegetais e frutas. 
Manusear celular, dinheiro, lixo, chaves, maçanetas, entre outros objetos. Ir ao sanitário. Retornar dos intervalos. 

2- Ao lavar as mãos, use bastante água corrente e sabão líquido ou outro produto destinado ao mesmo fim (leia as informações na embalagem). Não se esqueça de esfregar bem todas as áreas das mãos, incluindo as pontas e as regiões entre os dedos, além dos punhos. Conheça as orientações para correta higienização das mãos. 

3- Mantenha as unhas curtas, sem esmaltes, e não use adornos que possam acumular sujeiras e microrganismos, como anéis, aliança e relógio.  

4- Não converse, espirre, tussa, cante ou assovie em cima dos alimentos, superfícies ou utensílios. A recomendação vale para o momento do preparo e na hora de servir. 

5- As superfícies e utensílios que entram em contato com os alimentos devem estar limpos. Use saneantes, ou seja, produtos de limpeza devidamente regularizados na Anvisa e que sejam indicados para a respectiva finalidade. Para isso, confira as informações na embalagem do produto. 

6- Dê mais atenção à higienização das superfícies ou utensílios após a manipulação de carnes cruas ou vegetais não lavados. Esses alimentos são reconhecidos como fonte de contaminação de doenças transmitidas por alimentos (DTAs). 

7- Quando uma pessoa com doença infecciosa for manipular um alimento, é preciso avaliar se há risco de o agente da doença ser transmitido. Nos serviços de alimentação, a doença deve ser relatada ao supervisor, que dará as orientações sobre como proceder.  

8- Cozinhe bem os alimentos, uma vez que muitos dos agentes transmissores da doença são sensíveis ao calor. No caso de alimentos que são habitualmente consumidos crus, deve-se ter atenção redobrada com a procedência e a higiene. 

9- Não use e não compre produtos com embalagens amassadas, estufadas, enferrujadas, trincadas, com furos ou vazamentos, rasgadas, abertas ou com outro tipo de defeito. Limpe bem as embalagens antes de abri-las. 

Continua após a publicidade
Publicidade