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Pandemia altera dinâmica do mercado livreiro

Donos de livrarias traçam estratégias para conter a crise e dão dicas de leitura para a quarentena

Por Gustavo Zeitel* - Atualizado em 14 jul 2020, 18h00 - Publicado em 9 jun 2020, 15h02

Para muitos leitores, a escolha de um livro é um ritual. É preciso ir à livraria, perceber as novidades, olhar as capas e sentir o cheiro das novas edições. Com a chegada da pandemia do coronavírus, leitores e livreiros tiveram de se adaptar ao isolamento. As obras mais procuradas, e a logística das vendas foram alteradas. Como pano de fundo, o mercado editorial sofre o agravamento de uma crise, que dura cinco anos. Marcus Gasparian, um dos donos da livraria Argumento, passou a fazer as entregas da loja. “O barato dessa história é que a gente percebe o quão importante é a profissão do livreiro, e temos um contato maior com os clientes”, explica. 

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Mesmo com as dificuldades, o faturamento da livraria, com sedes no Leblon e na Barra da Tijuca, aumentou. “Começamos com 5% do lucro em relação ao período de portas abertas e agora estamos faturando 25%”, diz Gasparian. Já Rui Campos, dono da rede Travessa, criou um serviço de televendas, após demandas de clientes e livreiros. Além disso, o site ganhou mais importância para a saída dos pedidos. “A venda do site costumava a ser 12% do total do lucro. Agora, houve um crescimento, está em 17%”, pontua. 

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De fato, a situação poderia ser pior. Em recuperação judicial, a rede Saraiva demitiu 500 funcionários no dia 13 de abril. No mês anterior, o grupo de editoras Juntos pelo Livro publicou uma carta aberta em protesto a livreiros e distribuidores, que haviam anunciado a suspensão de pagamentos e acertos de consignação. De acordo com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), houve uma queda de 40% na venda de livros, na segunda quinzena de março, quando o comércio fechou. 

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No sebo Lima Barreto, em Ipanema, nenhum funcionário teve de ser dispensado. “Enxugamos muito os nossos custos e realizamos todas as vendas através do nosso e-commerce”, afirma Benjamin Magalhães, proprietário da loja. Com a pandemia, Magalhães percebe algumas mudanças na demanda dos clientes. “Tem saído muita coisa de religião, até uma certa autoajuda. Também vendemos muitos livros de filosofia e psicanálise, o que chega a ser um paradoxo”, diz. 

A alteração no gosto da clientela também é percebida em outras livrarias. “Por conta do período de isolamento, as pessoas estão com coragem de encarar livros maiores, como Guerra e Paz, do Tolstói, e A montanha mágica, do Thomas Mann”, relata Marcus Gasparian. Para Rui Campos, a primazia das vendas online tirou o grande interesse pelos lançamentos. “As pessoas retornaram à leitura de clássicos, que já não eram best-sellers, como A Peste, de Albert Camus. Há também um crescimento da venda de biografias e livros históricos”, reflete. 

DICAS PARA A QUARENTENA

Benjamin Magalhães (Livraria e Sebo Lima Barreto)

Cidadã de Segunda Classe, Buchi Emecheta (Dublinense)

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Arquipélago Gulag, Aleksander Soljenítsyn (Carambaia)

O mestre e a margarida, Mikhail Bulgákov (Alfaguara) 

Rui Campos (Livraria da Travessa)

O sol & A lua & Os Rolling Stones, Rich Cohen (Zahar)

Leonardo Da Vinci, Walter Isaacson (Intrínseca)

M, o filho do século, Antonio Scurati (Intrínseca)

Marcus Gasparian (Livraria Argumento)

Decameron, Giovanni Boccaccio (Ediouro)

Um defeito de cor, Ana Maria Gonçalves (Record)

Uma fortuna perigosa, Ken Follet (Arqueiro) 

*Gustavo Zeitel, estudante de comunicação, sob supervisão dos professores da universidade e revisão de Veja Rio

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