Interrupção de vacina contra a dengue do Butantan é medida cautelar. Entenda

Ministério da Saúde suspendeu aplicação da dose, até então oferecida a profissionais da área, para investigar eventos adversos, incluindo dois óbitos

Por Da Redação 9 jun 2026, 13h12
Três frascos de vacina contra a dengue, com rótulos verdes e brancos, alinhados em um fundo escuro. O rótulo central indica vacina dengue 1, 2, 3 e 4 (atenuaada)
Vacina contra dengue: imunizante, feito com vírus atenuados, foi concebido para ser aplicado em dose única (Instituto Butantan/Divulgação)
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A interrupção da aplicação da vacina contra dengue do Butantan, determinanada nesta segunda (8) pelo Ministério da Saúde, causou apreensão. Mas a decisão – tomada por causa de reações adversas que teriam levado duas pessoas a óbito -, segundo o virologista Mauricio Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (SP), é uma medida de cautela. E faz parte do processo de avaliação de uma vacina, assim como de qualquer medicamento. “Ela está em fase 4 de testes. Isso significa que um número muito maior de pessoas recebeu a vacina e, dessa forma, efeitos que não foram observados nas fases anteriores podem aparecer. É o correto e o esperado” esclarece ele, em entrevista ao jornal O Globo.  De acordo com o Ministério da Saúde, foram aplicadas 500 mil doses até 30 de maio, sendo 417 mil apenas em profissionais de saúde.

O virologista explica que pausar a aplicação do imunizante é o correto e o esperado quando ocorrem casos suspeitos de reações adversas severas por vacina ou medicamento. “Isso não significa que a vacina é insegura. Significa que foram identificadas reações adversas que, embora sejam raras, precisam ser investigadas”, frisa ele, observando que é preciso seguir os protocolos de testes e avaliar o que de fato aconteceu. O passo seguinte é avaliar a relação de risco-benefício. “Ou seja, quantas pessoas adoecerão gravemente ou morrerão de dengue e quantas podem sofrer reações adversas da vacina”, esclarece ele, que participou dos testes das vacinas do Butantan, de dose única, e da Takeda (Qdenga), em duas aplicações.

Entre as medidas a serem tomadas após os estudos, segundo o virologista, está restringir o uso do imunizante em grupos específicos da população, que corram maior risco e tenham sido identificados pelos estudos. “Diferenças genéticas podem influenciar na resposta de uma pessoa a um imunizante, por exemplo”, diz Nogueira. “Eu mesmo apliquei e tomei a vacina do Butantan. Minha mulher e minha filha também a receberam. Acredito que é uma boa vacina e não deixará de ser usada. Pode ser que não seja para todas as pessoas e que se descubra que alguns grupos, como imunossuprimidos, não devam recebê-la”, acrescenta.

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A vacina do Butantan é feita com vírus atenuados – como no caso do imunizante da Takeda, em duas doses, que segue sendo aplicado sem problemas. “Isso significa que a vacina faz o sistema imune produzir defesas, mas não há vírus capazes de adoecer a pessoa como na dengue. É por isso que os efeitos colaterais comuns se assemelham aos da dengue branda, como dores e febre leves e passageiras”, diz o virologista. Já as reações severas associadas ao imunizante suspenso se assemelham àquelas provocadas pela dengue grave, como choque e sintomas neurológicos.

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