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Vinoteca

Por Marcelo Copello, jornalista e especialista em vinhos Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Marcelo Copello dá dicas sobre vinhos

Vinho de terroir, vinho de processo e vinho de casta, saiba a diferença

Podemos nos aventurar a classificar os vinhos em três grandes tipos, para facilitar a compreensão.

Por Marcelo Copello Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 abr 2026, 05h00 •
Tipos de vinho
 (shutterstock/Divulgação)
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  • O que é um vinho de terroir? Essa pergunta instiga apaixonados pelo vinho há séculos, mas a resposta não é tão simples. Não há uma definição legal, tampouco uma regra objetiva que determine o que entra ou não nessa categoria. Contudo, podemos nos aventurar a classificar os vinhos em três grandes tipos, para facilitar a compreensão.

     

    O primeiro grupo seria o dos vinhos de terroir, aqueles que expressam a origem, o solo e o microclima de onde vêm. São vinhos que, ao degustá-los, transportam o bebedor para sua origem. Um exemplo clássico? Sancerre, no Loire, produzido em solo de Silex, que imprime inconfundíveis notas minerais, lembrando pedra de isqueiro. Ou os vinhos portugueses da Ilha do Pico, nos Açores, cultivados em solo vulcânico, rodeados pelo Atlântico. Esses brancos exibem um caráter quase salgado, um toque de maresia que remete diretamente ao lugar de onde vieram. Aqui, o solo e o ambiente são protagonistas, moldando o vinho com identidade única.

     

    O segundo grupo seria o dos vinhos que refletem principalmente sua uva ou casta, o caráter varietal. Neste caso, mais do que o terroir, é a cepa que imprime sua marca. Pense em um Moscatel ou um Gewurztraminer. Ambos são vinhos que, independentemente da origem, exalam aromas florais exuberantes, típicos dessas castas. A presença do solo ou do clima pode existir, mas são secundários frente à potência do DNA varietal. São vinhos que gritam o nome da uva na taça.

     

    Por fim, há os vinhos que refletem o processo de vinificação. Aqui, a forma como o vinho é elaborado sobrepõe-se ao terroir e até à uva. Um exemplo emblemático é o Amarone, onde as uvas passam pelo processo de apassimento, concentrando açúcares e intensificando aromas resinosos, resultando em um vinho encorpado e alcoólico. Outro caso clássico é o Jerez Fino ou Manzanilla, marcado pelo amadurecimento sob flor, que confere notas inconfundíveis. E, claro, o Champagne, cuja longa permanência sobre as leveduras (sur lie) imprime aromas de brioche e fermento, tornando o método mais impactante do que a identidade varietal ou a especificidade do solo.

     

    Diante dessas três classificações, a maioria dos vinhos se encaixa em uma combinação delas. Um grande Bordeaux pode expressar tanto seu terroir, quanto a tipicidade da Cabernet Sauvignon e o refinamento do envelhecimento em carvalho. Um Barolo, por sua vez, reflete a mineralidade de seus solos calcários, o caráter da Nebbiolo e a magia da longa maturação.

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    No fim, vinho é sempre equilíbrio, interação, conversa entre terra, casta e mão do homem.

     

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