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Animais do zoo convivem com barulho e poeira de obras

Grupo Cataratas, que assumiu a concessão do espaço em 2016 para criar o BioParque, afirma que plano de manejo tem aprovação do Ibama e Inea

Por Marcela Capobianco 13 out 2020, 18h54

Com as obras atrasadas por causa da pandemia, os 820 animais que vivem no novo zoológico do Rio – rebatizado de BioParque – têm convivido com barulho de britadeiras, motosserras e muita poeira. Os outros cerca de 300 animais que pertencem ao zoo carioca estão temporariamente em criatórios no interior fluminense, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

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Nesta terça (13), houve uma vistoria de vereadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instituída pela Câmara Municipal do Rio, que apura indícios de irregularidades na execução do contrato de concessão para gestão e exploração do local, assinado pelo Grupo Cataratas no final de 2016.

O cenário foi bem diferente do encontrado em três visitas surpresas feitas pelo vereador Dr. Marcos Paulo (PSOL), presidente da Comissão de Saúde Animal da Câmara Municipal. “Nas vezes em que fui ao BioParque sem avisar, encontrei muitas pessoas trabalhando na obra, havia bastante barulho, caminhões entrando e saindo a todo momento. Os animais estão vivendo sob muito estresse, com as jaulas cercadas por tapumes de metal. A ideia do BioParque é deixar os animais livres, mas até a inauguração não sabemos o quão desgastante vai ser para os animais que lá estão”, afirma o vereador.

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O BioParque se defende afirmando que a obra tem creditação técnica, com plano de monitoramento de ruído para garantir o bem-estar dos bichos. O plano de manejo da fauna, segundo Manoel Browne, diretor de operações do Grupo Cataratas, foi aprovado pelo Ipbama e pelo Inea. Browne diz ainda que os tapumes metálicos foram colocados na frente de algumas jaulas justamente para abafar o barulho da obra.

“Estamos investindo mais de 80 milhões de reais no BioParque, para proporcionar uma experiência imersiva aos visitantes e, ao mesmo tempo, levantar um centro de pesquisa e conservação animal altamente tecnológico. Não faria sentido deixar os animais em condições insalubres durante as obras”, diz o executivo.

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Visita surpresa: no dia 1º de outubro, vereador Marcos Paulo flagrou jaulas tapadas no BioParque Divulgação/Divulgação

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De acordo com o vereador Marcos Paulo, uma parte dos animais foi enviada a um criatório em Cachoeiras de Macacu e não há registro da transferência dos bichinhos. “Quando a prefeitura foi fiscalizar o criatório, o dono do local disse que alguns animais morreram por lá, mas não há laudo de necrópsia. Como saber se os bichos realmente morreram ou se foram vendidos? Isso tudo precisa ser fiscalizado cuidadosamente”, ressalta.

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O Grupo Cataratas afirma que todos os documentos relativos às transferências e laudos de mortes foram entregues aos parlamentares que estiveram na vistoria desta terça (13).

O BioParque do Rio seria inaugurado em julho deste ano, mas a pandemia acabou atrasando o cronograma. A previsão é de que as obras terminem em meados de dezembro e que a abertura ao público em geral aconteça no primeiro trimestre de 2021.

 

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