Rio Nature & Climate Week reúne shows, debates e consciência ambiental

Líderes globais, artistas, cientistas e ativistas discutem soluções diante da emergência climática — enquanto a cidade se reinventa contra o calor extremo

Por Pedro Coutinho 29 Maio 2026, 08h13 | Atualizado em 29 Maio 2026, 17h28
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Cenário perfeito: o Rio ganhou investimento de 10 milhões de reais na restauração de 93 hectares da Mata Atlântica e vai sediar mais uma importante conferência sobre emergência climática.  (Leonardo Martins/Getty imageS/Divulgação)
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Criado em 2021, em uma colaboração entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), o programa Floresta Viva surgiu como uma forma de financiar a restauração dos biomas brasileiros.

Inicialmente o enfoque era nos manguezais, mas quando o BNDES anunciou uma segunda etapa, mais abrangente, em busca de municípios parceiros, a prefeitura do Rio foi a primeira a embarcar na iniciativa.

Anunciado em maio deste ano, o plano prevê um investimento de 10 milhões de reais na restauração de 93 hectares da Mata Atlântica, bem como a criação de um corredor de biodiversidade entre o Maciço da Pedra Branca e o Maciço da Tijuca.

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“Uma cidade mais verde encara a questão climática de forma mais confortável. Além de minimizar os impactos do calor, estamos estocando créditos de carbono”, celebra a secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Livia Suzart, já na expectativa por um Floresta Viva 3.

O caráter vanguardista do Rio na discussão ambiental não vem de hoje. Desde a Rio-92 — em que 179 nações se reuniram para assinatura de acordos importantíssimos, como a Agenda 21 —, a capital fluminense mostra vocação ímpar para sediar grandes eventos ambientais.

Para firmar de vez o protagonismo no debate, a Cidade Maravilhosa criou a sua própria semana do clima: a Nature & Climate Week, que ocupa o Espaço Touring, no Píer Mauá, entre terça (2) e sexta (5).

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Diferente das conferências de Londres e Nova York, desta vez, o financiamento e as soluções são negociados no Sul Global — grupo de países menos preparados para lidar com as mudanças climáticas.

“O Rio tem autoridade e densidade moral para fazer esse chamado. A bússola que guia essa jornada existe desde 1992”, defende Rodrigo Medeiros, diretor-geral do Instituto Natureza e Clima Brasil, organização por trás da conferência.

O objetivo é reunir diferentes vozes brasileiras — como a deputada e embaixadora dos povos originários Sonia Guajajara (PSOL) e a cantora Anitta — e lideranças globais, a exemplo de Wes Sechrest, CEO e cofundador da organização global sem fins lucrativos focado em conservação da natureza Re:wild, e do enviado especial da ONU Peter Thomson (confira destaques da programação no box).

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Ritmo perfeito: painéis da Rio Nature & Climate Week reúnem nomes como Anitta (foto) e Sonia Guajajara (PSOL). (instagram @anitta/Reprodução)
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Outro diferencial está no fato de que 2026, excepcionalmente, calha de convergir as três principais convenções do meio ambiente num único ano: sobre desertificação, biodiversidade e clima.

“As crises são interconectadas. Curiosamente, os países mais prejudicados pela emergência climática são os que oferecem grande parte das soluções, como as florestas de pé. O que nos falta é dinheiro”, explica Medeiros.

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Floresta em pé: “Os países mais prejudicados pela emergência climática são os que oferecem grande parte das soluções”, diz Rodrigo Medeiros, diretor-geral do Instituto Natureza e Clima Brasil. (./Divulgação)

O tema se torna ainda urgente com a iminente chegada de mais um El Niño — fenômeno no qual as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal e alteram a circulação dos ventos e da umidade, bagunçando o clima em todo o planeta.

“Ainda não se sabe ao certo, mas o mais provável é que este ano o efeito seja forte, o que vai trazer muitas ondas de calor e chuva forte no Sudeste”, alerta Carlos Nobre, climatologista e pesquisador da USP.

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Uma pesquisa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) revelou que um único dia com temperatura máxima de 43 graus pode provocar cerca de dez mortes adicionais de idosos na capital fluminense.

“Em Barcelona, quando há previsão de uma fortíssima onda de calor, eles retiram pessoas idosas e doentes para levá-los a locais seguros, com ar-condicionado, piscina, atendimento médico e alimentos. No Brasil, infelizmente, não há isso”, comenta Nobre.

