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Um mito recriado

Tragédia modelar, Édipo Rei ganha ambiciosa interpretação em montagem da Aquela Companhia de Teatro, no Espaço Sesc

Por Rafael Teixeira - Atualizado em 5 dez 2016, 13h50 - Publicado em 19 fev 2014, 16h23

AVALIAÇÃO ✪✪

Em Édipo Rei, de Sófocles, a ambição exagerada de um monarca se revela a sua ruí­na. De certa forma, o mesmo acontece no musical Edypop, a nova produção da Aquela Companhia de Teatro. Com dramaturgia de Pedro Kosovski e direção de Marco André Nunes, essa livre recriação da tragédia grega abarca uma enorme gama de significados. São tantos que, ao final da sessão, as inegáveis qualidades da montagem parecem diluídas. João Velho encarna com divertida picardia o jovem Edy, herdeiro do trono, ameaçado pelo pai, Laio (Remo Trajano), e protegido de forma sugestivamente incestuosa pela mãe, Jocasta (Letícia Spiller). Durante a trama, vão se entrecruzando referências à teoria psicanalítica de Freud (vivido por Jorge Caetano), à estética (um dos personagens, interpretado por Jandir Ferrari, chama-se Clement Greenberg, o mesmo nome de um crítico de arte americano), ao pacifismo de John Lennon (cujas canções são interpretadas sob a direção musical de Felipe Storino) e às passeatas que tomaram conta do Brasil em 2013. Mesmo muitas vezes desar­ticuladas, boas ideias emergem do texto, valorizadas pela entrega do elenco ? com destaque para um excelente Jorge Caetano, tocante na interpretação de Jealous Guy (100min). 14 anos. Estreou em 11/1/2014.

Espaço Sesc ? Teatro de Arena (138 lugares). Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, ☎ 2548-1088. Quinta a sábado, 20h30; domingo, 20h. R$ 20,00. Bilheteria: a partir das 15h (qui. a dom.). Até domingo (23).

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