Favela Gourmet: bares de Rocinha e Vidigal participam de competição
Cerca de 5 000 pessoas são esperadas na segunda edição do evento, que começa nesta sexta (4)
Croissants doces e salgados, pratos com frutos do mar, drinques, churrasco e uma variedade de sabores produzidos dentro das comunidades. A gastronomia da Rocinha e do Vidigal é a grande protagonista da segunda edição do Favela Gourmet, festival gastronômico que reúne, a partir desta sexta (4), cerca de 40 bares, restaurantes e lanchonetes das duas comunidades — quase três vezes o número de participantes da primeira edição, realizada em 2025.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
Cerca de 5 000 visitantes deverão circular por estabelecimentos das duas comunidades, segundo estimativas dos organizadores, até o encerramento do evento, no dia 11. Mais do que um circuito gastronômico, a iniciativa busca dar visibilidade aos pequenos empreendedores, movimentar a economia local e fortalecer a Rocinha e o Vidigal como destinos turísticos. “A expansão do festival acompanha o crescimento dos pequenos negócios locais. Ampliar a participação significa incluir empreendedores que muitas vezes não têm visibilidade e criar novas oportunidades. São personagens e histórias da gastronomia local que passam a ser conhecidos por outro ângulo: pela comida, pela cultura e pela potência de quem vive e empreende dentro da favela”, afirmou Renan Monteiro, idealizador do projeto Na Favela Turismo, do qual o Favela Gourmet faz parte.
Em sua estreia, Fátima Campos, conhecida como a Simone da Rocinha, apresenta o carro-chefe de seu estabelecimento, a laje Vista Show, na Rua 1: a caipirinha tradicional, de limão (R$ 25,00), servida em copo de 500 mililitros. Preparada com cachaça, a bebida é também uma oportunidade, segundo Simone, de apresentar aos visitantes um pouco da história de um dos drinques mais conhecidos do Brasil. “Vir à Vista Show é uma experiência que vai além da degustação dos quitutes e drinques. E nada mais apropriado do que apresentar a nossa caipirinha, um dos itens mais vendidos da casa. É a cara do Favela Gourmet”, afirma. Ao servir a bebida, ela conta aos clientes a história da receita original, feita com cachaça, limão, açúcar e gelo, criada por donos de fazendas de cana de açúcar do interior de São Paulo no final do século XIX e tombada como patrimônio histórico brasileiro em 2003. “Outra versão diz que a bebida foi inventada no século XX, a partir de uma receita caseira que, além do limão e da aguardente, levava alho e mel, e era administrada como medicamento entre os doentes da gripe espanhola”, diz Simone.







