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Lu Lacerda

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Jornalista apaixonada pelo Rio

Gastronomia (Bruno Calixto): projeto baiano que deveria servir de exemplo

O Barracuda preza pelo turismo sustentável, com mão de obra e sabores locais e valorização do pequeno produtor

Por lu.lacerda
Atualizado em 11 abr 2025, 16h41 - Publicado em 9 abr 2025, 19h00
comida
 (Re Ghiotto/Divulgação)
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Entender a importância da Mata Atlântica é abrir o coração. Tal qual fez um trio formado por uma paulista, um baiano e um grupo sueco há 20 anos, num encontro inusitado no sul da Bahia, onde a mata se encontra com o mar azul profundo que só os baianos têm.

Lagosta do Barracuda, do chef Fernando Luz
Lagosta do Barracuda, do chef Fernando Luz (Bruno Calixto/Divulgação)
A chef Sheyla Docio, do Barracuda
A chef Sheyla Docio, do Barracuda (Bruno Calixto/Divulgação)

O resultado? Na idílica Itacaré, surgiu o projeto Barracuda, que preza pelo turismo sustentável, com um caldeirão de lições que o turista deveria saber de cor na hora de pesquisar a viagem: mão de obra e sabores locais, valorização do pequeno produtor orgânico, pescadores da região e tudo o que for do savoir-faire baiano — um patrimônio mundial!

É a hora e a vez de valorizar o morador, pois eles são a verdadeira estrela da peça; e isso deveria ser regra em outros estados, como no nosso Rio. Os CEOs do Barracuda, Juliana Ghiotto e o marido Dani Lima, tiram de letra essa máxima, muito em razão de uma filosofia do projeto e seus sócios suecos – um grupo que tem de artistas a empresários, incluindo o casal real sueco (rei Carlos XVI Gustavo e rainha Silvia), alguns deles com imóvel no empreendimento, abertos para locação. Quem viu “White Lotus” na Tailândia sabe do que se trata: tudo o que se come ali vem daquele terroir de Itacaré, farto em baianices que são divinas.

Café da manhã do Barracuda
Café da manhã do Barracuda (Bruno Calixto/Divulgação)
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Barracuda
Barracuda (Bruno Calixto/Divulgação)
Piscina Barracuda
Piscina Barracuda (Bruno Calixto/Divulgação)

O tour gastronômico começa no café da manhã, preparado pela chef Sheyla Dócio, com o pão de queijo do Luciano Moreira (R$ 180 menu completo à la carte), e termina na galinha caipira da dona Isabel, onde dá para mergulhar na cachoeira do Nori. Parada obrigatória. A viagem pelo mundo de sabores passa ainda pelos frutos do mar e a moqueca do La Cabana (a partir de R$ 118), a lagosta do Fernando Luz, o peixe do Fabio Campello e João Carlos Reis (assado no barco em alto-mar, servido na folha de bananeira) e o acarajé de Jeremias Batista…

Ali pertinho, mais para o centro de Itacaré (minúsculo), o jantar no novo Oiti é por conta do chef Ernandes Oliveira, que serve peixes e frutos do mar (a maior parte, pescada por ele). Vale a pena conhecer e, se der, ainda trocar meias-palavras com esse itacareense-raiz.

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“A Bahia tem esse negócio de comida fresca. E que cura, vixe!”, me conta Hernando, que pegou o polvo naquele dia, servido assado na brasa (R$ 132). E também a lagosta que foi para o arroz molhadinho (R$ 189). Ideais para um brinde com Cacau dá Samba (R$ 36): cachaça baiana, mel de cacau e espumante.

Filho de marisqueira e pescador, Ernando, desde muito jovem, começou a trabalhar para ajudar a família; vendia mariscos e pescados ao mesmo tempo em que estudava. “Através da minha história de vida na gastronomia, busco todos os dias aprender e incentivar outros jovens para esse trabalho.”

Peixe vermelho preparado no barco sobre Rio de Contas
Peixe vermelho preparado no barco sobre o rio de Contas (Bruno Calixto/Divulgação)

 

Seu colega pescador Fernando Luz ocupa o posto de chef que comanda a parrilla do Barracuda, de onde saem a mesma sorte de peixes, pescados e tudo mais pescado no dia. O que tem de mais fresco, por R$ 480 (vários passos, incluindo peixes, picanha e lagosta).

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“Nossa parrilla oferece aquilo que Itacaré tem de mais fresco: do peixe à lagosta pescada no dia, o que há de melhor nesta costa além do mar que ninguém consegue evitar”, me disse Luz. “E também verduras e legumes de pequenos produtores orgânicos locais para valorizar o que há de mais saudável e sustentável, além de apoiar marisqueiras e pescadores. Uma experiência orgânica e verdadeira.”

Moqueca do La Cabana
Moqueca do La Cabana (Bruno Calixto/Divulgação)
Galinhada caipira com peixe, pirão da dona Isabel
Galinhada caipira com peixe e pirão da dona Isabel (Bruno Calixto/Divulgação)

Foi numa noite de parrilla à la baiana que, de repente, fiz 43 anos, entre garfadas e brindes com minha amiga e comadre Heliana Queiroz, com quem todo ano celebro mais um início de ciclo. E assim, entre peixes e lagosta pescados no dia, vindos direto da brasa, brindamos com vinhos Uvva, produzidos na Chapada Diamantina, onde nasce o rio de Contas, que desemboca na lindeza Itacaré.

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Nada que uma moqueca no centrinho de Itacaré, Rua da Pituba, não melhore. O La Cabana, onde foi o restaurante de um italiano, há sete anos serve comida brasileira com foco na Bahia — iniciativa dos paulistanos Adelberto, Silvia e Bruna Melari (pais e filha). Tem caipirinha das boas (R$ 20).

A 73 quilômetros de Ilhéus e com cerca de 30 mil habitantes, essa pequena cidade banhada pelo oceano Atlântico tem sua história revista depois do refúgio paradisíaco no alto da costa da praia do Resende, cercado por 26 hectares de Mata Atlântica, que hoje recebe turistas do mundo inteiro.

O Instituto Yandê é um fruto disso tudo. Desde 2021 no leque de pesquisa do Barracuda, contribui para o desenvolvimento socioambiental do município, além de auxiliar a população com ações educativas.

Cacau Osvaldo da Fazenda Taboquinhas
Cacau Osvaldo da Fazenda Taboquinhas (Bruno Calixto/Divulgação)
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Uma delas é na Fazenda Taboquinhas, onde o Seu Osvaldo cultiva o cacau orgânico que sua mulher, dona Laura, utiliza para fazer o chocolate ali mesmo. Do pé de cacau até a barra “tree to bar”, conceito em que o produtor acompanha todo o processo de produção do chocolate, sem açúcar em excesso nem gordura hidrogenada. É bacana de ver. Dá vontade de voltar já!

O jornalista viajou a convite do Barracuda Hotel & Villas.

tarja calixto
(Arquivo pessoal/Reprodução)
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