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Lu Lacerda

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Jornalista apaixonada pelo Rio

Onze perguntas para Rodrigo Santoro: “Não fiz tatuagem nem abri vinícola”

"Nunca fiz paz com a ideia de morar nos EUA. E não foi por falta de incentivo (pra não dizer pressão) por parte de meus agentes e pessoas do business", diz

Por Daniela
11 jan 2026, 07h00 •
Rodrigo Santoro
 (Jorge Bispo/Divulgação)
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  • Sem considerar qualquer prazer estético, ao avistar Rodrigo Santoro você inevitavelmente se lembrará de algum momento da trajetória desse premiado artista. Pode ser desde sua primeira novela na Globo, “Olho por Olho” (1993), até os trabalhos mais recentes no cinema. Entre eles, “O Último Azul”, dirigido por Gabriel Mascaro — vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim e ainda em cartaz —, ou “O Filho de Mil Homens”, de Daniel Rezende (Netflix) e que chegou, até a última semana, como o sexto longa de língua não inglesa mais visto no mundo.

    O ano de 2025 foi, para Santoro, mais um período de números simbólicos: os 50 anos recém-completados em agosto e três décadas de carreira. O ator também foi homenageado no Festival de Gramado com o Kikito de Cristal pelo conjunto da obra — aquele momento em que a carreira já se transforma em patrimônio cultural. Em maio, iniciou as gravações de “Runner”, filme de ação com Alan Ritchson e Owen Wilson, com estreia prevista no Brasil em 2026, dando continuidade à sua agenda internacional.

    Em julho, começaram também as filmagens da série “Brasil 70 – A Saga do Tri”, da Netflix em parceria com a O2 Filmes, na qual interpreta João Saldanha durante a campanha histórica da Seleção Brasileira rumo ao tricampeonato mundial. A produção ainda não tem data de estreia. Além disso, Santoro entra em breve no catálogo da Prime Video com “Corrida dos Bichos”, ficção científica distópica dirigida por Fernando Meirelles. No filme, ele vive uma figura central — e vaidosa — em um Rio de Janeiro em ruínas. Com Rodrigo Santoro, o talento parece se sobrepor.

    Questionado em um evento recente de divulgação de “O Último Azul”, durante o Festival Mercocidades, sobre como consegue conciliar tantos projetos, respondeu: “Prioridades. Quando você quer muito fazer uma coisa, outras acabam ficando de lado”.

    Pai de duas meninas, Nina e Cora, do casamento com Mel Fronckowiak, jogador e incentivador do tênis, divulgador informal do Brasil pelo mundo e defensor entusiasmado do audiovisual nacional, Santoro é atento ao trabalho dos colegas. Basta ouvir o nome de algum deles para que venha um elogio. Sobre “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, com Wagner Moura — vencedor do Critics Choice Awards 2026 na categoria Melhor Filme Internacional, no último domingo (04/01) —, comentou: “Já podemos nos considerar vitoriosos. As indicações ajudam, mas não definem a qualidade do nosso cinema, que sempre produziu obras potentes”.

    1 – A vida vai bem?

    Eu tenho privilégio de ter meus pais comigo, procuro estar próximo dos meus afetos sempre que posso. Dito isso, meu círculo íntimo vai bem, mas como artista não consigo fechar meus olhos para os problemas do mundo. Sigo trabalhando minha cabeça para lidar com esses eventos externos da melhor forma possível, procuro contribuir como posso. Sinto que estou amadurecendo a cada dia, com a saúde forte e cercado de amor.

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    2 – Para quem não é impermeável à beleza, a paisagem do Rio, bem como sua vida na cidade, faz muita falta nas longas temporadas que você passa em outros países?

    Sem dúvida. O Rio, apesar de todos seus contrastes e contradições  é o lugar que escolhi morar, é onde me sinto em casa.

    3 – Conte algo sobre bastidores na Amazônia, que você viveu, viu, sentiu… Descreva como você saiu de lá depois dessa experiência.

    Muito se fala sobre a Amazônia. O mundo inteiro tem opinião sobre ela. Eu sempre sonhei em conhecê-la de forma mais profunda. Quando filmei “o último azul “ em Novo Airão, tive a oportunidade de fazer uma imersão transformadora. Só conhecendo de perto é que é possível compreender a força e a dimensão daquele lugar. A gente percebe logo de cara como somos minúsculos diante da grandiosidade da natureza. Logo que cheguei fui fazer um laboratório navegando nos rios, percebi como estava alinhado com a velocidade da cidade, minha ansiedade estava mais evidente do que nunca. O primeiro exercício foi desacelerar. Só assim comecei a compreender o ritmo e a atmosfera da floresta.

