Tirolesa do Pão de Açúcar: por que Justiça proibiu e multou empresa

De acordo com a decisão da Justiça Federal, a companhia responsável pelo projeto deve pagar 30 milhões de reais por danos morais coletivos

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 abr 2026, 11h20 | Atualizado em 1 abr 2026, 11h38
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Tirolesa: obra será interrompida mais uma vez, mas ainda cabe recurso (./Divulgação)
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Em meio a um imbróglio que já dura quase três anos, a Justiça Federal do Rio de Janeiro proibiu a construção da tirolesa do Pão de Açúcar.

Além disso, a decisão de Paulo André Espírito Santo Manfredini, juiz da 20ª Vara Federal, determinou que a empresa responsável pelo projeto pague 30 milhões de reais por danos morais coletivos.

A indenização será destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, vinculado ao Ministério da Justiça e à Secretaria Nacional do Consumidor, cujas receitas são empregadas em projetos que previnam ou recomponham danos ao meio ambiente, ao patrimônio histórico e artístico e aos consumidores.

Na sua decisão, o magistrado destacou o valor simbólico e ambiental do ponto turístico, classificado como patrimônio de relevância mundial.

A determinação judicial anulou os atos administrativos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que autorizavam o projeto, apontando falhas como “motivação insuficiente” e ausência de amplo debate público.

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A Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, gestora do Parque Bondinho Pão de Açúcar, terá que apresentar, em até sessenta dias, um plano de recuperação da área impactada, incluindo a retirada de estruturas do equipamento e resíduos da obra.

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A empresa deverá apresentar, em até 120 dias, um Plano Diretor de Gestão da área concedida, e qualquer ampliação de construções ou mudança de uso em desacordo com as regras de proteção do local estão proibidas.

O Pão de Açúcar é tombado pelo Iphan desde 1973 e foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2012, o que impõe regras rígidas para intervenções na área.

A ideia da tirolesa, que teria quatro linhas de descida e cerca de 155 metros de extensão, surgiu em 2022, como parte das comemorações dos 110 anos do bondinho.

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No ano seguinte, um grupo de moradores da Urca se uniu para questionar os impactos ambientais e as perfurações na rocha. A Prefeitura do Rio, então, interrompeu parte das obras para análise técnica e o Ministério Público Federal embargou a construção, apontando risco de danos ao patrimônio natural.

Em junho de 2025, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça autorizou a continuidade das obras por maioria de votos, já que os ministros entenderam que a paralisação poderia causar mais prejuízos do que a conclusão do projeto.

Com base nessa decisão, a empresa anunciou, no início de 2026, a retomada das obras. Com a decisão da Justiça Federal, a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar poderá recorrer a instâncias superiores, como o Tribunal Regional Federal (TRF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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O Parque Bondinho Pão de Açúcar informa que recebeu com surpresa a decisão judicial e que analisa detalhadamente o teor da sentença para, então, se manifestar de forma mais completa e adotar as medidas cabíveis.

O Parque Bondinho reforça que sempre atuou em conformidade com a legislação vigente e com o acompanhamento dos órgãos competentes, tendo desenvolvido o projeto da tirolesa com base em rigorosos critérios técnicos, ambientais e de engenharia.

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