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Vinoteca Por Marcelo Copello, jornalista e especialista em vinhos Marcelo Copello dá dicas sobre vinhos

Gravner detesta vinhos laranja

Por Marcelo Copello   Você sabe o que é “vinho laranja” ou “orange wine”? Esta é uma moda, já não tão nova, que a cada dia conquista novos adeptos. Trata-se de vinhos brancos de cor alaranjada, geralmente feitos com uvas sobremaduras, com longas macerações com suas cascas e longos amadurecimentos em madeira, e, no caso […]

Por marcelo Atualizado em 25 fev 2017, 19h05 - Publicado em 11 jun 2013, 21h39

Por Marcelo Copello

 

Você sabe o que é “vinho laranja” ou “orange wine”? Esta é uma moda, já não tão nova, que a cada dia conquista novos adeptos. Trata-se de vinhos brancos de cor alaranjada, geralmente feitos com uvas sobremaduras, com longas macerações com suas cascas e longos amadurecimentos em madeira, e, no caso de Gravner, fermentado em ânforas de barro, como faziam os antigos romanos.

Ânforas à entrada da vinícola

Elegi no final do ano passado, o Ribolla Anfora 2005 de Gravner (Decanter, R$ 375), como o MELHOR BRANCO ITALIANO de 2012, em meu ranking anual publicado na revista BACO.

 

O maior expoente dos orange wines é, queira ou não, o italiano Josco Gravner. Porque “queira ou não”? Pois ele mesmo diz que detesta a moda laranja. As razões são fáceis de entender. Primeiro, basta 5 minutos de conversa com ele para perceber que ele é 100% autêntico e não seguidor de modismos. Depois, debaixo do chapéu laranja estão vinhos ótimos, mas também vinhos ruins, com acidez volátil alta (avinagrados) e já mortos. Assim, se você prova um laranja ruim, não vai querer provar os outros, os bons, prejudicando os verdadeiros artistas, como Gravner. Perfeitamente justificável, então, que o “rei dos laranjas” não queira ser rotulado como tal.

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Abaixo estão dois dos vários videos que fiz quando visitei-o em sua vinícola no Friuli, norte na Itália, fronteira com a Eslovênia.

Gravner e Copello

1º VÍDEO
Neste primeiro vídeo Gravner fala da magia do número 7. Ele só lança seus vinhos ao mercado aos 7 anos de idade e diz que faz vinhos para durarem 49 anos (7×7). Segundo ele mandar uma criança à escola aos 6 anos seria tolher-lhe um ano de infância.  Como provamos juntos, direto de barricas, quase 20 vinhos, brincamos que estávamos provando as crianças  no jardim de infância.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=WQTmURf3iKE%5D
 

2º VÍDEO
Neste segundo vídeo falamos da uva Ribolla Gialla, que está há mais de mil anos na região. Sua paixão pela Ribolla vem de seu pai. Em sua juventude a hora de degustar a Ribolla com a família, era a hora da alegria. Gravner colhe sua Ribolla muito tardiamente, em novembro, algo bem ousado, com risco de perda da colheita pela chegada do inverno. Ele diz ainda que pode arriscar pois, além de não querer comprar uma Ferrari, se perder uma colheira inteira, ele ainda terá 6 outras colheiras armazenadas em seus tonéis, para vender e sobreviver. Eu resumo dizendo que para fazer vinhos como ele é preciso ousadiaintuição e correr riscos.

 
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=lHwJ4eJY3W0&w=560&h=315%5D
 

 

Marcelo Copello (mcopello@simplesmentevinho.com.br)

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