    4 – E “O Filho de Mil Homens”, lançado em novembro na Netflix e em 6º lugar como filme de língua não-inglesa mais visto da última semana no mundo. Esperava isso de um filme que fala sobre poesia, família,  acolhimento etc?

    Pois é, esse filme desafia o algoritmo com a poesia e o sentimento humano. Ele tem atravessado tanta gente, nunca fui tão abordado pelas pessoas na rua como com “ O Filho de Mil Homens”. As pessoas sempre dizendo que precisamos de mais filmes como esse. Tenho muito orgulho do nosso filme e da importância dos debates que estão sendo criados a partir dele.

    5 – Você já transitou entre cinema autoral, blockbusters, novelas e séries de TV com bastante fluidez. Existe um critério pessoal para escolher os papéis — algo que você diga ‘não’ mesmo que seja para um grande diretor?

    O critério é simples, preciso ser tocado pela história e pela personagem de alguma forma. Se isso não acontece, sinto que não consigo me comprometer porque não me sinto motivado. Só consigo fazer o meu trabalho se tiver me sentindo inspirado/estimulado de verdade.

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    6 – E tem as redes sociais, que você usa, principalmente para divulgar seus projetos e de colegas ou algo que valha comunicar…. E, às vezes, tem um Kelly Slater, um Gabriel Medina, um João Fonseca…. Você consegue preservar sua intimidade? Como é esse equilíbrio entre o público e o privado?

    Esse equilíbrio é fundamental pra minha sanidade mental. Além do ambiente público, de lidar com as questões vida pública,  preciso ter alguma  privacidade preservada. Como qualquer outra pessoa, os momentos íntimos, com minha família e meus amigos são muito importantes pra mim. Na verdade, sempre fui mais reservado com minha intimidade, muito antes de me tornar conhecido. Acho que isso além de ser muito saudável, me ajuda a enxergar e a viver as coisas importantes da vida de forma genuína.

    7 – Este ano você está cercado por números, incluindo os recém-feitos 50 anos. Se você tivesse que numerar as coisas mais surpreendentes que essa parte da vida te deu — tipo ranking de cinema — quais seriam as principais?

    São tantas… Começando pelas nossas duas filhas queridas que me ensinam todos os dias a ser a melhor versão possível de mim mesmo. O experimento de uma liberdade que só a maturidade traz. Minha inteligência emocional nunca esteve tão bem.

    8 – Voltando à idade, em recente encontro em Niterói, você disse: “Estou gostando de amadurecer, apesar dos desafios por trabalhar com a imagem. Mas estou ganhando coisas que vão além da aparência e do físico.” Cite prós e contras… Muita gente faz 50 e compra moto, muda de país, faz tatuagem, adota cachorro, abre vinícola…Você teve alguma microcrise ou foi tudo tão sereno que decepcionou até os seus amigos?

    Não acredito muito nessas listas de prós e contras porque acho que o ser humano é complexo demais pra gente tentar resumir e definir… Não fiz tatuagem nem abri vinícola. (risos). Micro, macro, crises são absolutamente parte do processo de amadurecimento. Claro que tive as minhas. Acredito em autorresponsabilidade. Preciso fazer a minha parte todos os dias, sempre buscando evoluir, melhorar como ser humano, como artista, como pai, como amigo, como marido, como filho…

    9 – Você é pai de uma menina de 8 anos e de um bebê de 1 ano. O que a paternidade te mostrou sobre amor, paciência e improviso que nenhum papel no cinema jamais ensinou?

    O papel de pai é sem dúvida o mais complexo que já fiz, (risos). Primeiro que não teve ensaio, nem laboratório de preparação da “personagem”. Vou trocando o pneu com o carro andando todos os dias. Certamente nenhum papel me preencheu como esse. Nem me ensinou como esse me ensina. Sendo pai me sinto conectado com meu propósito na vida.

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    10 – Mesmo com uma carreira internacional, você nunca morou fora. Por quê? E como é sua rotina quando tem que passar muito tempo longe de casa?

    Nunca fiz paz com a ideia de morar nos EUA. E não foi por falta de incentivo (pra não dizer pressão) por parte de meus agentes e pessoas do business em Hollywood. Apesar de todos os problemas que temos no Brasil, fiz a escolha de morar aqui onde tenho meus afetos, minha vida e meus projetos. Nunca parei de trabalhar no Brasil. Vi muita gente estrangeira em Hollywood desesperada tentando fazer parte daquela cultura, tentando agradar o mercado e perdendo suas próprias identidades. Nunca quis me distanciar do meu DNA, do que me faz ser quem eu sou.

    11 – Você só pensa no mundo físico?

    Não.  Acho que o ser humano esquece com frequência do seu minúsculo tamanho e importância para o Universo. Respeito o invisível e seus mistérios.

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