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Teste põe à prova os principais quitutes vendidos na praia

Levados para análise em laboratório, alimentos vendidos por ambulantes à beira-mar apresentam fungos e bactérias

Por Fábio Codeço - Atualizado em 16 jan 2017, 14h29 - Publicado em 14 jan 2017, 12h00
Mate de galão é um dos itens analisados
Mate de galão é um dos itens analisados Peskymonkey/Stock/Reprodução

Ninguém tem dúvida de que a praia é a principal área de lazer dos cariocas durante o verão. Nesse caso, a praça de alimentação é substituída por comidinhas vendidas por ambulantes que percorrem a areia com galões, cestas e recipientes de isopor a tiracolo por horas. O perigo está aí. Expostos ao calor abrasador, na casa dos 40 graus, sem falar nas condições obscuras de produção, esses alimentos podem se tornar terreno fértil para a proliferação de bactérias e, em casos mais graves, configuram sério risco à saúde. Para medir a qualidade do que se come nas praias brasileiras, a Proteste submeteu 24 produtos a análise microbiológica. No Rio, foram selecionados cinco dos mais populares: espetinho de camarão, queijo de coalho, mate de galão, sanduíche natural e empada de frango. Todos foram comprados na Praia de Copacabana, entre 12 e 15 horas, em outubro e novembro de 2016, e nenhum deles continha microrganismos patogênicos, que provocam intoxicação alimentar. Também não apresentaram contaminação fecal. Estavam, portanto, próprios para o consumo.

O problema começou quando a análise apontou a presença de bolores e leveduras acima do recomendado em três dos cinco produtos. “Isso denota má higiene e falhas no processamento ou na estocagem”, alerta Juliana Ribeiro, pesquisadora responsável pelo estudo. O espetinho de camarão apresentou ainda, além dos fungos, microrganismos mesófilos aeróbios. Embora não ofereçam risco direto à saúde, esses seres microscópicos podem favorecer o crescimento de outros organismos causadores de infecções. Somente o queijo de coalho e a empada saíram limpos do teste. É bom lembrar: o resultado diz respeito a uma pequena amostra e a um momento específico. “Esses organismos se multiplicam rapidamente. Dez minutos sob o sol pode mudar tudo”, lembra Juliana. Para ela, o ideal é preparar os alimentos em casa. Quem não resiste deve tomar alguns cuidados, como observar a limpeza do recipiente e dar preferência a alimentos quentes ou feitos na hora.

› Está favorável. Nada foi encontrado nas amostras de queijo de coalho. O fato de ser preparado na hora, no calor da brasa, minimiza o risco de contaminação. A empada, armazenada em caixas, longe da luz e do calor, também saiu ilesa.

› Perigo à vista. Devido à exposição constante ao sol, o espetinho de camarão apresentou, além de bolores e leveduras, mesófilos aeróbios. Essas bactérias crescem nas mesmas temperaturas dos microrganismos patogênicos, aqueles causadores de doenças.

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› Atenção. Foram detectados bolores e leveduras (fungos) em excesso nas amostras de mate e de sanduíche natural. Isso denota falta de higiene na manipulação e no armazenamento. No caso do sanduíche, que pode conter maionese, o risco é ainda maior.

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