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Mais um El Niño: o fenômeno no qual as águas do Pacífico Equatorial ficam mais quentes deve trazer muitas ondas de calor e chuva forte para o sudeste. (Lauren Dauphin/Nasa/Jpl-Caltech/esa/Divulgação)

Na segunda (1º), antes de integrar um dos painéis da convenção, o meteorologista participa de um evento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para discutir a importância da restauração florestal urbana a fim de amenizar as ilhas de calor — foco de um projeto que já desenvolve em São Paulo.

No Rio, ONG’s como Redes da Maré também ajudam a academia e o poder público no diagnóstico e nas soluções para o calor extremo.

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“A gente criou uma tecnologia capaz de produzir dados a partir do que os moradores informam. Com um apoio metodológico, conseguimos alcançar diagnósticos para embasar ações práticas”, explica Everton Pereira, coordenador de direitos urbanos e socioambientais da instituição, que vai participar da semana do clima.

“É extremamente importante que eventos dessa magnitude incluam a favela e a periferia, porque não é algo comum”, ressalta.

Para mobilizar a população, a Enseada de Botafogo vai ser palco de uma apresentação histórica de celebração do álbum The Score, da banda Fugees. Trinta anos após o lançamento do disco, a dupla Lauryn Hill e Wyclef Jean se junta a Ludmilla no palco.

“O show é gratuito, mas quisemos distribuir ingressos especiais para aqueles que assinaram petições e realizaram ações humanitárias, como tirar lixo da praia. O mais importante é incentivar que as pessoas coloquem a mão na massa”, aponta Michael Sheldrick, cofundador e diretor de políticas da Global Citizen.

Em meio a um cenário quase apocalíptico, manter a esperança é tarefa árdua, mas é na luta participativa que o Rio e o mundo podem buscar a solução para uma crise que bate à porta. 

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POR TODA A CIDADE 

Confira algumas das principais atrações da convenção 

Três artistas musicais em destaque: um homem barbudo com bandana e camisa branca, uma mulher com top cinza e colar metálico, e uma mulher de óculos escuros e vestido preto cantando no microfone
Reencontro histórico: Lauryn Hill (à dir.) e Wyclef Jean (à esq.) se juntam à Ludmilla (ao centro) em um show gratuito para comemorar trinta anos do disco The Score. (Divulgação; Lyz Oliveira; @mslaurynhill/Instagram)

Global Citizen Live. A icônica banda vencedora do Grammy Fugees, formada por Lauryn Hill e Wyclef Jean, se reúne para celebrar trinta anos do álbum The Score, com participação da fluminense Ludmilla e apresentação de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. O evento é aberto ao público. Praia de Botafogo, na altura da Fundação Getúlio Vargas. Sex. (6), 18h/22h. 

Conferência principal. Com participação de nomes como Anitta e André Corrêa do Lago, Presidente da COP30, os painéis reúnem políticos, especialistas e personalidades influentes para discutir temas como emergência climática, o papel da arte na crise e soluções possíveis. Espaço Touring. Pier Mauá, Saúde. Ter. (2) a sex. (5), 15h/19h. 

RNCW Grassroots. Como parte da semana, um edital elegeu vinte iniciativas para organizarem eventos próprios, a exemplo da Redes da Maré, que vai realizar um encontro na Areninha Cultural Herbert Vianna. Diferentes locais da cidade. Seg. (1º) a sex. (5), 9h/20h. 

Global Citizen Now. Pela segunda vez na cidade, reúne lideranças de governos, empresas, filantropia e cultura para impulsionar avanços concretos em clima e desenvolvimento. Entre os confirmados está o estilista Oskar Metsavaht. Casa Firjan, Rua Guilhermina Guinle, 211, Botafogo. Qua. (3). 

Grounded. Aberta ao público, a Mostra Internacional de Cinema é dedicada a obras que conectam natureza, clima, territórios, cultura e justiça socioambiental. A pipoca é de graça, e na curadoria estão nomes como o da produtora Iafa Britz (Minha Mãe É Uma Peça). Sala de Cinema do Pier Spaces. Pier Mauá, Saúde. Qua. (3) a sex. (5), 14h/21h. 

 

 

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