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Rita Fernandes Por Rita Fernandes, jornalista Um olhar sobre a cultura e o carnaval carioca

O Choro de volta à Gávea

Parado há dois anos, projeto é retomado na Praça Santos Dumont, com feira e apoio do Polo Gastronômico do bairro

Por Rita Fernandes Atualizado em 30 jun 2022, 23h46 - Publicado em 30 jun 2022, 19h47

Carioca é povo de rua. E a boa nova é que o Choro da Gávea, depois de mais de dois anos parado, retorna ocupando a Praça Santos Dumont neste sábado, dia 2 de julho, das 16h às 22h. E, além da música, que por si só já justifica sair de casa para ouvir feras do coletivo de músicos Choro na Rua, como Silvério Pontes e Henrique Cazes, além de Pedrinho Miranda, articulador do projeto na Gávea, vai ter também feira gastronômica com participação dos bares e restaurantes da região. Com um palco baixo no centro da praça, em frente ao Baixo Gávea, e uma super roda, contará com dez importantes músicos do gênero e o bom é levar cadeira de praia ou canga para sentar.

Esse retorno terá uma homenagem a Zé da Velha pelos seus 81 anos, completados no dia 1º de junho. Zé é um dos maiores solista de choro do Brasil, com seu trombone, músico que tocou com Pixinguinha. E a composição musical faz jus ao homenageado, com artistas como Daniela Spilmann (sax), Silvério Pontes (trompete), Dudu Oliveira (flauta), Bebê Kramer (Acordeon), Henrique Cazes (cavaquinho), Tiago Souza (bandolim), Rogério Caetano (violão de 7 cordas), Charlles da Costa (Violão), Netinho Albuquerque (pandeiro) e Rodrigo Jesus (percussão) e Pedro Miranda (cantor).

Zé da Velha será homenageado no Choro da Gávea, pelos seus 81 anos.
Zé da Velha (esquerda) será homenageado no Choro da Gávea, pelos seus 81 anos, e Silvério Pontes (direita) é um dos integrantes Divulgação/Divulgação

O projeto foi adotado pelos comerciantes e pelos moradores, marcando o Choro da Gávea como um dos eventos de rua mais importantes da cidade. São os comerciantes locais, representados pelo Polo Gastronômico da Gávea, que estão tornando possível a realização do projeto, com investimento que assegura a montagem e os cachês dos artistas.

No início, em 2018, o primeiro que entrou apoiando foi o Guimas, restaurante que é um dos mais importantes por ali, desde a década de 1980. Domingas Mascarenhas, uma das donas e amiga de Pedro Miranda, se envolveu para ajudar a viabilizar o projeto.

“Quando o Choro começou, fiz essa parceria com Pedrinho, que me apresentou o projeto. Achei lindo e falei ‘vamos nessa’. Corri com ele buscando apoio dos comerciantes e, claro, começando pelo Guimas. O primeiro não tinha toldo, palquinho, nada. Super simples. Fomos batendo de porta em porta, e pedindo um dinheirinho para fazer acontecer. E aí sempre nas rodas, na hora do choro, a gente passava também o chapéu para pagar os músicos. Tudo foi crescendo e ficando super bacana. Que maravilha que vai voltar de novo”, comemora Domingas.

Agora, com esse envolvimento do Polo, o projeto passa a contar com uma feira gastronômica com a participação dos bares e restaurantes da região, que vão oferecer uma variedade de comidinhas e bebida para o público. Estarão presentes Brewteco, que encabeça a lista de apoiadores, Rufi, Guimas, Guita, Sebastian, Sushimar, Talho Capixaba, Pi Kombicha Tropical, Xugar Doces.

“Os comerciantes estão apoiando como nunca, e isso foi decisivo para o retorno do projeto.  Acho que é um reconhecimento daquilo que o evento representa para o bairro e para a cidade. A gente sempre fez o Choro na raça, passando chapéu, contando com os amigos. Agora parece que esses eventos ao ar livre ganharam força, depois da pandemia. O público também está mostrando que quer isso. Essa volta é uma soma de tudo: da vontade de voltar à vida e participar de eventos ao ar livre e do reconhecimento da importância do projeto para o bairro”, comemora Pedro Miranda.

Rogério Caetano, responsável pelo violão de 7 cordas do grupo e que está desde a primeira edição, também está animado com a volta do evento e reforça a importância para o Rio.

“Esse projeto tem uma importância social muito grande. A gente vai aonde o povo está, na rua. As pessoas se emocionam, tem um ambiente alto astral que faz toda a diferença para a cidade, que tem essa veia musical, o choro como parte da sua história”, diz.

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Choro na Rua

O primeiro Choro da Gávea foi realizado em novembro de 2018, com edições mensais até março de 2020, quando veio a pandemia da Covid-19 e o isolamento da população. Começou como uma extensão de um outro projeto chamado Choro na Rua, um coletivo de choro que que existe há sete anos.

O Choro na Rua se apresentou pela primeira vez na livraria Al-Farabi, no Centro do Rio, quando o escritor André Diniz lançou a biografia de Silvério e Zé da Velha. A livraria era pequena, dez músicos apareceram pra tocar e lotou de gente que queria estar ali. Aí os músicos decidiram sair e tocar na rua. A rua também já estava cheia, para todos os lados, e ali nascia o Choro na Rua.

“Nós vimos que o Choro estava enraizado no coração do carioca e das pessoas que amam o Rio. Eu já fazia isso com o Zé da Velha, em Olaria, bairro onde Pixinguinha nasceu. A ideia sempre foi popularizar o Choro nas ruas e praças, formando novas plateias para conhecerem artistas importantes da nossa música, como Ernesto Nazaré, Chiquinha Gonzaga e o próprio Pixinguinha. A partir daí, o projeto tomou um volume maior”, conta Silvério Pontes.

Pedrinho Miranda, articulador cultural, foi quem idealizou o Choro da Gávea.
Pedrinho Miranda, articulador cultural, foi quem idealizou o Choro da Gávea Divulgação/Divulgação

Pedrinho Miranda percebeu a força projeto e convidou o coletivo para se apresentar na Gávea. Pedrinho é um dos principais articuladores culturais do bairro, e não apenas com o Choro, mas com outros projetos como o Samba da Gávea e as apresentações de voz e violão no Parque da Cidade.

“Tenho paixão pela rua, pelo Rio de Janeiro, por ocupar praças e espaços públicos com arte e música. Estou muito emocionado por conseguir retomar o Choro, depois desse intervalo. É a realização de um projeto maior, do desdobramento da minha carreira, uma construção de muito tempo e que envolve muita gente, músicos e amigos”, diz.

Para Silvério Pontes, a rua é o lugar perfeito para tocar, pela proximidade com o público.

“É um movimento musical muito bom de tocar, muito bom de estar presente, porque as pessoas estão ali pertinho, precisando de alegria, de música. O Rio de Janeiro é um palco aberto, um lugar lindo, qualquer espaço em que se faça música vira palco. A cidade precisa disso”, resume, exaltando a vocação que o povo carioca tem para eventos de rua.

Rita Fernandes é jornalista, escritora e pesquisadora de cultura e carnaval.

 

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