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Venda de ‘cogumelos mágicos’ cresce no Rio

Ausência de legislação clara e falta de comprovação científica sobre os efeitos do uso da substância ampliam o debate

Por Da Redação
16 mar 2026, 13h52 •
Cogumelos Selvagens: consumo do ingrediente é debatido pelo meio científico e legal
Cogumelos Selvagens: consumo do ingrediente é debatido pelo meio científico e legal (Psiloshop/Reprodução)
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  • Frases como “eleve sua saúde ao próximo nível com a potência natural dos cogumelos”, “colhendo cura da natureza” e “fungos podem transformar a sua saúde” são algumas das promessas encontradas em sites de vendas de cogumelos mágicos. Comercializados em embalagens à vácuo pela internet, com informações do tipo “destinado a pesquisa e contraindicado para o consumo humano”, os fungos e, principalmente, seus efeitos estão na mira da ciência. 

    Na série “Alquimia do prazer: recortes de um Rio oculto”, produzida pelo jornal Extra, a venda do cogumelo Psilocybe cubensis, por 20,00 reais, em média, por grama, levou um analista de pesquisa que não quis se identificar a abandonar o consumo de erva. “Decidi parar de fumar maconha por causa do tráfico, principalmente, após a última grande operação policial no Rio”, argumentou o personagem. 

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    Um estudo publicado pela revista Jama Network Open, da American Medical Association, revela que a psilocibina, que causa o efeito alucinógeno, também pode ser uma ferramenta de ajuda no combate ao tabagismo. Segundo dados do  Instituto de Efetividade Clínica e Sanitária, esta indústria mata, em média, 477 pessoas por dia no Brasil. 

    O consumo da substância, entretanto, é questionado no meio científico. “A psilocibina está na lista de proscritos da Anvisa, assim como a cocaína. Também é preciso tomar cuidado porque existem cogumelos que são tão parecidos com estes que podem causar uma intoxicação fatal. Talvez as pessoas pensem que são seguros porque os efeitos físicos são fracos, mas elas têm que estar atentas aos efeitos mentais, que podem ser irreversíveis”, alerta a farmacêutica Eliani Spinelli, do Instituto de Química da UFF, que atua como pesquisadora de drogas há trinta anos. Especialistas reforçam ainda que a busca por tratamento alternativo para doenças como o Alzheimer, por exemplo, precisam ser chancelados pela Anvisa. 

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    A ausência de legislação clara e a falta de fiscalização também geram debate sobre o comércio — a priori, legal — da substância considerada psicoativa.  Especialista na Lei de Drogas, o advogado Natan Duek explica que a psilocibina e a psilocina constam na lista de substâncias psicotrópicas da Anvisa. Entretanto, não estão listadas as espécies mais populares de cogumelos. “Uma interpretação estritamente legalista leva à conclusão de que o porto do cogumelo in natura não seria uma conduta ilegal, enquanto o porte da psilocibina isolada ou encapsulada estaria tipificado”, exemplifica o advogado. 

    No centro deste debate está a abertura da primeira Central de Cogumelos do mundo, cuja sede seria na Gamboa. O imóvel com dois andares e mezanino funcionaria como um espaço para palestras, exposições e restaurante — com menu dedicado aos cogumelos. “O foco é mostrar que os cogumelos podem ser fundamentais para pensarmos em sustentabilidade e meio ambiente. Entre as mais de 400 espécies, há as que combatem a poluição de petróleo”, sugere o suíço Tomi Streiff, sócio da Pro Fungi. “Só iremos vender os psicodélicos se for permitido”, conclui. 

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