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Bruno Chateaubriand

Por Bruno Chateaubriand, jornalista
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É certo o Guia Michelin esnobar restaurantes da Barra e da Zona Norte?

Mesmo com investimento de R$ 6,5 milhões, avaliadores da prestigiada publicação só visitaram estabelecimentos na região Central e na Zona Sul

Por Bruno Chateaubriand Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
22 Maio 2024, 12h19

A prefeitura do Rio de Janeiro não poupou esforços – e dinheiro – para trazer de volta o Guia Michelin para a Cidade Maravilhosa. Foram gastos 4,5 milhões de reais para que estabelecimentos cariocas fossem avaliados pelos inspetores da prestigiada publicação este ano e nos próximos dois anos, 2025 e 2026.

E, para que a cerimônia de premiação fosse realizada aqui, com toda a pompa que a festa merece, mais 1,9 milhões de reais foram investidos no aluguel e a produção do evento no Copacabana Palace. Todos esses dados foram publicados no Diário Oficial.

O contrato, aliás, afirma que o Rio tem direito de preferência em iguais condições com outras cidades do território avaliado, a ser nomeada como Cidade Anfitriã no anos posteriores ao término da vigência do documento.

Foi importante? Sim, foi. O Rio só tem a ganhar com essa ação inédita, em que a Secretaria Municipal de Turismo busca incentivar que visitantes de alto padrão venham ao Rio com regularidade, encontrando aqui um porto seguro de experiências gastronômicas de alto nível.

No entanto, uma coisa chamou a atenção na divulgação de restaurantes estrelados e recomendados pelo clássico guia. Uma região gigantesca da cidade chamada Barra da Tijuca não foi mencionada com nenhum restaurante. Nem estrela, nem indicação. E sabemos que o bairro dispõe de excelentes opções gastronômicas.

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Casa Tua, Ocyá da Ilha Gigoia, Adega Santiago, Shiso, Naga, todos na Barra, foram visitados pelos inspetores do Guia Michelin? A Casa do Sardo, em São Cristóvão, não vale uma visita, assim como o clássico Adegão Português?

Entre os estrelados cariocas, todos estão na Zona Sul (Oteque e Lasai no Humaitá, Oro e San Omakase no Leblon, Cipriani e Mee em Copacabana). Dos sete Bib Gourmand, espécie de categoria “bom e barato”, todos estão na Zona Sul, entre Botafogo e Ipanema. Já na lista de selecionados para o guia, dos 29, apenas 5 estão fora da Zona Sul (Aconchego Carioca, Aprazível, Lilia, Corrientes 348, Térèze, todos na região Central da cidade).

Isso é péssimo quando se fala de Rio de Janeiro, uma cidade com muitos atrativos e regiões. Seria como chegar em Paris e só ser avaliados os endereços do Carré d’Or, uma região de alto padrão de endereços. Isso, inclusive, não converge com a narrativa de um guia que tem sua história baseada em pneus e rotas diversas.

A rapidez na avaliação de um guia deixa questionamentos. As recomendações foram apenas para região Central e Zona Sul ou para toda a cidade? Não vale a pena explorar os sabores da Zona Norte e da Zona Oeste?

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Existe muita comida de perfil prêt-à-porter, se usarmos a linguagem da moda, mas existe muita narrativa autoral de padrão elevado. O Ocyá recomendado foi o do Leblon, que não possui o charme e a autoralidade do original, na Ilha da Gigoia.

O Guia Michelin, apesar da relevância e seriedade, ainda carrega um formato “colonizador x colonizado”, em que a identidade de regiões tenham que se basear em modelos europeus.

Vibramos com os nossos vencedores, mas o questionamento saudável se faz necessário, ainda mais quando existe dinheiro de contribuinte carioca. Afinal, a avaliação deveria ter sido feita em toda a cidade, e não apenas em alguns bairros. Os avaliadores realmente atravessaram os túneis rumo às zonas Norte e Oeste? Experimentaram os sabores e realmente não gostaram do que provaram? Seria ótimo se tivéssemos essas respostas…

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