Moda que atravessa gerações
Prestes a completar 50 anos no Brasil, C&A fala sobre a relação dos adolescentes com a moda e a troca de referências entre pais e filhos
Se antes os filhos herdavam dos pais referências de moda e música, hoje essa troca acontece nos dois sentidos. Prestes a completar 50 anos no Brasil, a C&A acompanhou essa virada — e viu também mudar a relação dos adolescentes com a roupa, agora atravessada por redes sociais, criadores de conteúdo e tendências globais.
Ao Programinha Carioca, Cecília Preto Alexandre, diretora de Marketing da C&A, fala sobre essas transformações e sobre o que permanece: a moda como forma de expressão e construção de identidade.
Como a C&A equilibra tendências com o incentivo para que os jovens encontrem o próprio estilo, sem se encaixar em um padrão?
Acreditamos que nosso papel não é dizer como as pessoas devem se vestir, mas oferecer possibilidades para que cada uma encontre sua forma de se expressar. Trabalhamos tendências como brilho, franjas, transparência e utilitário de maneira versátil, permitindo diferentes interpretações e combinações. Uma mesma peça pode fazer parte de produções completamente diferentes, dependendo de quem a veste. No fim, o mais importante não é o que está na moda, mas como cada pessoa faz aquilo funcionar para si.
O que mudou na maneira como os adolescentes consomem moda em relação à geração de seus pais?
O impulso continua o mesmo. Os pais desses adolescentes também se expressavam por meio da roupa e buscavam referências na música, nos artistas, nos filmes, na TV e nos movimentos culturais de seu tempo. A grande diferença está na velocidade e na diversidade dessas referências.
Hoje, os adolescentes têm acesso a inspirações do mundo inteiro em tempo real. Música, redes sociais, criadores de conteúdo, amigos, tendências globais e experiências pessoais se misturam de uma forma muito mais dinâmica.
Também percebemos uma geração mais interessada em entender a origem dos produtos, os materiais utilizados e o impacto de suas escolhas. Por isso, buscamos iniciativas que conectem moda, criatividade e sustentabilidade, como projetos de upcycling e reaproveitamento de materiais.
O que uma marca precisa oferecer hoje para criar uma experiência que um adolescente realmente queira compartilhar, inclusive com os pais?
Não basta que a experiência seja visualmente interessante, ela precisa gerar participação. Os jovens querem interagir, personalizar, criar algo próprio e compartilhar momentos que tenham significado.
Também percebemos que muitas dessas experiências são vividas por diferentes gerações. É comum ver pais e filhos trocando opiniões sobre os looks ou participando juntos de uma atividade. Quando a interação com a marca se transforma em uma lembrança compartilhada, ela ganha um significado muito maior.
Moda e música ainda são territórios que aproximam pais e filhos?
Sem dúvida. São formas de expressão que atravessam gerações e criam conexões. E essa troca acontece cada vez mais nos dois sentidos: se antes muitas referências passavam dos pais para os filhos, hoje os jovens também apresentam músicas, tendências e comportamentos às suas famílias.
Ao longo dos nossos 50 anos no Brasil, vimos como a moda faz parte da construção de memórias e identidades. Esse repertório nos ajuda a dialogar com públicos de diferentes gerações.
Ao completar 50 anos no Brasil, o que a C&A leva dessa trajetória e o que está por vir?
A C&A acompanhou muitas transformações do varejo de moda no país. Trouxemos o modelo de autosserviço em 1976, lançamos o primeiro cartão próprio do varejo brasileiro nos anos 1980, fomos pioneiros em pesquisas internacionais de tendências e estivemos entre as primeiras empresas do setor a investir no e-commerce.
Chegar aos 50 anos é reconhecer essa trajetória e, ao mesmo tempo, olhar para as próximas gerações. Hoje, a cliente busca mais do que um produto: procura inspiração, conveniência, personalização e experiências que façam sentido para seu momento de vida.
Olhando para frente, acreditamos que personalização, tecnologia e circularidade terão um papel cada vez mais importante na moda. É assim que enxergamos os próximos 50 anos: preservando nossa essência e evoluindo para continuar relevantes para diferentes gerações.







