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Carioca Nota 10: Adriana Samuel e a solidariedade através do esporte

Como atleta, ela fez história no vôlei ao conquistar duas medalhas olímpicas; fora das quadras, não para de promover ações positivas de apoio a quem precisa

Por Renata Magalhães Atualizado em 16 jul 2021, 15h57 - Publicado em 16 jul 2021, 07h00

Em uma tarde nublada de julho de 1996, em Atlanta, Adriana Samuel fez história. O vôlei de praia estreava como modalidade olímpica e a jogadora, ao lado da parceira Mônica Rodrigues, trouxe para casa a primeira medalha de prata do esporte em Jogos Olímpicos. Quatro anos mais tarde, em Sydney, Adriana subiria novamente ao pódio, dessa vez para receber o bronze com Sandra Pires. A carreira consagrada da atleta se encerrou pouco tempo depois, mas ela nunca saiu das quadras — e por um motivo nobre.

“Não é nada fácil brigar por igualdade no nosso país, mas o esporte mudou a minha vida e também pode transformar a de muita gente”, diz Adriana, que, logo após sua última Olimpíada, fundou uma escolinha na Praia de Copacabana para crianças e adolescentes de baixa renda.

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A iniciativa ganhou novo fôlego em 2014, com uma segunda sede em Deodoro, na Zona Oeste, e mais recentemente inspirou a criação do projeto Sem Barreiras, que oferece, além do vôlei, aulas gratuitas de atletismo e judô a 230 jovens no Clube do Servidor Municipal, um dos poucos espaços de lazer no Centro.

“Não é nada fácil brigar por igualdade no nosso país, mas o esporte mudou a minha vida e também pode transformar a de muita gente”

A pandemia interrompeu as atividades esportivas no local por oito meses, mas isso não fez com que o trabalho de Adriana parasse. Muito pelo contrário. Diante da crise acentuada pelo aumento do desemprego, a ex-jogadora se deu conta de que muitas famílias envolvidas na ação estavam sem o básico em casa.

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Ela, então, bateu à porta dos parceiros e arrecadou quase 100 000 reais em doações, revertidos para a compra de alimentos. Com as aulas já retomadas e a disposição que tinha em quadra, Adriana agora se prepara para atacar novas frentes: está colocando de pé um centro de estudos de e-sports, voltado para jogos eletrônicos, um mercado que já movimenta 150 bilhões de dólares por ano no mundo, e ainda deve crescer muito, abrindo uma série de oportunidades no mercado de trabalho.

Para ajudar nessa preparação, vai disponibilizar aulas de programação, edição de vídeo e inglês ao público das comunidades cariocas. “O e-sport também tem tudo para virar uma modalidade olímpica. Dizem que é o futuro, mas essa é uma realidade que já faz parte do nosso presente”, afirma. Uma iniciativa digna de medalha de ouro.

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