O novo Baixo Lagoa: área do Parque do Cantagalo conquista cariocas e turistas
Atividades esportivas, brunch e passeios turísticos renovam o cartão-postal carioca
A vida começa cedo na Lagoa. Entre 5h e 6h, surgem os primeiros corredores e ciclistas.
A manhã avança e, nas proximidades do Corte do Cantagalo, a programação se diversifica: há quem aproveite as quadras para jogar tênis, quem estenda o tapete para uma aula de ioga ou prefira se acomodar nos quiosques para um café ou uma boa refeição.
Mais tarde, famílias e grupos de amigos chegam para piqueniques, confraternizações e passeios com os pets.
“O carioca está redescobrindo esse trecho da Lagoa. Ali, esporte, lazer e gastronomia se misturam e fazem o local ser cada vez mais ocupado ao longo de todo o dia”, percebe Fernando Alves, administrador da Fine Foods, concessionária responsável pela gestão dos quiosques da área.
Nos últimos anos, Badalado, Quintal do Rio e Vidah Gastro Lounge se instalaram por ali, ajudando a dar forma ao apelido ‘Baixo Lagoa’.
Desde março, SO_Lo Café e The Simple Run Club dividem um espaço. De um lado, corrida; do outro, brunch, numa dobradinha que vem ajudando a atrair mais gente.
O público do SO_Lo pelas manhãs é variado, dos turistas que agora incluem a Lagoa no roteiro aos cariocas que aparecem, às vezes, em grandes grupos. “O quiosque estava fechado há muito tempo, sem ninguém operando. Assim que nós abrimos, a clientela veio em peso e agradeceu muito por ocuparmos o local”, conta o empresário Fernando Kaplan, à frente da marca.
Recentemente, a unidade trouxe o sorvete de máquina nos sabores matchá e baunilha, sem ingredientes artificiais.
O cardápio dispõe de opções para quem combina exercício e refeição, como bowls de iogurte e açaí, sanduíches e tapiocas.
Ao lado das mesas, chama a atenção a estrutura do The Simple Run Club, que oferece aos corredores espaço para aquecimento e alongamento, vestiários, armários e até sauna e banheira de gelo.
A engenheira civil Fernanda Blyth, de 26 anos, já corria pela Lagoa quando entrou para a assessoria da Simple Run, em maio.
Moradora da Urca, a jovem mantém os treinos presenciais aos sábados e aponta a vista, o fácil acesso por carro ou transporte público e a nova estrutura do clube como alguns dos atrativos.
“Chego às 6h para treinar e já tem gente correndo. Quando vou mais tarde, dependendo do dia, fica até meio complicado, porque tem aula coletiva, chá de bebê, gente praticando esporte. Tudo isso coexiste”, explica.
Uma pesquisa realizada por três universidades espanholas no pós-pandemia provou que atividades ao ar livre trazem mais benefícios físicos e mentais do que as executadas em ambientes fechados.
No Baixo Lagoa, a paisagem ajuda a incrementar a experiência.
“Há uma procura crescente por práticas que consigam integrar corpo e mente, e estar em meio à natureza potencializa isso”, afirma Fernanda Ribeiro, uma das quatro professoras do projeto Yoga na Lagoa, criado há quase três anos.

Desde a inauguração do Vidah, em maio de 2025, o coletivo começou a oferecer aulas para até vinte alunos no quiosque.
A programação, por sinal, vai além do bem-estar e da gastronomia. “Recebemos ações de marcas ligadas a moda e cultura e, uma vez por mês, promovemos uma exposição de fotografia. Essa mistura cria uma dinâmica muito bacana”, afirma Edson Bregolato, à frente do Vidah Gastro Lounge.

Já o Badalado e o Quintal começaram a esquentar ao longo da tarde, com música ao vivo e transmissão de futebol. As novidades dos estabelecimentos e a agenda de atrações também são reunidas no perfil @baixo.lagoa, no Instagram, criado pela Fine Foods.
A ocupação, porém, ainda está longe de ser uniforme. Dois quiosques tiveram seus contratos encerrados neste ano: o restaurante Mandarim e o Clássico Club.
Segundo a administradora, ainda não há previsão de novos operadores.
A paisagem da Lagoa está diferente. Iniciado em 2023 pela prefeitura e a Fundação Rio-Águas, o processo de naturalização revitalizou, na primeira etapa, uma área de 1 500 metros quadrados na altura do Parque do Cantagalo, alterando o percurso da ciclovia e possibilitando o retorno da fauna e da flora locais.
Em outubro de 2025, placas com QR Codes foram instaladas para contar a história da recuperação do manguezal e identificar espécies que voltaram ao habitat, despertando a curiosidade do público.
“Ninguém se apaixona ou cuida de algo que não conhece”, resume o biólogo Mário Moscatelli, coordenador técnico do projeto de revitalização ao lado da filha, a paisagista Carolina Moscatelli.
Em parceria com a Águas do Rio, o biólogo elaborou uma cartilha sobre as espécies nativas, distribuídas a profissionais de turismo.
“Os visitantes se interessam muito pelos animais e pelas mudanças na qualidade da água. Estou testando novos roteiros e vejo potencial para criar experiências voltadas também à biodiversidade da Lagoa”, conta o guia Samuel Santos, da Samuca Adventure, que passou a utilizar o livreto e vem testando diferentes roteiros, incluindo os tradicionais pedalinhos, bicicleta, vela e até canoa havaiana.
É possível desfrutar de um dos cenários mais icônicos do Rio a qualquer hora do dia e de jeitos diferentes.

Do esporte ao brinde
Programas para curtir no point
Comer e beber.

Vidah (@vidahgastrolounge) e SO_Lo (@so_lo.cafe) para brunch; Badalado (@badalado_rj), Quintal do Rio (@quintaldorio) para o fim de tarde e noite.
Correr e pedalar. A ciclovia ao redor do espelho d’água tem cerca de 7,5 quilômetros e há aluguel de bicicletas em diferentes pontos.
Praticar esportes coletivos.

Aulas e grupos de diferentes modalidades ocupam o entorno, como o Yoga na Lagoa (@yoganalagoarj).
Andar de pedalinho.

Um clássico para apreciar a paisagem de dentro d’água e criar memórias em família.
Avistar Capivaras e outros animais. As estrelas da fauna local ganharam até sinalização, indicando trechos nos quais onde costumam aparecer.







