Restaurantes do Oriente Médio renovam a cena gastronômica do Rio

Muito além do quibe e da esfirra, estabelecimentos revelam a diversidade das cozinhas da Ásia Ocidental, do Líbano ao Marrocos e da Turquia à Palestina

Por Alessandra Carneiro 17 jul 2026, 07h30
Muito além do quibe: culinária do Oriente Médio conquista os cariocas
Muito além do quibe: culinária do Oriente Médio conquista os cariocas (Tomás Rangel/Divulgação)
Continua após publicidade
Restaurantes do Oriente Médio renovam a cena gastronômica do Rio Priorizar nos meus resultados Google

Durante uma visita ao Líbano em 1876, o imperador Dom Pedro II (1825-1891) divulgou as maravilhas do Brasil, terra da riqueza e da prosperidade, com boas perspectivas de trabalho. A propaganda do monarca deu certo e, em 1880, iniciou-se o fluxo migratório de sírios e libaneses para estas praias. Desde então, a comunidade não parou de crescer: hoje, seus descendentes somam cerca de 8 milhões no Brasil, segundo a Associação Cultural Brasil-Líbano, e o Rio abriga o segundo maior contingente do país, atrás apenas de São Paulo.

 

Pratos como quibe, esfiha, tabule e homus são tão incorporados ao cotidiano que muita gente sequer os enxerga como receitas estrangeiras. Mas o que se convencionou como “comida árabe” não representa toda a riqueza gastronômica da região, e uma nova geração de restaurantes vem mostrando isso na prática ó e no sabor. Em vez de reproduzir as receitas já conhecidas, novas casas passeiam pelas cozinhas turca, levantina, persa, palestina, israelense, iraquiana e norte-africana. “Ainda causa estranhamento em alguns clientes, mas a gente frisa que somos especializados em comida do Oriente Médio, não um restaurante árabe”, afirma Dani Branco, sócia de Christiano Lanna e Erik Nako no Baduk, aberto no Leblon.

+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui 

A ideia surgiu durante uma viagem de Dani e Erik ao Marrocos, em 2019. O casal voltou fascinado pela riqueza gastronômica experimentada e passou a estudar receitas, visitando empreitadas especializadas em São Paulo e Buenos Aires. Esse movimento acompanha uma mudança de olhar do próprio público, mais disposto a explorar ingredientes, especiarias e preparos que até pouco tempo eram raridade na cidade. O resultado é um Rio que começa a enxergar o Oriente Médio não como uma cozinha única, mas como um vasto mosaico de culturas, histórias e tradições culinárias.

Continua após a publicidade

No Humaitá, a trajetória do Mandala Kebabs exemplifica o interesse do paladar carioca. O projeto surgiu na cozinha da casa do chef Lucas Calvet, como delivery durante a pandemia, virou uma pequena operação de garagem e, recentemente, passou a ocupar um charmoso casarão histórico. O que começou com kebabs evoluiu para um menu que reúne pides — pães achatados em formato de barco —, mezze — os aperitivos que lembram as tapas espanholas —, além de frutos do mar, massas frescas e preparos inspirados nas culinárias turca, mediterrânea e levantina. “Conhecer algo novo de uma cultura distante é um desafio, mas também desperta encantamento”, resume Calvet.

A renovação também passa pela valorização da comida de rua, aspecto central da alimentação em muitos países do Oriente Médio. Essa é a aposta do moderninho Toum, inaugurado em junho, em Botafogo. “Queremos mostrar o outro lado da nossa comida, algo mais do dia a dia e longe dos estereótipos. No Líbano, você consegue comer ótimos sanduíches na rua às quatro da manhã”, explica o sócio Ahmad Chalak, que importa ingredientes diretamente do país. O Balcão, nascido em 2022 em uma loja de apenas 25 metros quadrados no Arpoador, veio com a proposta de transformar a pita recheada em uma refeição rápida, saudável e acessível. Virou hit do pós-praia, e o sucesso levou à abertura de unidades no Centro, em Ipanema e, neste ano, no Leblon. “A comida que mais me interessa é a que tem alma, sabor e presença no dia a dia das pessoas. Uma comida feita para ser vivida na rua, no balcão, no movimento da cidade”, filosofa Zion Fadlon, sócio da casa. Para ele, o maior equívoco é tratar o Oriente Médio como uma cultura homogênea. “Seria como reduzir a culinária italiana à pizza ou a brasileira à feijoada”, provoca. No que depender dos chefs, os próximos anos devem trazer ainda mais descobertas, de pratos judaico-norte-africanos a receitas ancestrais do Líbano, Síria, Jordânia e Palestina. Esses ainda aguardam sua vez de conquistar a cidade.  

 

Mil e uma cozinhas 

O que provar em quatro casas especializadas 

Continua após a publicidade

Balcão. A proposta é servir refeições rápidas, saudáveis e acessíveis, preparadas na hora. O menu reúne referências de diferentes países da região, com foco em kebabs e sanduíches montados em pães produzidos diariamente pela casa. Rua Francisco Otaviano, 52, Copacabana (10 lugares). 11h/22h. @balcao.oficial. 

Baduk. A empreitada passeia por sabores da Turquia, Palestina, Israel, Iraque e Irã. Aos sábados e domingos, das 10h30 às 15h30, tem brunch com pastinhas, pães, saladas, queijos e outras delícias. Rua Rainha Guilhermina, 95-C, Leblon (56 lugares). 10h/23h (dom. e seg. até 22h). @badukcafeebar. 

Mandala Kebabs. Reúne influências turcas, mediterrâneas e levantinas. Na ala das entradas, brilha a berinjela empanada, guarnecida de tzatziki, pasta de iogurte e pepino. Entre os principais, há moussaka, a lasanha grega, e arroz caldoso de cordeiro. Rua Capitão Salomão, 55, Humaitá (55 lugares), 12h/23h (qui. a sáb. até 0h). @mandalakebabs 

Continua após a publicidade

Toum. Aberta em junho, a casa aposta na comida de rua do Líbano, que serve sanduíches, shawarmas, faláfel e porções generosas, honrando o nome do famoso molho de alho. Tem até hambúrguer libanês. Rua General Polidoro, 58, Botafogo. 12h/20h (fecha dom.). @toum.restaurante.

20250918_Balcao_200_Alta_CredTomasRangel.jpg
(Tomas Rangel/Divulgação)
Baduk_Sócios_Crédito Tomás Rangel.jpg
Os sócios Erik Nako, Christiano Lanna e Dani Branco: o Baduk surgiu após uma viagem ao Marrocos e muitas idas a restaurantes em São Paulo e Buenos Aires (Tomás Rangel/Divulgação)
Continua após a publicidade
Mandala Kebabs_Pides-CredTomasRangel (1).jpg
(Tomas Rangel/Divulgação)
Toum credito divulgacao.jpeg
(./Divulgação)
Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Domine o fato. Confie na fonte.
15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês