As vantagens da trail run em relação à corrida tradicional

Esporte troca o cronômetro pelas trilhas e faz da natureza o maior desafio — e a principal recompensa

Por Pedro Inácio Xavier 10 jul 2026, 05h58
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Trail run: cariocas e fluminenses vêm se apaixonando pela modalidade (Stock/Getty Images/Divulgação)
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No dia 7 de junho, cerca de 18 000 corredores largaram na Praia da Reserva, Zona Oeste, e completaram o percurso 42 quilômetros depois, no Aterro do Flamengo.

A quantidade de postagens emocionadas que inundou os feeds depois da Maratona do Rio não deixa dúvidas: nunca se correu tanto.

Em paralelo à tendência – por aqui consolidada como estilo de vida -, cresce uma versão mais radical da modalidade.

O trail running consiste em trocar o asfalto por montanhas, praias e florestas, focando na superação de obstáculos, em variações de altitude e, claro, na conexão com a natureza.

“Nesse formato, a cobrança por desempenho e resultado é menor do que na corrida tradicional. Há um senso de comunidade, um ajuda o outro, porque existe uma preocupação com a segurança e a saúde dos colegas”, elucida Bernardo Tillmann, sócio-diretor da assessoria esportiva Tribus Adventure, especializada na vertente.

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Espírito de equipe: Bernardo Tillmann, sócio-diretor de uma assessoria esportiva, diz que todo mundo se ajuda (Robson Santos/Divulgação)

Ele acrescenta que a participação feminina vem crescendo e a faixa etária dos interessados varia de 20 a 70 anos, mostrando que qualquer pessoa pode praticar o esporte.

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A geografia privilegiada do Rio de Janeiro, que compreende praias paradisíacas, Mata Atlântica preservada e maciços urbanos, é o cenário perfeito para a modalidade ó o número de provas marcadas em solo fluminense é prova disso.

Em 2 agosto, o Parque da Cidade, em Niterói, recebe o Desafio Tupinambá, com provas de 8, 16 e 30 quilômetros. “O mais difícil é o nível técnico. Na maior parte do tempo, o percurso é uma single track, onde só passa uma pessoa por vez. Já nos trechos de praia, há chance da areia não estar boa para correr”, explica Cristiano Marcelino, diretor de eventos da Nit2Sports, empresa que organiza a competição.

“O mais legal é levar as pessoas para se exercitar numa floresta integrada ao contexto urbano”, acrescenta.

Assessorada pela equipe Toscana, a atleta Flavia Tommasi não abandonou o asfalto, mas vem fazendo a transição para o trail: “Comecei a participar de um treino de base que passava pelo Alto da Boa Vista, aí me encantei. Também fui incentivada pelo meu marido, que já praticava”, conta, exaltando também a rede de apoio feminina.

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:Flavia Tommasi a atleta, ressalta a rede de apoio feminina na modalidade (Foco Radical/Divulgação)
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“Uma vai puxando a outra, construindo uma equipe que se ajuda, e isso independe da competitividade das provas.”

Embora a corrida seja reconhecida como um esporte acessível e democrático, o trail exige adaptações.

Além de muita disposição, é necessário um preparo específico, equipamentos adequados ó como um tênis de sola tratorada e mochila de hidratação ó e atenção redobrada à segurança.

“Na minha experiência, percebo que a corrida de montanha machuca menos do que a de rua, que tem um impacto repetitivo, na mesma direção e por um tempo muito maior”, observa o ortopedista pós-graduado em medicina esportiva Sérgio Maurício, apaixonado pelas duas versões do esporte.

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Palavra de médico e praticante: “essa modalidade não causa tanto impacto quanto a corrida tradicional”, diz o ortopedista Sérgio Maurício (./Arquivo pessoal)

Outro ponto importante é conhecer o lugar em que está correndo ou contar com o apoio de quem domina aquela trilha. Se na corrida clássica a recompensa é diminuir alguns segundos no pace, no trail todo o esforço vale a pena quando o atleta se depara com um visual único após subir uma montanha, por exemplo.

“Do ponto de vista mental, a corrida está relacionada ao controle da ansiedade e da depressão, prevenindo a doença de Alzheimer e a demência”, ressalta o médico. Se depender do Rio, o trail running vai conquistar diversos pódios. 

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Foi dada a largada 

As próximas corridas em solo fluminense 

Desafio Tupinambá. A 9ª edição da disputa vai contar com três opções de prova. São 8, 16 e 30 quilômetros no Parque da Cidade, em Niterói. 2 de agosto. De R$ 129,00 a R$ 300,00. Inscrições pelo nit2sports.com.br 

CS Training Camp Serra Dos Órgãos. Imersão de três dias no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis, com foco em trail run, caminhadas e treinos técnicos. 28 a 30 de agosto. De R$ 935,00 a R$ 1120,00. Inscrições pelo (24) 99205-2661. 

Ultradesafio Sana. Unindo subidas íngremes, riachos e muito chão de terra batida, as provas de 8 e 10 quilômetros ocorrem em meio à natureza de Sana, em Macaé. 5 de setembro. De R$ 99,00 a R$ 500,00. Inscrições pelo ticketsports.com.br. 

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Paraty Brazil by UTMB 2026. Organizados pelo Circuito Global de Trail, os percursos propõem uma verdadeira imersão na Mata Atlântica. 17 a 20 de setembro. De R$ 337,00 a R$ 1560,00. Inscrições pelo paraty.utmb.world.  

Rua de paralelepípedos em Paraty, com casas coloniais brancas e telhados de barro. As janelas e portas são azuis e laranjas, e há árvores verdes ao fundo, com montanhas distantes
(Jose M. Paluello/Getty Images)
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