A sommelière que quer mudar o jeito como você escolhe vinhos argentinos

De passagem pelo Rio, a premiada Paz Levinson destaca novas regiões, pequenos produtores e combinações com a comida brasileira

Por Alessandra Carneiro 25 out 2026, 20h06
Mulher de meia-idade, cabelo castanho escuro, sorri para a câmera, vestindo blazer azul marinho e blusa creme com gola alta rendada. Ela está atrás de uma longa fileira de garrafas de vinho de diferentes cores e rótulos, em um ambiente de restaurante com mesas ao fundo e luminárias metálicas no teto
Paz Levinson: sommelière vem ao Brasil para mais uma edição do Argentina Reloaded (./Divulgação)
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O Malbec pode até ser o cartão de visitas, mas há uma Argentina inteira a descobrir depois da primeira taça. É essa a proposta do Argentina Reloaded, projeto do Studio Courtois e de Paz Levinson, uma das mais prestigiadas sommelières do mundo, que já foi eleita a melhor das Américas em 2015, além de conquistar o quarto lugar no concurso de melhor sommelier do mundo em 2016. A iniciativa volta ao Rio nesta segunda (26), com atividades no Lasai Eventos e um pop-up aberto ao público no Libô, ambos em Botafogo, para apresentar diferentes origens, uvas e estilos do país vizinho.

Radicada na França, Paz tem uma ambição que ajuda a explicar o caráter itinerante do projeto: encontrar espaço para os vinhos argentinos nas cartas dos grandes restaurantes do mundo. O caminho passa por aproximar produtores de quem escolhe, recomenda e serve cada garrafa, mas também por uma curadoria pessoal, guiada pelo prazer de beber.

“Quando criamos o Argentina Reloaded, a ideia era apresentar o momento atual do vinho argentino, mas também compartilhar os vinhos de que eu gosto”, conta. “Vinhos que considero equilibrados, deliciosos e que têm lugar na carta de qualquer restaurante do mundo. Vinhos de terroir, com identidade e origem, que expressam o solo e o lugar de onde vêm.”

Nesse percurso, o Malbec segue como um aliado. Para a sommelière, a popularidade da uva oferece uma vantagem para apresentar outras variedades e regiões aos consumidores. E há muito a explorar dentro da própria casta, que ela descreve pelos aromas florais, intensidade, boa acidez e pela capacidade de produzir vinhos em uma ampla diversidade de estilos. “Ter o Malbec como cartão de visitas abre definitivamente as portas para outras variedades e para a riqueza de uvas e regiões que a Argentina tem a oferecer”, afirma.

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Uma dessas descobertas está na Quebrada de Humahuaca, na província de Jujuy, no extremo norte do país. Dez produtores da região participam da edição brasileira do Argentina Reloaded, que reúne mais de vinte vinícolas e mais de quarenta vinhos, com programação também em São Paulo. Conhecido como destino turístico, o território ganha, segundo Paz, um circuito de enoturismo que permite conhecer sua produção de perto.

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A sommelière destaca a altitude, a luminosidade intensa e as temperaturas moderadas quando consideradas as médias entre máximas e mínimas. “É uma região selvagem, onde ainda há muito a descobrir e explorar”, diz. Na seleção para o evento, feita por meio de degustações, a diversidade pesou mais do que a escolha de um único rótulo.

Mulher sorridente, de cabelo castanho preso e blazer azul-marinho, segura um livreto vermelho com a palavra RELOADED e um desenho de taça de vinho. Ela está em um salão com mesas brancas e cadeiras marrons, com taças de vinho e aperitivos. Ao fundo, uma projeção mostra uma pessoa segurando uma taça.
Argentina Reloaded: evento acontece nesta segunda (26) em Botafogo (Tom Richardson/Divulgação)
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Vinhos argentinos com temperos brasileiros

É quando o assunto chega à comida brasileira que as recomendações de Paz oferecem pistas para renovar as escolhas na taça. Convidada a pensar em combinações com peixe na brasa, bolinho de bacalhau e feijoada, ela passeia por Moscatel, Torrontés e uvas criollas, sem prender cada prato a uma única resposta.

Entre seus favoritos estão o Moscatel da Cara Sur e os brancos da Rocamadre. O Torrontés aparece como uma boa companhia para preparações condimentadas, com destaque para o Barrel Fermented, de Susana Balbo, produtora que explora diferentes expressões da variedade. “Podemos encontrar um prato da culinária brasileira para harmonizar com cada estilo de Torrontés”, sugere.

As criollas também têm lugar nessa mesa. Paz cita os vinhos de El Esteco, Cara Sur e El Bayeh como exemplos que merecem atenção. “São vinhos extremamente gastronômicos, graças ao equilíbrio e à elegância que apresentam em boca.”

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A disposição para experimentar essas possibilidades é uma das características que ela valoriza no Brasil. Após levar o projeto a dez países, a sommelière descreve o público brasileiro como curioso e aberto, e vê oportunidades para produtores que ainda estão construindo seu nome.“Há menos preconceitos do que muita gente imagina. Não é um mercado interessado apenas em rótulos conhecidos. É um público que quer ampliar seus horizontes, descobrir novos vinhos e experimentar coisas diferentes”, avalia.

Nesta segunda (26), essa conversa ganha endereço em Botafogo. O Lasai Eventos recebe uma masterclass sobre a Quebrada de Humahuaca, das 10h às 12h, e uma degustação de vinhos de diferentes regiões argentinas, das 13h às 17h, ambas exclusivas para profissionais convidados. À noite, das 19h às 23h, o Libô, em Botafogo, abre as portas ao público para um pop-up de vinhos argentinos, com a sommelière Maíra Freire como anfitriã.

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