Rei do espetinho vai faturar 63 milhões de reais em 2017

Filho de porteiro e empregada doméstica, Leandro Souza, dono da rede Espetto Carioca, já estacionou o Porsche de Sylvester Stallone em Los Angeles

Todos os dias cerca de 8 300 espetinhos são colocados na brasa. Isso equivale a 250 000 unidades vendidas por mês pela Espetto Carioca, uma rede em que a única concessão a um estilo, digamos, gourmetizado é o “t” dobrado no nome. Criada pelo carioca Leandro Souza, a cadeia vem se expandindo em ritmo acelerado e conta com trinta filiais. Nessa velocidade, a empresa fundada pelo filho único de um porteiro e de uma empregada doméstica, nascido no subúrbio de Anchieta, tornou-se a segunda franquia que mais expande sua operação no Rio. Leandro do Espetto, como é conhecido, comanda, aos 35 anos, um negócio que cresceu 56% em 2016 e fechou o ano com faturamento de 53 milhões de reais. De lá para cá, foram inauguradas três filiais no interior de São Paulo, em sociedade com o cantor sertanejo Matheus Aleixo, da dupla Matheus e Kauan, além de uma unidade em Minas Gerais. Para 2017, Souza tem metas ainda mais ambiciosas. “Vou levar o churrasquinho de gato gourmet para todo o Brasil”, garante o empreendedor, cujo objetivo é encerrar este ano batendo a marca de 63 milhões de reais.

Em uma economia que vai mal das pernas, o setor de franquias voltadas para a alimentação revela uma pujança animadora no Estado do Rio. O segmento foi o que mais cresceu no primeiro semestre deste ano. Não à toa, o rei do espetinho trabalha a todo o vapor com seu mais audacioso projeto, mesmo em tempos de crise. Até o mês que vem, vai lançar, em postos de gasolina, uma espécie de loja de conveniência para churrasco no formato de contêiner. “Venderemos de espetos pré­-processados a carvão, incluindo sal grosso, molhos, batata frita, cerveja artesanal, faqueiros e avental com marca própria”, explica Souza, já com contrato fechado com a distribuidora de combustíveis Ipiranga. O valor do investimento inicial é de 150 000 reais por unidade, e ele já tem 24 pedidos de franquia em análise, mais 483 na fila de espera. Até mesmo o cantor Luan Santana, amigo do sertanejo Matheus, se interessou. “Estamos no momento de apostar em versatilidade. Modelos como os contêineres e os food trucks oferecem custo mais viável e são uma boa alternativa”, corrobora Eliane Bernardino, presidente da Associação Brasileira de Franchising do Rio.

(Espetto Carioca/Divulgação)

Administrador autodidata, Souza tem aptidão para negócios desde criança. Aos 13 anos, começou a trabalhar como entregador de jornal, e mais tarde como office-boy. Aos 19, juntou todas as suas economias e partiu para os Estados Unidos com 1 000 dólares no bolso. Em Los Angeles, foi entregador de pizza, segurança de boate e manobrista. “No meu terceiro dia de trabalho no valet, estacionei o Porsche do Sylvester Stallone”, relembra, às gargalhadas. Foram sete anos e meio no exterior até a volta ao Rio para abrir o próprio negócio, em 2011. Viciado em trabalho, ele dorme de quatro a cinco horas por noite. Na última edição do Rock in Rio, onde vendeu seus espetinhos na área de fast-food do festival, bateu ponto todos os dias na área vip. No Carnaval, divide-se entre os camarotes da Sapucaí e os de Salvador. Simultaneamente à franquia nos postos, Souza toca o projeto de fornecer aos supermercados Guanabara espetinhos congelados para preparo doméstico. A comercialização está prevista para o fim do ano.

Ídolo de uma legião de self-made men brasileiros, Souza tem no empresário Abilio Diniz, fundador da rede Pão de Açúcar, sua grande inspiração. O carioca não perde um único congresso em que o empresário seja anunciado como palestrante. Aprendeu com Diniz uma das principais lições do mundo dos negócios: não colocar todos os ovos na mesma cesta. Entre seus investimentos estão, por exemplo, os imóveis — inclusive a mansão onde mora. Trata-se de um casarão no Recreio, no mesmo condomínio onde a atriz Carolina Dieckmann tem casa. Lá, divide a vida com seu cachorro de estimação, um stafford­shire terrier chamado (adivinhem só) Espetto. “Sou um cara simples. Só tenho carrão e Rolex porque a sociedade exige. Ando de helicóptero às vezes, mas não deixo garçom trazer champanhe com foguinho. Pode até ser status, mas acho muito brega”, diz. Leandro Souza conta que já recebeu inúmeras ofertas para vender a rede de churrasquinho, o que lhe permitiria uma vida confortável apenas com os rendimentos da operação. Mas afirma que tal possibilidade nem passa por sua cabeça. “Vou transformar o Espetto no McDonald’s brasileiro”, dispara. Haja carvão.

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