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Fiocruz detecta coronavírus na rede de esgoto do estado do Rio

Em parceria com a concessionária Águas de Niterói, o projeto monitora a disseminação do vírus a partir da análise de amostras distribuídas em doze pontos

Por Carolina Barbosa - Atualizado em 29 abr 2020, 11h53 - Publicado em 29 abr 2020, 11h49

Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) constataram a presença de coronavírus na rede de esgoto do estado do Rio. O material genético do Sars-coV-2 foi detectado em amostras de esgotos de Niterói. Em parceria com a concessionária Águas de Niterói, a inciativa tem o objetivo de acompanhar o comportamento da disseminação do vírus na população ao longo desta pandemia. As primeiras coletas foram realizadas em 15 de abril, em doze pontos estrategicamente distribuídos pela cidade. A previsão é de que, na primeira etapa do projeto, o monitoramento seja realizado durante quatro semanas, com possibilidade de prorrogação.

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Evidências científicas recentes mostram que o novo coronavírus é excretado em fezes. Ou seja, o projeto lança mão da análise de amostras de esgotos como um instrumento de vigilância, permitindo identificar regiões com presença de casos da doença, mesmo aqueles que ainda não foram notificados no sistema de saúde.

O monitoramento ambiental realizado pela Fiocruz, responsável por desenvolver atividades de pesquisa na área de Virologia Ambiental há mais de 15 anos, está alinhado com estudos científicos internacionais, que têm demonstrado a importância da vigilância baseada em esgotos para a detecção precoce de novos casos de Covid-19. “Isso subsidiará informações para a vigilância em saúde, permitindo otimizar o uso dos recursos disponíveis e fortalecer medidas de profilaxia na área, uma vez que a investigação sistemática da presença do material genético do vírus na rede de esgotos sanitários pode fornecer um retrato da presença de casos positivos em determinada localidade, incluindo assintomáticos e subnotificados no sistema de saúde. É um instrumento importante de vigilância baseada em águas residuárias como uma abordagem promissora para entender a ocorrência do vírus em uma determinada região geográfica, assim como a inserção da Virologia Ambiental nas Políticas Públicas de Saúde”, explica a pesquisadora Marize Pereira Miagostovich, chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz e responsável pela pesquisa.

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Niterói: coleta de amostras em esgoto Marina Saraiva/IOC/Fiocruz/Divulgação

Ela ressalta ainda que o momento não existem evidências científicas sobre a possibilidade de transmissão do novo coronavírus por rota fecal-oral. “Não há evidências na literatura científica de que, quando excretado nas fezes, o vírus ainda esteja viável para infectar outras pessoas”, esclarece. Até o momento, a via respiratória é o principal modo de transmissão, através de gotículas respiratórias geradas pela tosse ou espirros.

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Para a pesquisadora Camille Mannarino, da ENSP/Fiocruz, o estudo reforça a importância da relação entre saneamento e saúde. “O monitoramento de Covid-19 em esgotos sanitários tanto subsidia ações regionalizadas de contenção da transmissão quanto permite antecipar a mobilização da atenção primária em saúde em determinada localidade onde a circulação viral seja detectada previamente pelo monitoramento dos esgotos”.

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No entanto, ela destaca que este tipo de vigilância apenas é possível nos municípios em que uma parcela significativa da população é atendida por rede coletora de esgotos e a operadora do serviço tem controle sobre o sistema. “No caso de Niterói, a cobertura da rede de esgotos é de 95%. A adequada coleta e tratamento de esgotos também são fundamentais para a não contaminação de águas de abastecimento e recreação”, justifica a sanitarista.

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