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Com venda da sede do Museu de Arte Naif do Rio, 6000 obras estão sem destino

Ex-proprietária e diretora do Mian planeja manter duas mil delas no Brasil; outras quatro mil começam a ser negociadas com instituições estrangeiras

Por Da Redação Atualizado em 27 jan 2022, 14h12 - Publicado em 27 jan 2022, 14h08

Fechado em 2016, o Museu Internacional de Arte Naïf (Mian), no Cosme Velho, agora não tem mais sede. O casarão do século XIX em que funcionou a partir de 1995 foi vendido, por 4 milhões de reais, na semana passada após quase oito anos de abandono. Com isso, a maior coleção de arte naïf do mundo não está mais no imóvel: seis mil obras de artistas de 120 países estão sem destino e foram parar num guarda-móveis, sem refrigeração ou controle de umidade. O termo naïf é usado para designar um tipo de arte popular feita, muitas vezes, por artistas sem iniciação acadêmica.

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Segundo a ex-proprietária e diretora do museu, Jacqueline Finkelstein, não havia escolha. Só de manutenção, o imóvel tinha um custo médio de seis mil reais mensais. Ela – que não revela a identidade do comprador, que pediu anonimato, mas seria uma empresa – pretende vender o acervo – ou cedê-lo em comodato – para alguma instituição pública ou privada. A ideia é manter no país 2.000 obras. Até o momento, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu do Sol, de Penápolis, no interior paulista, mostraram interesse em receber parte dos quadros. Também estão sendo acertados os últimos detalhes para o repasse da maior tela de arte naïf do mundo – “Brasil, Cinco Séculos de Luta”, de Aparecida Azedo – ao Museu Histórico Nacional. As outras quatro mil telas do acervo devem deixar o país em breve. Já foram iniciadas, por exemplo, tratativas com o Museu Naïve de Jagodina, na Sérvia.

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“No Brasil, e principalmente no Rio, falta a cultura da cultura. E sobre arte naïf existe um desprezo. Acho que os europeus vão admirar mais a arte brasileira”, afirmou Jacqueline ao jornal Folha de São Paulo.

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arte naif
Naif: termo é usado para designar um tipo de arte popular feita, muitas vezes, por artistas sem iniciação acadêmica. Internet/Reprodução

Fundado em 1995 para abrigar a coleção do pai de Jacqueline, o francês Lucien Finkelstein, o Mian tinha em seu acervo obras de Miranda, Antonio da Silva e Maria Auxiliadora. O primeiro sinal da crise veio em 2008, ano da morte de Lucien. A prefeitura interrompera o financiamento de 16 mil reais por mês, que ajudava a cobrir os custos do casarão. Sem a verba, E o Mian fechou as portas pela primeira vez. Mas em 2011, Tatiana Levy, filha de Jacqueline, assumiu a gestão do museu, integrando as exposições a programas educativos, o que levou a um aumento de público. Mas a situação voltou a se complicar. A família buscou apoio do poder público – nas esferas municipal e estadual – e da iniciativa privada, mas durante oito anos nenhum patrocinador se sensibilizou. A última exposição do acervo ocorreu em 2019, em parceria com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

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“Na arte dita naïf, o Brasil pode se ver. Lastimo muito, mas sei que há um desejo internacional por esse tipo de produção”, comentou Ulisses Carrilho, organizador da mostra, que rejeita o termo naïf, por considerá-lo pejorativo. “Os campos cromáticos explorados são muito interessantes. Dentro da representação, esses artistas ousavam mais no uso de cores calorosas”.

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