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Matheus Ribeiro: “Se eu fosse branco, não seria acusado de roubar a bike”

O instrutor de surf registrou a ocorrência e a Polícia Civil intimou Tomás Oliveira e Mariana Spinelli a prestar depoimento sobre o caso

Por Marcela Capobianco Atualizado em 16 jun 2021, 12h30 - Publicado em 16 jun 2021, 12h27

O instrutor de surf Matheus Ribeiro, que foi abordado no Leblon, no último sábado (12), por um casal branco que o acusou de ter roubado a própria bicicleta registrou um boletim de ocorrência sobre o caso de racismo.

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A Polícia Civil intimou a professora de dança Mariana Spinelli e o designer Tomás Oliveira a prestar depoimento. Matheus, que é negro, esperava a namorada na porta do Shopping Leblon e filmou os momentos finais da agressiva abordagem do casal, que o acusou de ter furtado a bicicleta elétrica de Mariana a poucos metros dali.

Matheus chegou a mostrar fotos antigas no celular em que ele aparecia com o equipamento e exibiu também a chave da tranca. Não satisfeito, Tomás forçou a própria chave na tranca de Matheus, que não abriu. Só então eles pediram desculpa e foram embora.

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O caso ganhou muita repercussão nas redes sociais.

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“Se eu fosse branco, não seria acusado de roubar a bicicleta. Quando eles se aproximaram, achei que iam me pedir ajuda porque tinham sido roubados poucos minutos antes. Demorei a entender que estava passando por um episódio de racismo”, contou Matheus no programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, nesta quarta (16).

“Sempre percebi um tratamento diferente por causa da minha cor da pele, mas nunca tinha passado por uma situação tão grave dessas. Foi chocante”, complementou o jovem, morador da Maré.

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Em suas redes sociais, a Papel Craft respondeu seguidores afirmando que demitiu Tomás Oliveira. No Linkedin há, inclusive, um anúncio de vaga para designer gráfico aberta nesta quarta (16). O Espaço Vibre, em Ipanema, onde Mariana Spinelli dava aulas, postou um longo comunicado em seu perfil do Instagram.

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“Estamos consternados com o que tomamos conhecimento e tratando o assunto com toda a gravidade que ele merece. Racismo é crime e não vamos compactuar com isso. A professora envolvida no ato foi demitida e já não faz mais parte do nosso quadro de funcionários. Nos solidarizamos com o Matheus pela dor sofrida e mesmo que o gesto condenável não tenha ocorrido dentro de nosso espaço, esta é uma violência que todos temos que combater juntos”, afirma um trecho do texto.

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