Após decisão do STF, Rio vê arrecadação com bets cair 98,5%
Receita atual do estado gira em torno de 320 000 reais; em janeiro do último ano, chegou à casa dos 20 milhões
A arrecadação com as bets no Estado desceu ladeira abaixo e apresentou uma queda de 98,5 % — desde que o STF mudou as regras do jogo, impedindo que as casas de apostas credenciadas no Rio operem o serviço em âmbito nacional mediante o uso de uma ferramenta para identificar a localização do apostador. Os dados são do Metrópoles.
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Em janeiro de 2025, último mês em que as bets do Rio funcionaram no país inteiro, o Gross Gaming Revenue (GGR) — que representa o valor do dinheiro apostado por jogadores, subtraindo o total em prêmios — chegou a 414 milhões de reais.
Antes da regulamentação federal, o GGR do ano de todas as bets do Rio era cerca de metade do que a líder do estado fazia em apenas um mês. Em junho, em meio à polêmica das bets durante a Copa do Mundo, 21 casas de apostas autorizadas a operar no estado acumularam uma receita líquida de 16, 2 milhões de reais. Fazem parte desta conta as lotéricas Loterj: Rio de Prêmio e Raspa Rio.
O declínio impacta diretamente os cofres públicos — que cobra 5% de imposto sobre a receita líquida das apostas. Em janeiro de 2025, o total de impostos foi de 20,7 milhões de reais. Já no último mês, a soma foi de 320 000 reais (o equivalente aos 98,5%). No Rio, uma única casa é responsável por metade do mercado fluminense.
Segundo dados do governo federal, entre janeiro e abril de 2026, as bets regulamentadas pelo Ministério da Economia tiveram uma receita líquida de 12,2 bilhões de reais. Com o imposto federal de 12% da GGR, 1,4 bilhões de reais foram pagos à União (em média, 350 milhões de reais por mês). Ou seja, mil vezes superior à receita do Rio.
Em julho de 2023, o Rio lançou um edital para credenciar os operadores de apostas de quota fixa classificadas como bets. Quando o governo federal adotou a medida, a gestão de Cláudio Castro alterou o edital excluindo a regra de geolocalização, permitindo que as bets fluminenses pudessem operar sem amarras no país inteiro — o que compete com a licença federal.
A União alegou que a regra não só invadia a sua competência para explorar o serviço em âmbito nacional, como fomentava a concorrência entre os operadores, e entrou com uma ação cível no STF. Em março de 2025, o ministro André Mendonça validou a decisão que passou a exigir a geolocalização.
A principal beneficiada com a regulamentação é a RioPag, intermediadora dos pagamentos que detém o monopólio do serviço. A empresa faturou 142 milhões de reais nos primeiros cinco meses após a normatização. Do montante, 26% deveria ser repassado ao Estado, que pediu para deixar de receber o dinheiro na gestão de Castro. No entanto, o valor voltou a ser solicitado pelo mesmo, e a RioPag afirma que não tem o orçamento à mão. A Justiça impôs o bloqueio de 20,9 milhões da RioPag. “Com a limitação territorial imposta pela decisão jucicial, houve redução dos usuários aptos a acessar as plataformas das operadoras credenciadas pela Loterj, refletindo na arrecadação da autarquia”, informou a operadora em nota.





