Espumante brasileiro em alta, carro chefe da viticultura nacional
O Brasil produz vinho desde 1532, mas as primeiras rolhas de espumante estouraram apenas em 1913. Desde então, a categoria evoluiu de forma consistente.
Poucos símbolos traduzem tão bem a alegria e a diversidade do país quanto nossas borbulhas. O espumante brasileiro não é apenas uma bebida: é um cartão de visitas da viticultura nacional, que conquistou espaço, respeito e prêmios mundo afora. Mas o que explica esse sucesso?
O Brasil produz vinho desde 1532, mas as primeiras rolhas de espumante nacional estouraram em 1913, com a fundação da vinícola Peterlongo, pioneira do setor. Desde então, a categoria evoluiu de forma consistente, com investimentos, tecnologia e dedicação. Um marco importante foi a chegada da Moët & Chandon em 1973, ano em que a gigante francesa decidiu que nosso terroir merecia uma vinícola própria — antes mesmo de fincar bandeira na Austrália.
A Serra Gaúcha, principal região produtora, tem clima temperado úmido, altitudes entre 400 e 800 metros e solos ácidos de boa drenagem. Características que, para tintos de ciclo longo, são um desafio — mas que para espumantes se transformam em trunfo, permitindo uvas com acidez vibrante, baixo teor alcoólico e aromas frescos. Entre as sub-regiões, Pinto Bandeira se destaca como a “grand cru” das borbulhas nacionais, sendo a primeira no hemisfério sul a conquistar uma Indicação de Procedência exclusiva para espumantes.
Embora a Serra seja o berço, não está sozinha. Santa Catarina, com altitudes de até 1.400 metros e colheita tardia, produz espumantes de grande frescor e estrutura. Já o Vale do São Francisco, entre Pernambuco e Bahia, oferece duas colheitas anuais e rótulos moscatéis cremosos e exuberantes. Essa diversidade permite ao Brasil oferecer estilos para todos os gostos — do brut mais austero ao moscatel mais perfumado.
Aqui, dominamos tanto o método charmat (segunda fermentação em tanques) quanto o tradicional champenoise (na própria garrafa), com resultados que rivalizam com os melhores do mundo. As uvas mais utilizadas — Chardonnay, Pinot Noir, Riesling Itálico e Moscato — são as mesmas que brilham nas regiões mais prestigiadas da Europa.
Na última década, o Brasil acumulou mais de 2 mil medalhas internacionais, sendo cerca de metade para espumantes. Em concursos como a Grande Prova Vinhos do Brasil, eles costumam liderar o pódio, abocanhando dezenas de ouros e duplo-ouro. O consumidor brasileiro acompanha essa performance: o mercado interno consome mais de 22 milhões de litros por ano, e os rótulos nacionais respondem por cerca de 77% desse total, à frente de França, Espanha e Itália somadas.
Quem sabe, num futuro próximo, não tenhamos em toda casa brasileira a pergunta: “Aceita um cafezinho ou um espumante?”







